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Vida consagrada desafia superiores a liderar com serviço e não com poder

A liderança na vida consagrada deve deixar de ser entendida como exercício de poder para assumir o rosto do serviço, da escuta e do discernimento. É esta a principal mensagem que marcou...

Vida consagrada desafia superiores a liderar com serviço e não com poder

A liderança na vida consagrada deve deixar de ser entendida como exercício de poder para assumir o rosto do serviço, da escuta e do discernimento. É esta a principal mensagem que marcou o Encontro de Formação Permanente para Superiores Maiores e Superiores de Comunidade, promovido pela Conferência dos Institutos Religiosos de Moçambique (CIRMO), que decorreu durante três dias no Centro Catequético Paulo VI de Anchilo, na Arquidiocese de Nampula.

Na abertura dos trabalhos, o presidente da CIRMO, Padre José Joaquim, alertou para uma “crise profunda de autoridade e de obediência” que atravessa não apenas a sociedade, mas também as comunidades religiosas.

Segundo o sacerdote, essa realidade manifesta-se na dificuldade em acolher decisões dos superiores, na falta de diálogo, em murmurações e no enfraquecimento da comunhão fraterna.

O responsável explicou ainda que o encontro, realizado depois das formações em Maputo e na Beira, constitui igualmente uma preparação espiritual para a Assembleia Geral da CIRMO, prevista para setembro, na capital do país.

O Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferencia Episcopal de Moçambique (CEM), Dom Inácio Saúre em entrevista reforçou a mesma visão, afirmando que o superior não deve ser alguém que governa sozinho, mas uma pessoa capaz de escutar, discernir e caminhar com a comunidade, em sintonia com a proposta da Igreja sinodal.

Vindos das dioceses de Nampula, Nacala, Pemba, Lichinga, Gurué e Alto Molócuè, os participantes reconhecem que os desafios da missão exigem uma liderança mais próxima e fraterna.

A irmã Carla Tomás, da Congregação das Irmãs da Apresentação de Maria, da Diocese de Nacala, considera que a autoridade deve ser exercida com humildade, paciência e espírito de serviço.

Da Diocese de Pemba, o missionário passionista Padre Fonseca Curiui aproveitou para pedir orações por Cabo Delgado, sublinhando que a Igreja não pode abandonar as populações atingidas pelo terrorismo.

Também a irmã Ofélia Robledo Alvarado, religiosa Mercedária do Santíssimo Sacramento, testemunhou que ser superior significa colocar-se ao serviço dos irmãos e das comunidades, sobretudo dos deslocados e das pessoas mais vulneráveis, seguindo o exemplo de Cristo que veio para servir.

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