Liturgia Diária

Liturgia do dia

Escolha a data no calendário e leia a liturgia com primeira leitura, salmo, Evangelho e meditação em uma navegação mais prática.

15 de junho de 2026

2ª feira da 11ª Semana do Tempo Comum

Fonte: Padre Paulo Ricardo

Primeira Leitura

Leitura do primeiro livro dos Reis1Rs 21,1-16

Naquele tempo, 1Nabot de Jezrael possuía uma vinha em Jezrael, ao lado do palácio de Acab, rei de Samaria. 2Acab falou a Nabot: “Cede-me a tua vinha, para que eu a transforme numa horta, pois está perto da minha casa. Em troca eu te darei uma vinha melhor ou, se preferires, pagarei em dinheiro o seu valor”. 3Mas Nabot respondeu a Acab: “O Senhor me livre de te ceder a herança de meus pais”. 4Acab voltou para casa aborrecido e irritado por causa desta resposta que lhe deu Nabot de Jezrael: “Não te cederei a herança de meus pais”. Deitou-se na cama, com o rosto voltado para a parede, e não quis comer nada. 5Sua mulher, Jezabel, aproximou-se dele e disse-lhe: “Por que estás triste e não queres comer?” 6Ele respondeu: “Porque eu conversei com Nabot de Jezrael e lhe fiz a proposta de me ceder a sua vinha pelo seu preço em dinheiro ou, se preferisse, eu lhe daria em troca outra vinha. Mas ele respondeu que não me cede a vinha”. 7Então, sua mulher, Jezabel, disse-lhe: “Bela figura de rei de Israel estás fazendo! Levanta-te, toma alimento e fica de bom humor, pois eu te darei a vinha de Nabot de Jezrael”. 8Ela escreveu então cartas em nome de Acab, selou-as com o selo real e enviou-as aos anciãos e nobres da cidade de Nabot. 9Nas cartas estava escrito o seguinte: “Proclamai um jejum e fazei Nabot sentar-se entre os primeiros do povo, 10e subornai dois homens perversos contra ele, que deem este testemunho: ‘Tu amaldiçoaste a Deus e ao rei!’ Levai-o depois para fora e apedrejai-o até que morra”. 11Os homens da cidade, anciãos e nobres concidadãos de Nabot, fizeram conforme a ordem recebida de Jezabel, como estava escrito nas cartas que lhes tinha enviado. 12Proclamaram um jejum e fizeram Nabot sentar-se entre os primeiros do povo. 13Chegaram os dois homens perversos, sentaram-se diante dele e testemunharam contra Nabot diante de toda a assembleia, dizendo: “Nabot amaldiçoou a Deus e ao rei”. Em virtude disso, levaram-no para fora da cidade e mataram-no a pedradas. 14Depois mandaram a notícia a Jezabel: “Nabot foi apedrejado e morto”. 15Ao saber que Nabot tinha sido apedrejado e estava morto, Jezabel disse a Acab: “Levanta-te e toma posse da vinha que Nabot de Jezrael não te quis ceder por seu preço em dinheiro, pois Nabot já não vive; está morto”. 16Quando Acab soube que Nabot estava morto, levantou-se para descer até a vinha de Nabot de Jezrael e dela tomar posse.

Salmo Responsorial

Atendei o meu gemido, ó Senhor!Sl 5,2-3.5-6.7

Atendei o meu gemido, ó Senhor!Sl 5,2-3.5-6.7

Atendei o meu gemido, ó Senhor!

2 Escutai, ó Senhor Deus, minhas palavras, *

atendei o meu gemido!

3 Ficai atento ao clamor da minha prece, *

ó meu Rei e meu Senhor! R.

5 Não sois um Deus a quem agrade a iniquidade, *

não pode o mau morar convosco;

6 nem os ímpios poderão permanecer *

perante os vossos olhos. R.

7 Detestais o que pratica a iniquidade *

e destruís o mentiroso.

Ó Senhor, abominais o sanguinário, *

o perverso e enganador. R.

Evangelho

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo MateusMt 5,38-42

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 38“Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ 39Eu, porém, vos digo, não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! 40Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! 41Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! 42Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado”.

Meditação

O verdadeiro significado de “Dar a outra face”

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

(Mt 5, 38-42)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ouvistes o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente!’ Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado”.

Hoje, lemos no Evangelho de São Mateus a continuação do Sermão da Montanha, no qual Jesus comenta a respeito da Lei de Talião, a famosa lei do “olho por olho, dente por dente”.

Algumas pessoas não entendem por que essa lei recebeu o nome de “Talião”. A palavra vem do latim “talio”, “talionis”, que significa “tal e qual”, “igual”. Em outras palavras, assim como foi a ofensa, deve ser a punição: uma pena proporcional ao mal cometido.

No Antigo Testamento, essa lei foi estabelecida como orientação para os juízes. Quando alguém cometia uma ofensa social, era preciso uma punição proporcional à falta cometida, a fim de preservar a ordem da sociedade. Trata-se, portanto, de um castigo público destinado à manutenção da ordem social, e não de uma norma a ser aplicada pelo indivíduo em âmbito privado.

Se observarmos essa realidade, veremos que ela continua válida. Jesus não está querendo subverter a ordem social. Quando ocorrem ofensas que realmente perturbam a vida em sociedade, é necessário buscar uma reparação. Evidentemente, isso não significa cair num justicialismo estrito, pois isso também acabaria desagregando a própria sociedade. Seja como for, Jesus não está abolindo a punição, porque, se o fizesse, estaríamos diante do triunfo da maldade, e os maus sempre prevaleceriam.

Por isso, Santo Tomás de Aquino, ao comentar esta passagem do Evangelho, afirma que Jesus não está se referindo à punição pública, mas está tratando de outra realidade: a realidade privada da santidade, capaz de superar a justiça pela generosidade do amor misericordioso. Nesse caso, já não estamos diante de uma obrigação ou de um preceito, mas de um conselho oferecido àquele que deseja buscar a santidade, e até mesmo a santidade heroica.

A prova de que Jesus não está estabelecendo um preceito que deva ser observado em toda e qualquer circunstância está na recordação feita por Santo Agostinho ao comentar este trecho do Evangelho: o fato de que o próprio Cristo não agiu literalmente da forma que está ensinando. Quando disse: “Se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5, 39), Ele não quis estabelecer uma regra absoluta. De fato, ao ser esbofeteado no palácio de Caifás, Nosso Senhor não ofereceu a outra face; pelo contrário, respondeu ao soldado que o havia atingido: “Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?” (Jo 18, 23).

Portanto, essa não é uma regra para ser seguida no âmbito da sociedade, que precisa conter a maldade por meio da punição, mas tampouco é uma norma que deva ser observada rigidamente pelo indivíduo em todas as situações. Contudo, quando uma pessoa quer buscar a santidade e percebe que seria justa determinada punição a um infrator que lhe prejudicou, num contexto em que o único prejudicado é a própria vítima — sem dano para a família ou para terceiros e sem prejuízo para a ordem social —, então, ela pode livremente realizar um desses atos heroicos de santidade aos quais Jesus se refere. É nesse sentido que a pessoa pode oferecer a outra face.

Desse modo, cumprimos aquilo que ensina São Paulo no capítulo 12 da Carta aos Romanos: “Não façais justiça por vós mesmos, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, pois está escrito: ‘A mim pertence a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor” (Rm 12,19). E ainda: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12, 21).