9bUm anjo falou comigo e disse: “Vem! Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro”. 10Então me levou em espírito a uma montanha grande e alta. Mostrou-me a cidade Santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus, 11brilhando com a glória de Deus. Seu brilho era como o de uma pedra preciosíssima, como o brilho de jaspe cristalino. 12Estava cercada por uma muralha maciça e alta, com doze portas. Sobre as portas estavam doze anjos, e nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel. 13Havia três portas do lado do oriente, três portas do lado norte, três portas do lado sul e três portas do lado do ocidente. 14A muralha da cidade tinha doze alicerces, e sobre eles estavam escritos os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
São Bartolomeu, Apóstolo, Festa
Fonte: Padre Paulo Ricardo
Leitura do Apocalipse de São JoãoAp 21, 9b-14
Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!Sl 144(145),10-11.12-13ab.17-18
Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!Sl 144(145),10-11.12-13ab.17-18
Ó Senhor, vossos amigos anunciem vosso Reino glorioso!
10 Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, *
e os vossos santos com louvores vos bendigam!
11 Narrem a glória e o esplendor do vosso reino *
e saibam proclamar vosso poder! R.
12 Para espalhar vossos prodígios entre os homens *
e o fulgor de vosso reino esplendoroso.
13a O vosso reino é um reino para sempre, *
13b vosso poder, de geração em geração. R.
17 É justo o Senhor em seus caminhos, *
é santo em toda obra que ele faz.
18 Ele está perto da pessoa que o invoca, *
de todo aquele que o invoca lealmente. R.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo JoãoJo 1, 45-51
45Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”.46Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!” 47Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. 48Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. 49Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.50Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!” 51E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
O que é a sucessão apostólica?
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
(Jo 1, 45-51)
Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”.
Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?”. Filipe respondeu: “Vem ver!”. Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”.
Jesus disse: “Tu crês porque te disse: Eu te vi debaixo da figueira? Coisas maiores que esta verás!”. E Jesus continuou: “Em verdade, em verdade eu vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.
Texto do episódio:
Com grande alegria, celebramos hoje a festa de São Bartolomeu, também conhecido pelo nome de Natanael. Como os demais Apóstolos, após a Ascensão de Nosso Senhor e Pentecostes, Bartolomeu partiu pelo mundo para anunciar o Evangelho. A Tradição nos diz que ele teria chegado até a Índia, seguindo mais tarde para a Armênia, onde sofreu um terrível martírio: foi esfolado vivo e, por fim, decapitado. Seu corpo, recolhido pelos cristãos, foi então levado e sepultado em diferentes lugares ao longo dos séculos, até que suas relíquias chegaram a Roma. Hoje, seu sepulcro encontra-se na Igreja de São Bartolomeu, situada na Ilha Tiberina, em Roma, cercada pelo rio Tibre.
O que podemos aprender ao celebrar São Bartolomeu e, com ele, cada um dos Doze Apóstolos, cujas memórias estão tão presentes em nosso calendário litúrgico? A Primeira Leitura da festa de hoje nos apresenta a visão descrita no capítulo 21 do Apocalipse. São João contempla a Jerusalém celeste, a Esposa do Cordeiro, a Cidade Santa que desce do Céu e, ao descrever essa visão, ele nos oferece um detalhe particularmente significativo: a muralha da cidade possui doze alicerces, e sobre eles estão escritos “os nomes dos Doze Apóstolos do Cordeiro” (cf. Ap 21, 9b-14).
É importante recordar que aquele que contempla e descreve essa visão é, ele próprio, um dos Apóstolos. Por isso, quando apresenta os Doze como alicerces da Jerusalém celeste, São João nos mostra que eles possuem, misticamente, uma função dentro da Igreja muito maior do que apenas terem sido os primeiros discípulos de Cristo. Os Apóstolos não pertencem apenas ao passado da Igreja: eles fazem parte de seu próprio fundamento.
Nesse contexto, devemos compreender também a sucessão apostólica. Em primeiro lugar, ela significa que a Igreja conserva e transmite a mesma doutrina pregada pelos Doze Apóstolos. É nessa fé apostólica que nós vivemos e é por causa dela que, a cada domingo, professamos a fé, recitando o Credo, o símbolo da fé apostólica: a mesma fé recebida e anunciada pelos Apóstolos de Cristo.
No entanto, a sucessão apostólica não diz respeito somente à doutrina. O poder que Jesus confiou aos Apóstolos para administrar os Sacramentos foi transmitido aos seus sucessores ao longo dos séculos. Se os bispos de hoje possuem o poder de administrar os Sacramentos e de ordenar novos sacerdotes, é porque o receberam através de uma corrente contínua que remonta aos próprios Apóstolos.
A visão do Apocalipse, porém, revela-nos algo ainda mais profundo. Nós, membros do Corpo místico de Cristo, somos parte dessa Cidade Santa que desce do Alto; somos a Igreja. E essa Cidade possui alicerces. Isso significa que existe uma verdadeira mediação dos Apóstolos na realidade espiritual que vivemos ainda hoje. Eles não foram somente homens que estiveram no início da história da Igreja, mas permanecem, de maneira misteriosa, ligados à vida sobrenatural do Corpo de Cristo.
É por essa razão que a Igreja venera e celebra com grande devoção cada um dos Doze Apóstolos. Na Oração Eucarística I, o Cânon Romano, existe uma tradição romana antiquíssima e ininterrupta de recordar nominalmente os Apóstolos. Antes da Consagração, são mencionados aqueles escolhidos diretamente por Jesus, entre os quais Bartolomeu; depois da Consagração, em outra lista de santos, aparece também Matias, escolhido pelos próprios Apóstolos para completar o número dos Doze e ocupar o lugar deixado por Judas.
A presença constante desses grandes homens na oração da Igreja deveria também despertar em nós uma devoção cada vez maior por eles. Infelizmente, embora tenhamos devoção por tantos santos — e devemos realmente tê-la —, acabamos muitas vezes deixando em segundo plano aqueles que foram colocados pelo próprio Jesus como fundamentos de sua Igreja.
Portanto, recorramos aos Apóstolos em nossa oração pessoal e peçamos a sua intercessão, reconhecendo o lugar fundamental que eles ocupam em nossa fé, em nosso caminho de santificação e na vida da graça, bem como a misteriosa mediação daqueles que o próprio Apocalipse apresenta como “os Doze Apóstolos do Cordeiro”.