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Viagem missionária a Moçambique e Angola

Mas encontrei a Igreja em Moçambique a viver um dos momentos mais trágicos da sua história. D. Osório Citora, Bispo de Quelimane, foi barbaramente assassinado na sua própria casa, a 6 d...

Viagem missionária a Moçambique e Angola

Mas encontrei a Igreja em Moçambique a viver um dos momentos mais trágicos da sua história. D. Osório Citora, Bispo de Quelimane, foi barbaramente assassinado na sua própria casa, a 6 de junho. Era um Missionário da Consolata, trabalhou largos anos em Roma e tinha apenas 54 anos. Recentemente, o Vaticano tinha-o nomeado também Administrador da grande Arquidiocese da Beira. O contexto desta morte dá a entender que houve envolvimento ou, pelo menos, conivência de pessoas próximas ao Bispo. Tal tragédia gerou uma onda de suspeição, quer fora quer dentro da Igreja, o que complica muito o testemunho missionário.

Tive a feliz oportunidade de reencontrar D. João Carlos Nunes, Arcebispo de Maputo e fui até à Nunciatura para reunir com D. Luis Miguel Muñoz Cárdaba, o Núncio Apostólico. Percebi, pelas palavras e pelos silêncios, que há problemas graves que a Igreja terá de enfrentar e resolver nos próximos tempos. Seja qual for a decisão da justiça moçambicana sobre este assassinato, os tempos que se seguem serão difíceis. Esta morte traz ao de cima a violência, a instabilidade social e a pobreza que caracterizam Moçambique hoje e mostra como a vida humana está desvalorizada, bastando olhar para a quantidade de pessoas que sofrem violência ou são mortas por razões menores. Daí se compreenda a afirmação dos três Arcebispos que foram chamados a Roma e, no fim, disseram: ‘o Papa Leão XIV acompanha de perto a situação e mostrou-nos que é possível transformar a tragédia num caminho de renovação, conversão e purificação’.

É neste contexto que vivem e trabalham os Espiritanos. Os missionários são jovens, as estruturas frágeis, mas a vontade de anunciar o Evangelho e caminhar com o povo é enorme. Tive a alegria de, mais uma vez, visitar o país com o objetivo único de estar com os missionários e com eles avaliar a missão que ali se desenvolve, bem como lançar os compromissos espiritanos para os próximos anos. O Conselho Ampliado do Grupo, sob a forma de Assembleia Geral, reuniu na Matola, periferias de Maputo, todos os Espiritanos que vivem e trabalham em Moçambique. Digno de nota - uma vez que aponta para um futuro risonho - este Encontro contou, pela primeira vez na história, com um jovem Padre Espiritano nascido e criado em Moçambique: o P. Agostinho João, recentemente ordenado em Nampula e já nomeado para trabalhar na vizinha Zâmbia. Participaram dois Leigos.

O mais velho do Grupo é o P. John Kingston, irlandês, ordenado há 50 anos, na sua terra natal. Iniciou as celebrações jubilares na Irlanda, celebrando depois em Inhazónia (Chimoio, onde trabalha) e ali no Seminário da Matola durante a Assembleia Espiritana. Foi missionário em Angola, durante a guerra civil, tendo marcas no corpo das balas que recebeu durante uma emboscada. Foi formador de futuros espiritanos, na Irlanda e, depois, desempenhou o cargo de Conselheiro Geral, em Roma. Está, atualmente, no Chimoio, sendo o Superior da Missão de Inhazónia, assumida em 1996.

Nestes tempos conturbados que o país e a Igreja vivem, os Missionários do Espírito Santo, além de responsabilidades formativas e paroquiais, acompanham um numeroso grupo de Leigos que querem partilhar a espiritualidade e a missão dos Espiritanos.

Deixei Maputo a 4 de julho e iniciei a visita a Angola. Tive a alegria de celebrar a missa de domingo no Centro da Congeral, pertencente à grande Paróquia de S. Pedro do Prenda, que abrange diversos musseques das periferias da capital. Ali avança a construção de uma enorme Capela em honra de S. Teresinha ...

Luanda ainda tomou conta de mim alguns dias, mas depois rumei ao planalto, passando por Sumbe e Benguela. Desta enorme viagem falarei na próxima crónica ...

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