“Não se esqueçam de Taybeh! Taybeh não pode desaparecer no silêncio.” Este é o alerta, mais uma vez, do pároco, padre Bashar Fawadleh, ao descrever a difícil situação a leste de Ramallah, na Cisjordânia, onde se localiza a última aldeia totalmente cristã da Palestina. Em Taybeh, identificada na Bíblia como Efraim, Jesus e seus apóstolos teriam encontrado refúgio. A comunidade local enfrenta agora as ameaças por parte de colonos israelenses e a ocupação de propriedades privadas, como terras agrícolas e áreas residenciais dentro da aldeia.
No último domingo, o Exército israelense declarou a aldeia fechada a não residentes, impedindo a entrada de israelenses. Esta medida não se aplica aos palestinos, a fim de “proteger os cidadãos da região”, na sequência de “diversos ataques violentos cometidos por israelenses na área”, afirmou um porta-voz das forças armadas.
Em entrevista à mídia vaticana, o padre Fawadleh, sacerdote latino da Paróquia Cristo Redentor, exorta a Comunidade internacional a agir, pedindo o apoio de toda a Igreja por meio da oração.
Outras famílias foram vítimas de fatos semelhantes nos últimos dias?
Muitas famílias estão sofrendo com a presença desses colonos. A oeste, leste e sul de Taybeh, muitas pessoas são vítimas dessa violência. Como sempre, terras sem cultivo estão sendo incendiadas e, mais recentemente, atearam fogo a uma montanha a sudeste de Taybeh. Colonos israelenses vêm causando danos e ocupando terras há vários meses, e a situação está se deteriorando drasticamente. Quase diariamente, testemunhamos incursões e ataques a propriedades privadas, destruição de terras agrícolas, fechamento de estradas, restrições de tráfego e pressão constante sobre a população.
Padre Bashar, os moradores de Taybeh, vivendo em constante medo, apelam urgentemente à Comunidade internacional e às missões diplomáticas para que intervenham e garantam a proteção da população. Eles se sentem esquecidos?
Sim! Sentimo-nos esquecidos, sentimos-nos sozinhos. As possibilidades de intervenção existem, mas infelizmente são muito limitadas e raramente eficazes. É por isso que a presença e a pressão da Comunidade internacional são essenciais hoje. Precisamos de proteção concreta para os civis e de uma verdadeira vontade política para pôr fim a esta violência. Precisamos de ajuda para continuarmos a viver aqui e a dar testemunho de Jesus Cristo e dos seus seguidores. Esta é uma responsabilidade partilhada pela presença cristã aqui em Taybeh. À luz de tudo o que está acontecendo, alguns residentes querem abandonar as suas terras e tudo.
A comunidade cristã teme agora a extinção. Como é que a esperança em Jesus funciona hoje naqueles que, apesar de tudo, escolhem ficar?
Até o momento, não há solução, mas há algo muito especial: a esperança em Jesus Cristo, a esperança na Igreja. Convidamos toda a Igreja a intensificar suas orações por nós e a apoiar o Patriarcado Latino de Jerusalém, bem como toda a Terra Santa. Acreditamos firmemente que a oração opera milagres. Não nos esqueçamos de Taybeh! Convido todas as dioceses da Igreja Católica em todo o mundo a se manifestarem sobre a situação na aldeia, sobre esses irmãos e irmãs em Cristo que vivem com medo. A primeira comunidade cristã desta terra não deve desaparecer no silêncio. Juntos, podemos preservar este testemunho vivo de fé. É preciso dizer que a presença das missões diplomáticas e do cardeal Pierbattista Pizzaballa (Patriarca Latino de Jerusalém, nota do editor) nos tranquiliza e nos dá uma sensação de segurança.
Como as diversas comunidades cristãs — ortodoxas, latinas, melquitas e greco-católicas — estão se organizando hoje para prestar assistência às vítimas? Esses eventos trágicos que vocês estão vivendo fortaleceram de alguma forma a unidade cristã?
Diante dessa situação, a comunidade cristã permanece unida. A Igreja acompanha as famílias, apoia os mais vulneráveis, fortalece a solidariedade entre os moradores e continua defendendo a dignidade de cada pessoa. Também estamos colaborando com as missões diplomáticas, organizações internacionais e a mídia a fim de que a realidade de Taybeh seja conhecida e que nossa voz não seja silenciada. Portanto, por meio de vocês, gostaria de pedir ao Papa Leão XIV que faça algo por esta última aldeia cristã na Cisjordânia, para que cessem os ataques dos colonos e a ocupação de nossa terra. Queremos viver em paz, justiça e dignidade.
Que símbolo Taybeh representa para a comunidade cristã palestina?
Um símbolo vital e fundamental para todos, visto que as celebrações do Ano Santo Extraordinário de 2033 estão sendo preparadas. Taybeh está na linha de frente na defesa do cristianismo aqui na Terra Santa. Jesus escolheu estar em Taybeh antes de sua paixão, morte e ressurreição. Devemos testemunhar o cristianismo e sua presença na Terra Santa. Devemos estar ao lado de de Taybeh.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.