A terra volta a tremer violentamente ao longo do Cinturão de Fogo dos Andes, com um forte tremor de magnitude 5,5 que atingiu a região central do Peru. O evento sísmico, registrado pelos instrumentos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) a uma profundidade superficial de apenas 10 quilômetros, pegou a população de surpresa no meio da noite de domingo, causando pânico no departamento de Junín e nas províncias montanhosas. O epicentro foi localizado próximo à cidadezinha de Sicaya, a cerca de 300 quilômetros a leste da capital, Lima. Mas a vizinha cidade de Huancayo também tremeu violentamente. Segundo os especialistas, trata-se do tremor de terra mais significativo registrado nesta parte do planalto central nos últimos cinquenta anos.
As consequências do terremoto se revelaram imediatamente graves para as comunidades rurais da região, onde muitas habitações tradicionais são construídas em quincha (uma antiga técnica local baseada no entrelaçamento de madeira, junco e barro seco). O Instituto Nacional de Defesa Civil confirmou um balanço provisório de pelo menos 6 mortos e mais de 30 feridos, todos concentrados principalmente no distrito de Chongos Bajo. O chefe da agência de emergência, Luis Vásquez, traçou um primeiro panorama da situação: “temos fileiras inteiras de casas destruídas ou gravemente danificadas. Há dezenas de pessoas sob os escombros e as equipes de primeiros socorros estão trabalhando para resgatar os sobreviventes antes que os tremores secundários provoquem novos desabamentos”.
Os danos, ainda difíceis de quantificar, não pouparam as estruturas públicas e históricas: as paredes externas da igreja local e do convento vizinho desabaram parcialmente, enquanto algumas alas do hospital provincial apresentaram profundas rachaduras estruturais. Mais de 300 pessoas evacuadas de suas casas tiveram que passar a noite ao ar livre, encontrando um primeiro abrigo temporário dentro de um estádio esportivo local. Os técnicos da rede elétrica também constataram a ativação dos sistemas automáticos de segurança, que deixaram cerca de 35 mil residências sem luz para evitar incêndios causados por curtos-circuitos. O presidente do Conselho do Peru, Luis Arroyo, anunciou que o governo declarará estado de emergência. A presidente eleita Keiko Fujimori expressou suas condolências às famílias das vítimas, exortando o Executivo a continuar envidando todos os esforços necessários para proteger a população, prestar assistência aos feridos e fornecer apoio imediato às famílias que perderam suas casas ou foram atingidas pelo terremoto. O aeroporto de Jauja, por sua vez, estabeleceu uma ponte aérea para entregar ajuda às vítimas.
Enquanto o Peru inicia a avaliação dos danos, os escritórios vizinhos da defesa civil da Venezuela divulgaram a última e dramática atualização sobre o catastrófico duplo terremoto de magnitude 7,2 e 7,5 que devastou a costa norte do país, no último dia 24 de junho. As estimativas fornecidas pelas agências governamentais, em coordenação com os representantes das Nações Unidas no local, apontam para 5.208 mortos, enquanto, quase um mês após o terremoto, o número de feridos permanece estável em 16.740 e o de desabrigados é de 17.907. As autoridades ainda não divulgaram dados sobre o número de desaparecidos, mas algumas projeções sugerem um número próximo a 10 mil. Até o momento, foram registrados 1.388 tremores secundários, incluindo um de magnitude 3, ocorrido nas primeiras horas de domingo a 9 quilômetros a oeste de La Guaira e a uma profundidade de 3,9 quilômetros, de acordo com o relatório da Fundação Venezuelana de Pesquisa Sismológica. A estação das chuvas, o colapso da rede de abastecimento de água e da rede elétrica tornam a situação ainda mais dramática.
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