O Patriarca de Lisboa, dom Valério Rui, está no Brasil onde cumpre agenda em São Paulo pelos 60 anos da chegada dos Missionários Monfortinos no país, além das atividades ligadas ao VIII Encontro Latino-Americano de Espiritualidade Monfortina que começou no último domingo (19/07) e segue até 26 de julho. A congregação, chamada oficialmente Companhia de Maria à qual o arcebispo português faz parte, foi fundada por São Luís Maria Grignion de Montfort e tem como um dos principais fundamentos espirituais a consagração a Jesus pelas mãos da Virgem Maria.
Nesta quarta-feira (22/07), dom Rui Valério presidiu a celebração eucarística no Santuário Nacional de Aparecida, quando refletiu sobre o caminho de Santa Maria Madalena, da procura pelo Senhor ao anúncio da Ressurreição. No dia em que a Igreja recordou a “apóstola dos Apóstolos”, o Patriarca de Lisboa apresentou a experiência de Maria Madalena diante do túmulo de Jesus como um itinerário formado por quatro passos, que também fazem parte da caminhada de cada cristão: a procura, ao deixar a acomodação e se colocar a caminho em busca de Jesus que pode transformar toda a existência; a perseverança, que ensina a não desistir de Deus mesmo na dificuldade; o chamado, reconhecendo Jesus e o seu amor através dos ruídos e preocupações do mundo; e a missão, sendo mensageiro da esperança junto às famílias, comunidades, ambientes de trabalho e na sociedade, marcada pela indiferença, solidão e divisões. Inspirados por Santa Maria Madalena e pela espiritualidade de São Luís Maria de Montfort, todos são chamados a procurar Jesus, permanecer na fé, reconhecer sua voz e anunciar que Ele está vivo.
O Patriarca de Lisboa, durante visita ao Santuário Nacional, explicou à Rede Aparecida de Comunicação que não poderia escolher outro lugar para celebrar a missa, uma vez que a espiritualidade monfortina é mariana. O arcebispo comentou que o seu fundador, sempre que empreendia um feito, ia se encontrar “face a face” com Nossa Senhora:
“Nós viemos aqui para que cada um de nós se encontre, coração a coração, com Nossa Senhora Aparecida, para que, por meio dela, a nossa gratidão chegue verdadeiramente onde, por vezes, nós não sabemos, porque é fraca a nossa fé, porque é débil."
A missão dos monfortinos no Brasil, acrescentou dom Rui, é ligada sobretudo ao apostolado com os mais pobres e desfavorecidos; ao fortalecimento da devoção mariana e à consciência da missionariedade. Segundo o arcebispo português, no Brasil, houve autênticos heróis da caridade pertencentes à espiritualidade monfortina, padres e religiosos, como as Irmãs da Sabedoria e os Irmãos de São Gabriel:
“Os missionários se empenharam sobretudo para conquistar aquilo que estava tão presente em seus corações: a promoção e a salvaguarda da dignidade de todo o ser humano, de todo homem e de toda a mulher.”
O programa da visita de dom Rui Valério ao país começou ainda no sábado, 18 de julho, ao presidir missa no Santuário Mãe Rainha de Schoenstatt, no Jaraguá. No dia seguinte, em 19 de julho, a celebração eucarística na Paróquia Santa Rosa de Lima, em Perus, marcou a abertura oficial do VIII Encontro Latino-Americano de Espiritualidade Monfortina. Já na terça-feira (21/07), segundo informa o Patriarcado de Lisboa, o arcebispo português realizou uma visita privada ao Pateo do Collegio, no centro histórico de São Paulo, quando rezou junto às relíquias de São José de Anchieta, missionário jesuíta, num momento de recolhimento e fraternidade, mas também para reforçar simbolicamente a comunhão histórica e espiritual entre o Brasil e Portugal.
A visita ao Brasil termina no próximo domingo, 26 de julho, quando vai presidir missa na Catedral Metropolitana de São Paulo, às 11h, concelebrada pelo maestro do Coro da Capela Musical Pontifícia "Sistina", monsenhor Marcos Pavan. Para além das celebrações, a presença de dom Rui Valério no país é uma oportunidade para aprofundar o conhecimento da realidade eclesial da América Latina e fortalecer os laços de comunhão entre as comunidades monfortinas dos dois lados do Atlântico, num momento particularmente significativo para a missão da congregação na região.
Colaboração: Patriarcado de Lisboa e Rede Aparecida de Comunicação
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