1Ai dos que tramam a iniquidade e se ocupam de maldades ainda em seus leitos! Ao amanhecer do dia, executam tudo o que está em poder de suas mãos. 2Cobiçam campos, e tomam-nos com violência, cobiçam casas, e roubam-nas. Oprimem o dono e sua casa, o proprietário e seus bens. 3Isto diz o Senhor: “Eis que tenciono enviar sobre esta geração perversa uma desgraça de onde não livrareis vossos pescoços; não podereis andar de cabeça erguida, porque serão tempos desastrosos. 4Naquele dia, sereis assunto de uma alegoria, de uma canção triste que diz: ʽFomos inteiramente devastados; a parte de meu povo que passou a outro por ninguém lhe será restituída; os nossos campos são repartidos entre infiéis’. 5Por isso, não terás na assembleia do Senhor quem meça com cordel as porções consignadas por sorte”.
Sábado da 15ª Semana do Tempo Comum
Fonte: Padre Paulo Ricardo
Leitura da Profecia de MiquéiasMq 2, 1-5
O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.Sl 9B(10),1-2.3-5.7-8.14
O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.Sl 9B(10),1-2.3-5.7-8.14
O Senhor não se esquece do clamor dos aflitos.
1 Ó Senhor, por que ficais assim tão longe, *
e, no tempo da aflição, vos escondeis,
2 enquanto o pecador se ensoberbece, *
o pobre sofre e cai no laço do malvado? R.
3 O ímpio se gloria em seus excessos, *
blasfema o avarento e vos despreza;
4 em seu orgulho ele diz: "Não há castigo! *
Deus não existe!" 5É isto mesmo que ele pensa. R.
7 Só há maldade e violência em sua boca, *
em sua língua, só mentira e falsidade.
8 Arma emboscadas nas saídas das aldeias, *
mata inocentes em lugares escondidos. R.
14 Vós, porém, vedes a dor e o sofrimento, *
vós olhais e tomais tudo em vossas mãos!
A vós o pobre se abandona confiante, *
sois dos órfãos vigilante protetor. R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MateusMt 12,14-21
Naquele tempo, 14os fariseus saíram e fizeram um plano para matar Jesus. 15Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. 16E ordenou-lhes que não dissessem quem ele era, 17para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 18"Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual coloco a minha afeição; porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. 19Ele não discutirá nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. 20Não quebrará o caniço rachado nem apagará o pavio que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. 21Em seu nome as nações depositarão a sua esperança".
A vinda de Cristo e a nossa conversão
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 12, 14-21)
Naquele tempo, os fariseus saíram e tomaram a decisão de matar Jesus. Ao saber disso, Jesus retirou-se dali. Grandes multidões o seguiram, e ele curou a todos. Advertiu-os, no entanto, que não dissessem quem ele era. Assim se cumpriu o que foi dito pelo profeta Isaías: “Eis o meu servo, que escolhi; o meu amado, no qual está meu agrado; farei repousar sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará às nações o direito. Ele não discutirá, nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas praças. Não quebrará o caniço rachado, nem apagará a mecha que ainda fumega, até que faça triunfar o direito. Em seu nome as nações depositarão sua esperança”.
No Evangelho de hoje, vemos uma citação do Profeta Isaías aplicada a Jesus. É interessante notarmos que o Evangelho de São Mateus, segundo a tradição, foi escrito para os cristãos que tiveram uma cultura e uma vida espiritual de preparação por meio do judaísmo.
Durante todo o Antigo Testamento, Deus preparou a vinda do seu Filho, e a respeito de Cristo é que falaram a Lei e os Profetas. Por isso, São Mateus, desde o início do seu Evangelho, faz inúmeras citações do Antigo Testamento para mostrar que Jesus é verdadeiramente o Messias esperado.
Entretanto, a citação do Antigo Testamento presente no Evangelho de hoje não é sobre o Messias, mas sobre uma figura misteriosa que está presente no Livro do Profeta Isaías: o Servo sofredor. Isaías diz: “Eis o meu Servo que escolhi; o meu amado, no qual está meu agrado” (Is 42, 1). Essa fala faz ecoar em nossos ouvidos as palavras de Deus Pai no Batismo de Jesus: “Eis o meu Filho muito amado, no qual coloquei toda a minha afeição” (Mt 3, 17). Também o Espírito Santo, que desceu sobre Jesus em forma de pomba, é mencionado nessa citação de Isaías: “Farei repousar sobre Ele o meu Espírito, e Ele anunciará às nações o direito” (Is 42, 1).
Jesus, no início do Evangelho de São Mateus, diz para seus Apóstolos: “Não ireis aos pagãos; ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10, 5-6). Já no Evangelho de hoje, São Mateus está explicando que já era previsto que essa pregação inicial, feita aos judeus, iria transbordar para os povos pagãos. Ora, para nós, isso é uma grande consolação, porque nem todos possuem origem judaica e, portanto, fazem parte das nações gentias.
Desde o Antigo Testamento, a nossa conversão foi pensada por Nosso Senhor, que enviou o seu Filho para nós. Este, contudo, não veio para acabar conosco ou nos castigar. “Ele não discutirá, nem gritará e ninguém ouvirá sua voz nas praças” (Is 42, 2). Isso quer dizer que, primeiro, Cristo nos convencerá falando em nossos corações.
“Não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega” (Is 42, 3). Ou seja, Cristo usará o pouco de bem que ainda resta dentro de nós, aproveitando-o para fazer maravilhas e levar-nos à perfeição. Por isso, não desanimemos! Nosso Senhor não quer apagar o pequeno pavio ou quebrar o caniço rachado; mas quer nos restaurar e resgatar.