O número de mortos do ataque russo contra Kiev e diversas regiões ucranianas subiu para 16. De fato, o ataque na madrugada de 20 de agosto de 2026 foi um dos bombardeios mais brutais do ano. A ofensiva aérea combinou dezenas de mísseis balísticos, de cruzeiro e hipersônicos com um total de 168 drones de ataque. O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, declarou a sexta-feira, 21 de agosto, como dia oficial de luto na cidade.
As forças de Moscou miraram deliberadamente na infraestrutura da capital, afetando pelo menos 12 locais diferentes espalhados pelos distritos de Solomianskyi, Sviatoshynskyi e Darnytskyi.
No distrito de Solomianskyi, a queda de um míssil destruiu completamente os dois últimos andares de um prédio residencial de nove andares, provocando grandes focos de incêndio e a morte de sete pessoas.
Um hospital pediátrico em Kiev sofreu sérios danos materiais, com janelas estilhaçadas e carros incendiados nas proximidades. Uma escola de educação infantil e uma instituição de ensino regular também foram atingidas pelas explosões.
O bombardeio cortou o fornecimento de eletricidade a cerca de 90.000 habitações em Kiev, embora as operadoras tenham conseguido reestabelecer a energia em mais de metade delas poucas horas depois.
O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, afirmou que os ataques de longo alcance atingiram com sucesso instalações industriais destinadas à produção de componentes de drones, depósitos militares e um importante centro logístico de transporte na região periférica de Kiev.
A Força Aérea ucraniana informou ter conseguido interceptar 145 dos 168 drones lançados e grande parte dos mísseis de cruzeiro. No entanto, as defesas aéreas locais não conseguiram abater os mísseis de trajetória balística.
O presidente Volodymyr Zelensky voltou a reforçar o apelo urgente à comunidade internacional por mísseis interceptores para os sistemas estadunidenses Patriot, ressaltando o esgotamento severo dos estoques ucranianos diante da estratégia de atrito imposta por Moscou.
"Infelizmente, enquanto Moscou investe em armas balísticas e em escalada do conflito, o mundo nem sempre responde adequadamente a esses ataques. E enquanto a Ucrânia não tiver um sistema de defesa antimíssil suficiente, a Rússia não considerará seriamente a paz", escreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no Telegram após os últimos ataques russos. "Estamos fazendo tudo o que podemos para garantir nossa proteção, e o programa Freya está em constante evolução. No entanto, os mísseis interceptores para os Patriots ainda não foram substituídos, e precisamos deles todos os dias. Cada míssil adicional salva a vida de nossos cidadãos. Agradeço a todos que compreendem essa situação e estão trabalhando para oferecer sua ajuda", concluiu.
A magnitude da incursão russa gerou um estado de prontidão militar imediato nos países vizinhos pertencentes à OTAN. A Polônia acionou preventivamente forças aéreas e defesas de solo na fronteira. Na Romênia, caças espanhóis em missão da OTAN e um helicóptero romeno foram enviados para patrulhar os céus após radares detectarem fragmentos e alvos aéreos próximos; um drone russo acabou colidindo em uma área desabitada na região romena de Tulcea. A Moldávia confirmou a violação de seu espaço aéreo por projéteis durante a madrugada.
Após a reinstalação do limite de venda de combustível imposto ontem pelo governo russo, motoristas em Moscou estão tendo que esperar várias horas para comprar pequenas quantidades de combustível, criando filas de veículos de até um quilômetro de extensão. A Reuters reporta isso, citando um taxista moscovita anônimo que disse: "Para encontrar combustível, você tem que dirigir de uma parte da cidade para a outra, e mesmo assim precisa esperar de duas a três horas na fila antes de conseguir abastecer."
As Forças Armadas da Ucrânia afirmaram ter atacado a refinaria russa Taneco em Nizhnekamsk, na região do Tartaristão, a cerca de 1.200 quilômetros da fronteira. A refinaria já havia sido alvo de drones ucranianos em 10 de agosto, quando o ataque causou um incêndio. As Forças Armadas da Ucrânia também disseram ter atacado um depósito de combustível na região de Krasnodar.
Diversas cidades da Crimeia ficaram sem energia elétrica durante a noite após uma série de explosões relatadas na região de Sebastopol e perto da usina termelétrica de Simferopol.
A informação foi divulgada pelo movimento partisan ucraniano Atesh. Segundo o grupo, houve relatos de apagões em Sebastopol, Simferopol e Dzhankoy. As autoridades russas na península ainda não forneceram explicações para os apagões nem confirmaram danos à infraestrutura energética. Nos últimos dias, as forças ucranianas reivindicaram a responsabilidade por ataques contra instalações usadas para armazenar, treinar e controlar drones de ataque, bem como contra um posto de comando na Crimeia, nas cidades de Hvardiyske, Novofedorivka e Olenivka. Um ataque anterior com drones também causou apagões em Sebastopol e a implementação de medidas especiais em algumas infraestruturas energéticas.
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