Por algumas horas, elas deixarão seu mosteiro de clausura, no vicolo San Bernardino, em pleno centro de Rimini, e irão até o Templo Malatestiano, a Catedral, onde, juntamente com as irmãs carmelitas de Sogliano, encontrarão Leão XIV. São as clarissas do mosteiro “Natividade de Maria” que, com toda a Igreja diocesana local, aguardam com grande expectativa a chegada do Pontífice à cidade, no sábado, 22 de agosto. “Depois de 44 anos, um Papa voltará a visitar nossa diocese”, destaca a madre vigária, irmã Nella Letizia. “Em 1982, foi São João Paulo II quem veio a esta porção da Igreja, da qual São Gaudêncio de Éfeso foi o primeiro bispo e evangelizador, e, neste mês de agosto, será o Papa Leão XIV quem nos dará o grande presente de vir até nós.”
A dinâmica clarissa, de dentro dos muros do antigo mosteiro, situado a poucos passos das ruas da vida noturna da cidade da Romanha, torna-se intérprete dos sentimentos de admiração e gratidão de toda a diocese: “No ano passado, surgiu a esperança de que o Papa Francisco viesse para recordar o centenário do nascimento do Servo de Deus padre Oreste Benzi, fundador da Comunidade Papa João XXIII, mas sua doença e morte repentina impediram que isso se concretizasse. Acompanhamos o período do conclave com intensa oração, que se estendeu a muitas pessoas por meio da iniciativa ‘Adote um cardeal na oração’, que nos tornou familiares os rostos e as histórias dos cardeais eleitores, incluindo a do cardeal Robert Francis Prevost.”
De fato, a comunidade das clarissas de Rimini tornou-se conhecida, nos dois últimos conclaves, por essa bela, incomum e simpática iniciativa: “Adote um cardeal” foi muito além do círculo de amigos do mosteiro e ultrapassou as fronteiras da cidade e da diocese, estendendo-se, por meio das redes sociais, a todo o mundo. “Quando, em 8 de maio do ano passado, chegou o anúncio de sua eleição como Papa, Leão XIV imediatamente se tornou muito querido por nós, embora, naquela época, não pudéssemos nem remotamente imaginar que, apenas 15 meses depois, viria a Rimini.”
Irmã Nella Letizia brinca com os números: 44, 15, 5. “Três números exemplificam este acontecimento histórico: 44 anos depois da visita de um Pontífice, 15 meses após a eleição do Papa Prevost e por cinco horas: um tempo muito breve, mas intenso. Aliás, para usar uma imagem evangélica, tenho certeza de que, naquele dia, a nós, habitantes de Rimini — e não apenas a nós, visto que, em 22 de agosto, Rimini ainda estará lotada de turistas —, será derramado no colo, com o Sucessor de Pedro, um tempo ‘bom, calcado, sacudido e transbordante’ (cf. Lc 6,38).” “Bom, porque será vivido com um pastor que se revela cada vez mais semelhante ao Pastor Jesus. Calcado, porque o tempo será curto, mas o Papa Leão está demonstrando estar bem ‘treinado’ para lidar com isso. Cheio, porque certamente seremos muitos a participar dos momentos de sua agenda: a participação no Meeting de Comunhão e Libertação; o encontro com os doentes, os pobres e conosco, religiosas de clausura, na Catedral; e, depois, a celebração eucarística no Porto. Transbordante, porque o eventual calor e o cansaço certamente não nos impedirão de viver um tempo de graça, que nos fortalecerá no seguimento de Cristo, tornando-nos mais firmes na fé, na esperança e na caridade. E o desejo é que tudo isso transborde também sobre aqueles que não participarão e sobre aqueles que estão distantes”, assegura a madre vigária.
Para as clarissas de Rimini, esse presente inesperado chega em pleno VIII centenário da morte de São Francisco: “Como franciscana, quero desejar ao Papa Leão que, ao retornar ao Vaticano na noite do dia 22, possa ouvir, na oração, a voz do Seráfico Pai lhe dizendo: ‘Escreve, irmão Papa Leão, que em Rimini houve perfeita alegria!’. Os santos e beatos de Rimini intercederão por ele, juntamente com a nossa oração.”
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