Liturgia Diária

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10 de junho de 2026

4ª feira da 10ª Semana do Tempo Comum

Fonte: Padre Paulo Ricardo

Primeira Leitura

Leitura do Primeiro Livro dos Reis1Rs 18, 20-39

Salmo Responsorial

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!Sl 15(16),1-2a.4.5 e 8.11

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!Sl 15(16),1-2a.4.5 e 8.11

Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

1 Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! *

2a Digo ao Senhor: "Somente vós sois meu Senhor". R.

4 Multiplicam, no entanto, suas dores *

os que correm para os deuses estrangeiros;

seus sacrifícios sanguinários não partilho, *

nem seus nomes passarão pelos meus lábios. R.

5 Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *

meu destino está seguro em vossas mãos!

8 Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *

pois se o tenho a meu lado não vacilo. R.

11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida; †

junto a vós, felicidade sem limites, *

delícia eterna e alegria ao vosso lado! R.

Evangelho

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo MateusMt 5, 17-19

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 17“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. 18Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo se cumpra. 19Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

Meditação

Aquele que veio nos dar um novo coração

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

(Mt 5, 17-19)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Não penseis que vim abolir a lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Em verdade, eu vos digo: antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus”.

O Evangelho de hoje, que faz parte do Sermão da Montanha — o primeiro grande ensinamento de Jesus —, mostra-nos Cristo realizando as profecias que anunciavam a vinda de um novo Moisés.

Moisés foi o homem que falava com Deus face a face e, dentre todos os profetas do Antigo Testamento, ocupa um lugar singular. Foi ele quem escreveu a Torá, isto é, o Pentateuco, os cinco primeiros livros da Sagrada Escritura, tão venerados pelo povo judeu. Antes de morrer, porém, esse grande profeta anunciou no Deuteronômio que Deus suscitaria alguém semelhante a ele, que falaria em nome do Senhor.

Em Jesus, essa profecia é plenamente realizada e, ao mesmo tempo, superada. Não porque tenha sido abolida, mas porque encontrou seu cumprimento transbordante. Afinal, quem veio não foi simplesmente um profeta, mas o próprio Filho de Deus. É por isso que São João afirma em seu Evangelho: “A Deus ninguém jamais viu” — nem mesmo Moisés — “Mas o Filho Unigênito, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi Ele que o deu a conhecer.” (Jo 1,18). Somente o Filho, que vive desde toda a eternidade na intimidade do Pai, veio revelar-nos o seu mistério e dar-nos a conhecer o seu Coração.

Nesse contexto, devemos compreender as palavras de Jesus no Evangelho de hoje: “Não penseis que vim abolir a lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento” (Mt 5, 17). Ao longo dos séculos, Deus preparou pacientemente o coração do seu povo. Antes da Revelação de Deus, a terra de Israel estava marcada pela barbárie, pela vingança e pela violência. Deus, então, começa pedagogicamente a impor limites ao mal, dando uma Lei por meio de Moisés, suscitando juízes, reis e profetas, estabelecendo o culto em Jerusalém e conduzindo seu povo como um pai que educa o filho passo a passo.

Infelizmente, apesar de toda essa preparação paciente e amorosa, o povo não conseguia viver plenamente a Lei, que foi escrita em tábuas de pedra, mas encontrou apenas corações de pedra, que não a receberam. Deus falava, ensinava e corrigia, mas a Palavra não penetrava profundamente nem transformava os corações.

Por esse motivo, o profeta Ezequiel anunciou a seguinte promessa: “Dar-vos-ei um coração novo” (Ez 36, 26). E é justamente isso que acontece com a vinda de Cristo. Quando Jesus diz que veio dar pleno cumprimento à Lei, Ele não está apenas trazendo uma nova Lei: Ele vem dar um novo coração, entregando-nos o seu próprio Coração.

Não por acaso, estamos no mês do Sagrado Coração de Jesus, e somos chamados, neste tempo, a permitir que o Espírito Santo realize em nós uma verdadeira transformação interior, arrancando o nosso coração endurecido pelo pecado e concedendo-nos o Coração de Cristo.

Se por Moisés veio a Lei, por Jesus vieram a graça e a Verdade, e é precisamente aí que está o pleno cumprimento. A graça do Espírito Santo torna-nos capazes de viver aquilo que a Lei, por si só, não conseguia produzir em nós. Não apenas conhecer o amor, mas amar de fato. Não apenas ouvir os Mandamentos, mas cumpri-los a partir de um coração renovado pela graça.

Que o nosso Divino Defensor, pois, realize essa obra em cada um de nós e faça-nos participar cada vez mais do Coração perfeitíssimo de Nosso Senhor, até que os nossos sentimentos, desejos e ações sejam conformados aos de Cristo.