Igreja no Mundo

Eleições na Zâmbia: "a oração nunca deve ser politizada"

"Desejamos afirmar, de forma inequívoca e sem ambiguidade, que as Orações pela Paz à luz de velas ocorrerão conforme programado em todas as paróquias da Arquidiocese de Lusaka no d...

Eleições na Zâmbia: "a oração nunca deve ser politizada"

"Desejamos afirmar, de forma inequívoca e sem ambiguidade, que as Orações pela Paz à luz de velas ocorrerão conforme programado em todas as paróquias da Arquidiocese de Lusaka no dia 12 de agosto", declarou um comunicado da Arquidiocese de Lusaka, capital zambiana.

O evento faz parte da Novena da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, programada para ocorrer de 6 a 14 de agosto e celebrada em todas as paróquias da Arquidiocese, com transmissão diária pela Rádio Maria Zambia – Voz Yatsani.

Este ano, a Novena assume um significado especial, pois coincide com as eleições gerais de 13 de agosto. As orações visam invocar a paz, a sabedoria e a proteção de Deus para a Zâmbia durante todo o processo eleitoral.

Em 6 de agosto, Batuke Imenda, secretário-geral do Partido Unido para o Desenvolvimento Nacional (UPND), partido do presidente Hakainde Hichilema, pediu à Igreja que cancelasse o evento, argumentando que velas e lâmpadas são símbolos políticos oficiais de alguns partidos da oposição.

Em sua resposta, a Arquidiocese reitera que as orações à luz de velas têm um significado exclusivamente espiritual e visam invocar a paz de Deus sobre a nação durante todo o processo eleitoral. "As orações não têm conotação política e não devem ser interpretadas ou apresentadas como apoio ou oposição a qualquer partido político, candidato ou grupo de interesse."

A Arquidiocese também enfatiza que "a oração nunca deve ser politizada. A oração não é propriedade de nenhum partido político nem prerrogativa de nenhuma ideologia. Todo zambiano, independentemente de sua filiação política, precisa da paz, sabedoria e proteção de Deus."

A controvérsia levantada pelo partido presidencial é indicativa das tensões que caracterizaram a campanha eleitoral. Em 6 de agosto, o arcebispo Alick Banda de Lusaka condenou veementemente a onda de violência que precedeu as eleições gerais de 13 de agosto, alertando que tais incidentes ameaçam a democracia e a ordem constitucional do país.

"Relatórios de todo o país revelam incidentes perturbadores, incluindo ataques a comboios de campanha, agressões a apoiantes, destruição de propriedade e perda de vidas inocentes", disse o arcebispo Banda. "Confrontos violentos durante comícios, intimidação de cidadãos e ataques direcionados contra candidatos da oposição mancharam o panorama democrático", enfatizou o arcebispo.

As eleições gerais da Zâmbia estão marcadas para esta quinta-feira, 13 de agosto de 2026. Cerca de 8,7 milhões de eleitores inscritos vão às urnas para escolher o presidente, os membros da Assembleia Nacional, prefeitos e conselheiros locais. A disputa central ocorre entre a permanência do atual governo e o desejo de mudança da população diante da crise no custo de vida.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.