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UNICEF alerta que crianças usam I.A três vezes a mais do que adultos e cobra proteção global

O uso da inteligência artificial entre crianças cresce em ritmo acelerado e já supera, em muitos casos, o dos adultos. É o que revela uma nova análise divulgada pelo UNICEF nesta terça...

UNICEF alerta que crianças usam I.A três vezes a mais do que adultos e cobra proteção global

O uso da inteligência artificial entre crianças cresce em ritmo acelerado e já supera, em muitos casos, o dos adultos. É o que revela uma nova análise divulgada pelo UNICEF nesta terça-feira (30), às vésperas do primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial. O estudo estima que cerca de 20 milhões de crianças, em dez países, já utilizaram ferramentas de IA, fazendo uso da tecnologia em um ritmo mais de três vezes superior ao dos adultos. O UNICEF defende que os direitos da infância sejam prioridade na governança global da tecnologia.

Os dados também mostram que a IA já faz parte da rotina de milhões de crianças para diferentes finalidades. Mais de 2 milhões delas — cerca de uma em cada dez — afirmaram recorrer à inteligência artificial para pedir conselhos sobre questões que as preocupam. Outras 13 milhões disseram utilizar a tecnologia para apoiar os estudos e realizar tarefas escolares.

Ao divulgar o levantamento, o UNICEF ressalta que a rápida expansão da IA acontece sem que as normas de proteção acompanhem a velocidade dessa transformação.

"A inteligência artificial já é uma realidade. Ela faz parte, cada vez mais, do nosso cotidiano e já está moldando a infância em todo o mundo, tanto de forma positiva quanto negativa. Novos dados revelam a dimensão e a velocidade com que crianças de diferentes países estão utilizando essa tecnologia, ao mesmo tempo em que evidenciam os riscos e as desigualdades associados ao seu uso", afirma a organização.

Segundo o UNICEF, embora a inteligência artificial possa ampliar oportunidades de aprendizagem, criatividade e desenvolvimento, ainda são escassas as evidências sobre seus impactos no desenvolvimento cognitivo, na dependência emocional e na exposição a riscos. "Na prática, uma geração inteira está crescendo em meio a um experimento global", alerta a declaração.

A pesquisa revela que as próprias crianças demonstram preocupação com o uso inadequado da tecnologia. Nos dez países analisados, um terço dos entrevistados afirmou temer que a inteligência artificial seja utilizada para aplicar golpes, enganar pessoas ou disseminar desinformação. Além disso, uma em cada quatro crianças disse preocupar-se com a possibilidade de que suas imagens ou vídeos sejam manipulados para criar deepfakes com conteúdo sexualmente explícito. Para o UNICEF, essas preocupações evidenciam a necessidade de fortalecer os mecanismos de proteção infantil.

"As crianças estão cada vez mais expostas aos sistemas de IA, desde a forma como são desenvolvidos, os modelos de negócios que os sustentam e o uso de seus dados pessoais, mas têm muito menos poder para evitar essa exposição ou contestá-la. Elas são as primeiras a sofrer os impactos de uma governança inadequada e serão as que conviverão por mais tempo com suas consequências. Ainda assim, a maioria das políticas de governança da IA não coloca os direitos das crianças como prioridade."

A organização acrescenta que muitos sistemas chegam ao público infantil sem mecanismos adequados de segurança. "Muitos sistemas de IA chegam às crianças sem mecanismos adequados de proteção, indicando que a segurança ainda não é tratada como prioridade." Diante desse cenário, o UNICEF aproveita a realização do primeiro Diálogo Global sobre Governança da Inteligência Artificial para pedir que governos, empresas e organismos internacionais coloquem os direitos das crianças no centro das políticas relacionadas à IA.

Entre as prioridades apontadas pela organização estão o investimento em pesquisas sobre os impactos da tecnologia na infância, o fortalecimento da legislação para combater abusos e exploração sexual facilitados pela inteligência artificial, a criação de sistemas mais seguros e transparentes, a promoção da alfabetização em IA para crianças e famílias e a ampliação da infraestrutura digital para reduzir as desigualdades de acesso.

"O momento é decisivo. As escolhas feitas hoje em relação à inteligência artificial determinarão, nas próximas décadas, a segurança, a privacidade, o bem-estar das crianças e a igualdade de acesso às oportunidades", conclui o UNICEF.

O levantamento foi realizado em Armênia, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Jordânia, México, Montenegro, Macedônia do Norte, Paquistão e Sérvia. Em cada país foram entrevistadas aproximadamente 1.000 crianças entre 12 e 17 anos que utilizam a internet, além de 1.000 pais ou responsáveis, em pesquisas nacionais conduzidas pelo UNICEF em parceria com o instituto IPSOS.

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