O Papa Leão XIV, conectado ao vivo a partir do Vaticano, participou de uma cerimônia pública no Centro Nacional da Constituição, na Filadélfia, nos Estados Unidos, para receber a Medalha da Liberdade. O evento anual na sua edição de número 38 foi realizado justamente a poucos passos do Independence Hall, edifício histórico onde a Declaração de Independência (1776) e a Constituição do país (1787) foram assinadas. De fato, em véspera do dia de 4 de julho, feriado nacional nos EUA que recorda a separação das Treze Colônias do domínio britânico há 250 anos, o Pontífice afirmou:
“Como filho deste grande país, fundado por homens e mulheres corajosos que sonhavam com a liberdade e um mundo melhor para si mesmos e para seus filhos, eu me uno a vocês para implorar as bênçãos de Deus sobre o futuro da América, para que os elevados ideais enunciados no início da Declaração de Independência possam continuar a guiar a prosperidade da nação na unidade, na justiça e na paz.”
Em discurso preparado para a ocasião, o Papa refletiu sobre os princípios que nortearam os fundadores da nação, "de que todos homens e mulheres são criados iguais e dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade". Nestes 250 anos, disse o Papa, "para tantos povos do mundo", os Estados Unidos foram "sinônimo de liberdade", abrindo as portas a imigrantes que com suas famílias contribuiram para moldar o país, mesmo diante de grandes sacrifícios:
"No entanto, como todo americano sabe, o caminho para construir uma sociedade que encarnasse aqueles elevados ideais de liberdade e de justiça para todos não foi sempre fácil e, em muitos aspectos, ainda é um trabalho em andamento. De fato, o esforço para concretizar essa visão deve ser retomado a cada geração e diante de desafios sempre novos. Hoje, olhando para o futuro, este aniversário histórico nos oferece a oportunidade de refletir mais uma vez sobre os princípios fundadores da nação, na esperança de que a América permaneça sempre fiel ao sonho que lhe valeu o título de 'País dos homens livres e morada dos homens corajosos'."
A partir do "fundamento da dignidade humana", por exemplo, "que precede a instituição de qualquer Estado e cuja proteção constitui o seu próprio propósito", o Papa abordou sobre o direito à vida em todas as formas e condições, "pois ninguém que seja privado da vida pode desfrutar da liberdade ou buscar a felicidade":
"É precisamente essa reverência que devemos continuar a cultivar, uma reverência que comova os corações das pessoas e inspire leis que reconheçam e salvaguardem esse dom do momento da concepção até a morte natural. A reverência, além disso, nos ajudará a descobrir que somos guardiões e protetores daqueles que nos são confiados. Nesse sentido, a grandeza moral de uma nação se manifesta, sobretudo, através da sua capacidade de apoiar, proteger e valorizar a vida de todos, especialmente dos mais vulneráveis e daqueles cujo valor é colocado em discussão."
Depois do direito à vida, a liberdade continua se destacando entre os princípios honrados na Declaração da Independência, continuou o Papa, e se baseia "na capacidade do ser humano de conhecer a verdade e de aderir ao que é bom, mesmo que isso custe caro: um sacrifício bem conhecido por muitos daqueles que se empenharam em moldar este país". Esse desejo pela liberdade também continuam inspirando questões fundamentais sobre o sentido da vida e sobre Deus, disse Leão XIV, ao acrescentar:
"As respostas inevitavelmente determinam o rumo que procuramos dar à nossa vida, e a América promove há muito tempo a liberdade religiosa necessária para seguir de forma responsável os ditames da consciência a esse respeito, sem medo nem coerção, conforme previsto na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos."
É essa liberdade, disse o Papa, que formam as convicções e a consciência que orientam as tomadas de decisões das pessoas, garantindo também o direito de praticar e de expressar a própria fé. Leão XIV recordou que os antepassados do país, de diferentes origens, religiões e línguas, foram capazes de encontrar um terreno comum para buscar um futuro melhor. Uma unidade, enalteceu o Pontífice, que deu força ao "sonho comum" de fundar os Estados Unidos da América. Leão XIV espera essa tradição do país que continue dando frutos para "um debate público caracterizado pela moderação, pelo respeito aos pontos de vista alheios e por um esforço constante" de unidade em busca da paz e da reconciliação, tanto no país quanto no exterior.
“Para que uma nação possa prosperar, ela deve estar verdadeiramente unida; unida não apenas por objetivos ligados a empreendimentos momentâneos, mas por ideais que não se desvanecem com o passar do tempo. Que os princípios sobre os quais refletimos hoje — uma dignidade humana compartilhada, a igualdade e os direitos enunciados na Declaração de Independência — sejam sempre uma fonte dessa unidade e um farol de orientação para o momento presente e para os dias que virão.”
"May God bless America! Thank you." Deus abençoe a América! Obrigado.
A Medalha da Liberdade foi criada em 1988 para comemorar o bicentenário da Constituição dos EUA. Concedida anualmente, a medalha é uma homenagem a indivíduos e organizações de coragem e convicção que se esforçam para garantir as bênçãos da liberdade a pessoas em todo o mundo. Uma lista completa de todos os homenageados anteriores está disponível aqui: constitutioncenter.org/liberty-medal/recipients.
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