Duas religiosas da Congregação das Franciscanas do Sagrado Coração de Jesus foram agredidas durante um assalto ocorrido na missão da Paróquia Nossa Senhora da Assunção de Mecuburi, na Arquidiocese de Nampula.
Os indivíduos recolheram telemóveis, computadores e outros bens, incluindo dinheiro que estava sob a responsabilidade da Irmã responsável pelo lar.
O Padre Estêvão Júlio explica que duas Irmãs foram espancadas durante a incursão.
Uma das religiosas sofreu ferimentos na cabeça e lesões graves numa das mãos. O Vigário-Geral afirma ainda que as religiosas e as meninas ficaram traumatizadas com o episódio e que foi necessário prestar-lhes apoio e encorajamento.
O responsável da Arquidiocese de Nampula esclarece, entretanto, que não corresponde à verdade a informação sobre uma suposta violação sexual das religiosas ou das meninas, que circulou nas redes sociais após o assalto.
“Aquilo que passou nas redes sociais não é verdade. As meninas do lar e as Irmãs não sofreram violação sexual”, esclarece o Padre Estêvão Júlio.
O sacerdote manifesta preocupação com a divulgação de informações não confirmadas, defendendo que os factos devem ser investigados antes de serem publicados.
“As informações devem ser investigadas e claras, porque aquilo desfigura também as próprias pessoas que dizem respeito à informação”, sublinha.
Na missão de Mecuburi encontram-se três Irmãs consagradas e cinco formandas. As religiosas desenvolvem, entre outras actividades, um trabalho de apoio a cerca de 42 meninas que frequentam o lar e iniciativas de nutrição destinadas às crianças e famílias da comunidade.
O Vigário-Geral considera que o ataque constitui um golpe à presença missionária da Igreja numa comunidade onde as religiosas desempenham um papel importante na educação, formação e apoio social às famílias.
O Padre Estêvão Júlio levanta ainda a possibilidade de os assaltantes conhecerem a missão, apontando para alguns elementos observados durante a incursão, entre eles o facto de terem desligado o quadro geral de energia e procurado especificamente a Superiora da casa.
A Polícia da República de Moçambique, em Nampula, através do Chefe do Departamento de Relações Públicas, Dércio Samuel, confirmou a ocorrência e informou que estão em curso investigações para esclarecer as circunstâncias do assalto e identificar os responsáveis.
O episódio acontece num momento em que a Igreja em Nampula ainda se encontra traumatizada pelo assassinato de Dom Osório Citora, ocorrido recentemente em Quelimane na Província da Zambézia, centro de Moçambique, aumentando o sentimento de preocupação entre os membros da comunidade católica.
Para a Arquidiocese de Nampula, o desafio passa agora por garantir a segurança das religiosas, das meninas acolhidas no lar e assegurar a continuidade da presença missionária em Mecuburi.
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