Na noite passada, na região de Kharkiv, o bombardeio de artilharia no povoado de Buhaivka, no distrito de Chuhuiv, matou pelo menos cinco pessoas e destruiu várias casas. Em Sumy, pelo menos 14 pessoas ficaram feridas, incluindo uma menina de 14 anos, após o lançamento de cinco bombas guiadas contra a cidade. Da mesma forma, em Odessa, um ataque russo deixou 14 feridos e vários prédios residenciais danificados. Em Dnipro, a Organização Mundial da Saúde informou que um de seus armazéns foi atingido duas vezes em menos de 24 horas, destruindo suprimentos médicos de emergência no valor aproximado de meio milhão de dólares, mas sem causar vítimas. Esta é a situação na Ucrânia, após mais semanas de intensos ataques e bombardeios russos contra várias regiões de Kiev.
A Ucrânia, no entanto, consegue dar uma resposta, desenvolvendo a capacidade de atingir alvos em território russo. Autoridades do Tartaristão relataram que um ataque com drones em Nizhnekamsk, um importante centro petrolífero e petroquímico a cerca de 1.200 quilômetros a leste da fronteira ucraniana, resultou em pelo menos 13 mortes e dezenas de feridos. Moscou afirma que instalações industriais e civis foram atingidas. A Ucrânia não reivindicou diretamente a responsabilidade pela operação, mas o presidente Volodymyr Zelensky reiterou que os ataques russos serão seguidos por retaliação e que a guerra "será cada vez mais sentida também na Rússia".
O presidente ucraniano também denunciou um maior fortalecimento da cooperação militar entre Moscou e Pyongyang. Segundo Zelensky, foi tomada a decisão de enviar entre 30.000 e 50.000 soldados norte-coreanos para solo russo, também com o objetivo de adquirir experiência em técnicas modernas de combate. Kiev também afirma ter detectado mísseis de fabricação norte-coreana em solo ucraniano.
A inteligência militar ucraniana já havia relatado nos últimos dias o envio de uma unidade de mísseis norte-coreana para o oeste da Rússia, possivelmente equipada com cerca de 120 mísseis balísticos e seis lançadores. Diversos relatos sugerem que Pyongyang já forneceu à Rússia munição, sistemas de artilharia e mísseis balísticos, além de enviar milhares de soldados para a região russa de Kursk.
Também por esta razão que Kiev continua a pedir um reforço urgente do seu sistema de defesa aérea. Segundo a revista The Atlantic, a Raytheon e a Lockheed Martin relutam em conceder a Kiev as licenças necessárias para a produção dos interceptores Patriots, oficialmente devido a preocupações com a propriedade intelectual e a transferência de tecnologia. A Ucrânia, contudo, possui um número limitado de Patriots, um dos poucos sistemas capazes de neutralizar eficazmente os mísseis balísticos utilizados pela Rússia. Zelensky anunciou novas negociações com mediadores de paz, bem como sobre pacotes de defesa aérea, para a próxima semana.
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