Assim fala o Senhor: 2“Volta, Israel, para o Senhor, teu Deus, porque estavas caído em teu pecado. 3Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: ʽLivra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios. 4A Assíria não nos salvará; não queremos montar nossos cavalos, não chamaremos mais ‘Deuses nossos’ a produtos de nossas mãos; em ti encontrará o órfão misericórdiaʼ. 5“Hei de curar sua perversidade e me será fácil amá-los, deles afastou-se a minha cólera. 6Serei como orvalho para Israel; ele florescerá como o lírio e lançará raízes como plantas do Líbano. 7Seus ramos hão de estender-se; será seu esplendor como o da oliveira, e seu perfume como o do Líbano. 8Voltarão a sentar-se à minha sombra e a cultivar o trigo, e florescerão como a videira, cuja fama se iguala à do vinho do Líbano. 9Que tem ainda Efraim a ver com ídolos? Sou eu que o atendo e que olho por ele. Sou como o cipreste sempre verde: de mim procede o teu fruto. 10Compreenda estas palavras o homem sábio, reflita sobre elas o bom entendedor! São retos os caminhos do Senhor e, por eles, andarão os justos, enquanto os maus ali tropeçam e caem”.
6ª feira da 14ª Semana do Tempo Comum
Fonte: Padre Paulo Ricardo
Leitura da Profecia de OseiasOs 14, 2-10
Minha boca anunciará vosso louvor!50(51),3-4.8-9.12-13.14 e 17
Minha boca anunciará vosso louvor!50(51),3-4.8-9.12-13.14 e 17
Minha boca anunciará vosso louvor!
3 Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! *
Na imensidão de vosso amor, purificai-me!
4 Lavai-me todo inteiro do pecado, *
e apagai completamente a minha culpa! R.
8 Mas vós amais os corações que são sinceros, *
na intimidade me ensinais sabedoria.
9 Aspergi-me e serei puro do pecado, *
e mais branco do que a neve ficarei. R.
12 Criai em mim um coração que seja puro, *
dai-me de novo um espírito decidido.
13 Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, *
nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! R.
14 Dai-me de novo a alegria de ser salvo *
e confirmai-me com espírito generoso!
17 Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, *
e minha boca anunciará vosso louvor! R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo MateusMt 10, 16-23
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 16“Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. 17Cuidado com os homens, porque eles vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas.18Vós sereis levados diante de governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e das nações. 19Quando vos entregarem, não fiqueis preocupados como falar ou o que dizer. Então naquele momento vos será indicado o que deveis dizer. 20Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do vosso Pai é que falará através de vós.21O irmão entregará à morte o próprio irmão; o pai entregará o filho; os filhos se levantarão contra seus pais, e os matarão. 22Vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. 23Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra. Em verdade vos digo, vós não acabareis de percorrer as cidades de Israel, antes que venha o Filho do Homem”.
O sacerdócio é muito mais que um poder
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 10, 16-23)
No Evangelho de hoje, contemplamos a conclusão do discurso de Jesus aos Apóstolos antes de enviá-los em missão. Nele, o Senhor revela a própria finalidade da vida apostólica: o sacrifício por amor a Cristo.
É importante recordarmos que todo sacerdote verdadeiramente cristão não é chamado apenas a ser sacerdote, mas também vítima. Isso porque, se não viver essa dupla realidade, não estará configurado à própria vida de Cristo, que é o Sumo e Eterno Sacerdote precisamente porque se ofereceu como vítima de amor para a nossa Redenção.
Ao escolher os seus Apóstolos, Nosso Senhor lhes apresenta aquilo que mais tarde repetirá na Última Ceia, conforme o Evangelho de São João: “Odiaram a mim, odiarão a vós também. Perseguiram a mim, perseguirão a vós também” (cf. Jo 15, 18-20). Em outras palavras, o caminho do apóstolo é o mesmo caminho percorrido pelo próprio Jesus.
Por isso, quando um jovem abraça a vocação sacerdotal, não pode deixar-se iludir pelo aparente poder que ela lhe confere. Se o ministério sacerdotal fosse apenas uma questão de autoridade, os críticos da doutrina católica sobre o sacerdócio teriam razão ao afirmar que os padres seriam apenas homens revestidos de poder, capazes tanto de fazer o bem quanto de oprimir o povo.
Entretanto, Cristo não foi apenas sacerdote, nem os Apóstolos foram apenas sacerdotes. Todos eles, sem exceção, ofereceram-se como vítimas, entregando a própria vida por amor ao Senhor. Por isso, quando Jesus instituiu o sacerdócio, instituiu também uma verdade da qual jamais podemos nos esquecer: o sacerdote é um homem que fez de sua própria vida um sacrifício.
No dia da ordenação sacerdotal, quando os candidatos se prostram durante a Ladainha de Todos os Santos, contemplamos justamente essa entrega. Ali está, por assim dizer, o momento do holocausto, em que o sacerdote renuncia aos próprios projetos e desejos para pertencer inteiramente a Cristo. Todo verdadeiro sacerdote deve desejar poder dizer, em espírito e verdade: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).
À primeira vista, isso pode parecer uma exigência pesada, esmagadora ou até mesmo impossível. Contudo, não é assim quando compreendemos a graça própria do sacerdócio. Por meio dela, o sacerdote se une profundamente a Jesus, Cabeça da Igreja, para que, unido a Ele, possa também oferecer a própria vida em sacrifício. Assim, recebe não apenas a missão de administrar os Sacramentos e representar Cristo diante do povo, mas também a graça de entregar-se completamente, fazendo de toda a sua existência uma oferta agradável a Deus.
Essa entrega, porém, não é exclusiva dos sacerdotes ordenados. Todo batizado também é chamado a oferecer ao Senhor um sacrifício de louvor e a fazer da própria vida uma oblação. Basta recordar o que Nossa Senhora perguntou aos três pastorinhos em Fátima: “Quereis oferecer-vos a Deus?”.
Se essa é a vocação de todos os batizados — oferecer-se a Deus, rezar pelos que não rezam, adorar pelos que não adoram, crer pelos que não creem, amar pelos que não amam e esperar pelos que perderam a esperança —, quanto mais daquele que foi escolhido para ser sacramento vivo de Cristo!
Rezemos, portanto, pelos nossos sacerdotes. Peçamos a Deus que lhes conceda a graça de viver plenamente a vocação de ser, ao mesmo tempo, sacerdote e vítima, oferecendo a própria vida por amor a Cristo e pela salvação das almas.