Naqueles dias, 5em Gabaon, o Senhor apareceu a Salomão em sonho, durante a noite, e lhe disse: “Pede o que desejas e eu te darei”. 7E Salomão disse: “Senhor meu Deus, tu fizeste reinar o teu servo em lugar de Davi, meu pai. Mas eu não passo de um adolescente, que não sabe ainda como governar. 8Além disso, teu servo está no meio do teu povo eleito, povo tão numeroso, que não se pode contar ou calcular. 9Dá, pois, ao teu servo um coração compreensivo, capaz de governar o teu povo e de discernir entre o bem e o mal. Do contrário, quem poderá governar este teu povo tão numeroso?” 10Essa oração de Salomão agradou ao Senhor. 11E Deus disse a Salomão: “Já que pediste esses dons e não pediste para ti longos anos de vida, nem riquezas, nem a morte de teus inimigos, mas sim sabedoria para praticar a justiça, 12vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti nem haverá depois de ti”.
17º Domingo do Tempo Comum
Fonte: Padre Paulo Ricardo
Leitura do primeiro livro dos Reis1Rs 3,5.7-12
Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!Sl 118(119),57.72.76-77.127-128.129-130
Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!Sl 118(119),57.72.76-77.127-128.129-130
Como eu amo, Senhor, a vossa lei, vossa palavra!
57 É esta a parte que escolhi por minha herança:*
observar vossas palavras, ó Senhor!
72 A lei de vossa boca, para mim,*
vale mais do que milhões em ouro e prata. R.
76 Vosso amor seja um consolo para mim,*
conforme a vosso servo prometestes.
77 Venha a mim o vosso amor e viverei,*
porque tenho em vossa lei o meu prazer! R.
127 Por isso amo os mandamentos que nos destes,*
mais que o ouro, muito mais que o ouro fino!
128 Por isso eu sigo bem direito as vossas leis,*
detesto todos os caminhos da mentira. R.
129 Maravilhosos são os vossos testemunhos,*
eis por que meu coração os observa!
130 Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina,*
ela dá sabedoria aos pequeninos. R.
Segunda Leitura
Leitura da carta de São Paulo aos RomanosRm 8,28-30
Irmãos, 28sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus. 29Pois aqueles que Deus contemplou com seu amor desde sempre, a esses ele predestinou a serem conformes à imagem de seu Filho, para que este seja o primogênito numa multidão de irmãos. 30E aqueles que Deus predestinou, também os chamou. E aos que chamou, também os tornou justos; e aos que tornou justos, também os glorificou.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MateusMt 13,44-52
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 44“O reino dos céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. 45O reino dos céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. 46Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola.
47O reino dos céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. 48Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. 49Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos 50e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. 51Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”. 52Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo mestre da lei que se torna discípulo do reino dos céus é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
O tesouro escondido e o “vender tudo”
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
(Mt 13, 44-52)
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. O Reino dos Céus também é como um comprador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma pérola de grande valor, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquela pérola. O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em cestos e jogam fora os que não prestam. Assim acontecerá no fim dos tempos: os anjos virão para separar os homens maus dos que são justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. E aí haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isso?” Eles responderam: “Sim”. Então Jesus acrescentou: “Assim, pois, todo o mestre da Lei, que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas”.
Neste 17º Domingo do Tempo Comum, a Igreja proclama o Evangelho de São Mateus, capítulo 13, versículos de 44 a 52, em que Jesus conta a parábola do tesouro escondido.
Em primeiro lugar, antes de começarmos a meditação, precisamos colocar as coisas no seu contexto. De acordo com São Mateus, após a parábola do fermento, Jesus despediu as multidões e foi para casa, onde explicou então aos discípulos a parábola do joio e do trigo, acrescentando em seguida outras três parábolas: a do tesouro escondido no campo, a da pérola preciosa e a da rede lançada ao mar.
Portanto, no Evangelho de hoje, Cristo já não está falando em público às multidões, mas em casa aos seus amigos. Assim, o ensinamento se dirige aos que, tendo dado os primeiros passos na fé, anseiam agora por compreender a fundo os mistérios do reino.
As imagens propostas hoje pelo Senhor exprimem o valor do Reino dos céus, cujas riquezas hão de ser antepostas a todas as outras coisas. Assim como o homem vendeu tudo alegremente para comprar o tesouro descoberto, e assim como o negociante, tendo achado uma única pérola preciosa, vendeu o que possuía só para adquiri-la, assim também, para lucrar os bens do Reino de Deus, é necessário entregar de bom grado todas as comodidades temporais. No fim, uma só coisa é necessária, e por ela precisamos abrir mão de todas as outras.
