O primeiro oratório para crianças foi fundado em Turim em 12 de abril de 1846, domingo de Páscoa. O sacerdote João Bosco realizava, assim, seu sonho: dar um lar permanente aos jovens que ele encontrava nas ruas. O senhor Pinardi, proprietário de terras e de uma fábrica, no então bairro periférico de Valdocco, ofereceu um prado e um galpão ao santo de Turim, que, depois, se transformou em capela.
Desde aquela intuição do século XIX até hoje, o oratório atravessou quase dois séculos, sem perder sua função original: oferecer aos jovens um lugar de encontro, educação e crescimento. Tudo isso, apesar de ter passado por um período de intensos protestos e da afirmação dos valores negativos da secularização, que pareciam atacar a família como também o oratório, mas sem sucesso. Após alguns contratempos, hoje, em uma sociedade individualista e fragmentada, o ambiente do oratório se apresenta como o único capaz de formar consciências, capacitá-las e educá-las com base em um projeto educativo voltado à formação integral da pessoa.
Este foi um dos motivos que levou a dar impulso a um Memorando de entendimento entre o Ministro do Esporte e da Juventude, Andrea Abodi, e o Presidente da Conferência Episcopal Italiana, Cardeal Matteo Maria Zuppi. O protocolo contribui para a promoção da criação e a requalificação de espaços dedicados ao esporte em oratórios, localizados em áreas urbanas, caracterizadas por maior vulnerabilidade social e educacional. Em termos numéricos, o acordo prevê a dotação de 19,5 milhões de euros, durante quatro anos (de 2025 a 2028), para apoiar atividades esportivas e valorizar a obra educativa nos oratórios. Este montante será complementado por mais 50 milhões de euros, por meio de um concurso de propostas, que será publicado no próximo mês, para a criação e requalificação de espaços esportivos nas áreas mais vulneráveis.
"A assinatura deste acordo representa um sinal a mais da nossa preocupação com os jovens, sobretudo, os mais vulneráveis perante as dificuldades", comentou o Presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Cardeal Zuppi, que destacou: "Investir em instalações esportivas nos oratórios, especialmente nas periferias, significa oferecer novas e reais oportunidades de crescimento e contribuir para sarar as feridas das nossas cidades, em linha com o compromisso contínuo das nossas comunidades eclesiais”. E acrescentou: “O acordo consiste também em uma maior colaboração entre a Igreja e as instituições, conforme o princípio da subsidiariedade, e o fortalecimento da rede de oratórios como centros de educação e legalidade. Juntos, poderemos promover espaços de encontros futuros, capazes de gerar esperança e inclusão para as novas gerações”. E concluiu: “Durante os meses de verão, a importância de tais espaços torna-se ainda mais evidente, com o apoio de párocos, educadores, líderes juvenis, associações desportivas, sem esquecer os programas extracurriculares". Os recursos serão utilizados para construir novos parques infantis, modernizar instalações esportivas já existentes e os espaços multiusos para esporte, jogos e atividades recreativas nos oratórios das zonas mais desfavorecidas. Os beneficiários contribuirão com uma quota mínima de cofinanciamento de 15%.
A assinatura deste protocolo reconhece, formalmente, a função social e educativa desempenhada pelas paróquias, através dos oratórios, e reconhece seu direito de acompanhar os serviços sociais, de acordo com o princípio da subsidiariedade. Nas paróquias, estes espaços sempre desempenharam a função, que hoje é delegada a agências ou centros, que atuam para fins sociais e educativos. No entanto, as paróquias nem sempre têm disponibilidade de mão de obra e recursos necessários para enfrentar as dificuldades, desvios e inúmeras adversidades do dia-a-dia das crianças e adolescentes.
Por sua vez, o Ministro do Esporte e da Juventude, Andrea Abodi, afirmou: "Investir em centros juvenis significa investir em crianças, adolescentes e jovens, oferecendo-lhes espaços seguros e gratuitos para crescer, através do esporte, construindo relações e cultivando o sentido de comunidade. Junto com a Conferência Episcopal e a rede de Dioceses, transformamos o valor educativo, social e psicológico do esporte, reconhecido pela nossa Constituição, em oportunidades concretas para o presente e o futuro das novas gerações e para a coesão nos territórios". Enfim, não se trata de um espaço fechado, mas aberto aos problemas da sociedade civil, com uma função educativa específica, que oferece uma alternativa válida ao tédio e ao desinteresse dos jovens e representa um verdadeiro antídoto para os desvios.
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