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Semana Missionária na prelazia do Alto Xingu

Vívian Marler - Assessora  de Comunicação CNBB Regional Norte 2 No período de 26 de junho e 03 de julho, a Área Pastoral São Raimundo Nonato, no Distrito de Taboca, em São Félix do Xing...

Semana Missionária na prelazia do Alto Xingu

Vívian Marler - Assessora  de Comunicação CNBB Regional Norte 2

No período de 26 de junho e 03 de julho, a Área Pastoral São Raimundo Nonato, no Distrito de Taboca, em São Félix do Xingu (PA), tornou-se o núcleo de uma profunda experiência de fé e alteridade. A ‘Semana Missionária’, um dos pilares do programa de prioridades da Prelazia do Alto Xingu, reuniu missionários de diversas paróquias e regiões em um esforço comum de “Igreja em saída” para as periferias geográficas e existenciais da Amazônia.

Localizado em São Félix do Xingu, o Distrito de Taboca carrega as marcas da vastidão amazônica. A escolha da região não é casual, a ‘Semana Missionária’ dedicou sete dias intensos justamente para vencer as grandes distâncias e alcançar famílias que, pela geografia desafiadora, muitas vezes encontram-se distantes dos centros paroquiais. Sob a condução do bispo da Prelazia do Alto Xingu, Dom Frei Jesús María López Mauleón, a missão teve como objetivo central animar, reavivar a fé e buscar os católicos dispersos.

Para além das estatísticas, a Semana Missionária é feita de histórias reais. O padre Itamar de Jesus Rodrigues, coordenador de Pastoral da Prelazia, destaca que este é um momento de reanimação. “Estamos indo de casa em casa, convidando o povo a voltar à vivência da Igreja. Precisamos de missionários porque a messe é grande e os operários são poucos”, afirma o sacerdote, reforçando a importância de dedicar tempo ao Reino de Deus.

A importância deste evento é vivida em duas vias. Para o missionário, a Semana é um tempo de “conversão pastoral”, onde a fraternidade e a convivência com as realidades locais transformam o próprio sentido da vocação. Já para as famílias visitadas, o gesto de abrir a porta para receber a Palavra representa um resgate da dignidade espiritual e a certeza de que a Igreja não as esqueceu. É uma transformação que ocorre no encontro, a família é “resgatada” para a vivência comunitária, e o missionário é renovado pelo testemunho de resistência e fé do povo.

Esse sentimento de doação é compartilhado por Vitalina, missionária da Área Pastoral São João Batista. Para ela, a missão é uma via de mão dupla, evangelização e caridade. “Visitamos uma senhora de 94 anos que ama a Igreja, mas não consegue mais ir. Ficamos tão felizes que decidimos buscá-la para a missa”, relata. Vitalina ressalta que o trabalho missionário serve para “acordar quem está dormindo para a Palavra”, referindo-se aos que perderam o ânimo pela fé.

A juventude marcou presença através de grupos como o “Jovens Unidos pela Fé”. Kathleen, que participa de sua primeira missão, expressa entusiasmo. “Estou gostando muito da experiência e espero que venham muitas outras”. Para os moradores locais, como Patrícia, da Pastoral São Raimundo Nonato, acolher a missão em sua própria casa (Taboca) é uma oportunidade de ouvir histórias e oferecer acolhimento, “é maravilhoso levar a Palavra para famílias que necessitam desse cuidado”, pontua Patrícia em sua segunda experiência missionária.

A missão na Taboca ressoa os ensinamentos dos sucessores de Pedro. O saudoso Papa Francisco, que criou a Prelazia do Alto Xingu em 2019, sempre nos recordou que “a missionariedade não é apenas uma questão de territórios, mas de atravessar os confins da fé”. Sua convocação para uma “Igreja em saída” encontra eco direto no lema desta jornada, “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).

Somando-se a essa herança, o Papa Leão XIV tem destacado a dimensão estética e misericordiosa da evangelização em lugares remotos. Para o atual Pontífice, “conversão, missão e misericórdia são expressões da beleza da Igreja”. Leão XIV reforça que levar a Palavra aos confins do mundo, como as áreas pastorais do Xingu, não é um dever burocrático, mas um ato de amor que revela a face mais terna de Deus em meio às dificuldades da floresta e da distância.

Padre Francinaldo Feitosa, vindo da Diocese de Salgueiro (PE) para colaborar na Prelazia do Alto Xingu há apenas cinco meses, compartilha o impacto de sua primeira experiência missionária na região. Para ele, a Semana Missionária é a resposta necessária para a “gigantesca” realidade geográfica do Pará. “A missão é fundamental porque, em uma área pastoral tão grandiosa onde um único padre enfrenta dificuldades naturais de atendimento, ela se torna a oportunidade real de irmos ao encontro dos corações. Foi emocionante ouvir de famílias que nunca haviam recebido um padre em suas casas. Um paroquiano me disse ‘o pastor evangélico anda sempre aqui, mas um padre nunca tinha entrado na minha casa’. Isso é gratificante e mostra que a missão consegue resgatar e visitar o católico onde ele está”.

Complementando a vivência prática da semana, o sacerdote destaca que os frutos já são visíveis no próprio semblante de quem se doou ao trabalho, “a diferença a gente enxerga no olhar e na expressão do missionário. Ele vai e volta no sol, na poeira, enfrentando o cansaço físico, mas retorna com uma alegria e um entusiasmo contagiantes. Esse vigor e esses novos testemunhos são, por si só, um fruto grandioso do que vivenciamos aqui na Taboca”.

A programação, que incluiu formação teológica, missas de envio e o retorno festivo para a missa de encerramento presidida por Dom Jesus, reforça o tema “É missão de todos nós”. Como recorda o profeta Isaías “Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova” (Is 52, 7).

A Semana Missionária na Prelazia do Alto Xingu reafirmou que, mesmo nos lugares mais distantes e de difícil acesso, o Evangelho continua sendo a força capaz de unir comunidades e transformar realidades.

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