Pois bem, na primeira comparação, um homem encontra um tesouro escondido num campo. Feliz de tê-lo encontrado, ele vai e vende tudo o que tem a fim de comprar o terreno, atitude em contraste direto com a do jovem rico que, chamado por Jesus a deixar tudo para o seguir, acaba indo embora triste “porque possuía muitos bens”.
A diferença, porém, não está na quantidade, mas no lugar que se reserva no coração aos bens deste mundo. Ora, quem descobre em Cristo o bem maior — no fundo, o único verdadeiro — entrega tudo alegremente porque sai lucrando mais do que “perderia” se, doutra sorte, continuasse apegado a suas próprias seguranças mundanas.
O “vender tudo” é um chamado que Jesus faz não só para sacerdotes, religiosos e consagrados. Todo cristão, em qualquer estado de vida, tem por vocação primeira amar a Jesus Cristo sobre todas as coisas. “Vender tudo” aqui significa fazer dele a razão da própria existência. Desse modo, trabalho, família, bens materiais, talentos e até o corpo deixam de servir à satisfação do nosso egoísmo e tornam-se instrumentos de amor a Deus. Com isso, nada perde realmente o seu valor, senão que o encontra com muito mais valor, porque depositado nas mãos do único que os sabe administrar com sabedoria.
O tesouro está escondido porque só a fé o descobre. Para quem não crê, Jesus não passa de uma figura histórica ou talvez um mestre entre outros. Já quem recebeu o dom da fé sabe que ele é a razão — o Logos, por excelência —, que dá sentido a tudo o que temos e somos. A vida, antes da conversão, resume-se a cuidados sobre cuidados, e trabalhos por motivos humanos; depois dela, ainda que a rotina nem sempre mude, muda o sabor, inteiramente novo, que as coisas de sempre adquirem.
O início da vida cristã é para muita gente marcado pelo entusiasmo. Com o passar do tempo, no entanto, a alegria parece esmorecer, e a vida espiritual se transforma num peso tedioso. Não é raro, aliás, que isso ocorra com quem se aproxima de Jesus por interesse ou por mera obrigação. Os que agem assim vivem a fé como uma barganha; por isso, oferecem a Deus o mínimo necessário para “assegurar a salvação”, enquanto guardam ou, antes, acreditam que guardam para si o controle da própria vida. Tal atitude, consciente ou não, faz cair paulatinamente no desânimo de quem não vê sentido no que faz — nas obrigações de seu ofício ou de sua fé — por não ter os olhos fixos naquele que nos fez para si.
Cristo, com efeito, não é “parte” da vida; é o sentido dela, seu norte, sua finalidade. Toda escolha, toda atividade, todo relacionamento ou, numa palavra, tudo o que neste mundo é bom tem nele sua razão de ser. Dessa descoberta, nasce uma alegria profunda e duradoura porque tem a esperança depositada, não já numa felicidade humana, limitada à figura passageira deste mundo, mas na Ressurreição do Senhor.
Ora, essa experiência, embora dependa do conhecimento intelectual da fé, só é possível, ordinariamente, graças à oração. Na meditação da Palavra de Deus, na oração pessoal, na adoração e na participação adequada na Eucaristia é que o cristão encontra-se com Cristo vivo. Afinal, a oração é o exercício da fé. Por isso, quanto mais rezarmos, dizendo: “Creio, mas aumentai a minha fé. Amo-vos, mas aumentai o meu amor”, mais aprenderemos a reconhecer em Jesus o grande tesouro desta vida e da futura. Tudo aquilo que ainda não tiver nele a sua finalidade deverá ser purificado, e aquilo que não puder tê-la há de ser abandonado sem reservas. Assim, a vida inteira, em todos os seus aspectos, passa a ser vivida como resposta de amor a Deus.
A parábola do tesouro escondido é um chamado a superar a fé superficial das meras obrigações a fim de descobrir em Cristo, sob uma luz mais mais alta, o bem supremo. Quem assim o encontra já não vive uma religião de obrigações mínimas e suficientes, mas vive uma generosidade que não se contenta em dar menos do que tudo. Essa é a descoberta que dá novo sentido a todas as coisas.
Diferentemente do jovem rico, que, triste e decepcionado, afastou-se de Jesus, peçamos ao Senhor que nos dê a fé necessária para reconhecer n’Ele, Deus encarnado, o nosso sumo e mais amável bem, pelo qual vale a pena não só tudo perder, mas tudo entregar com a alegria de quem encontrou o mais valioso tesouro.