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Retribuição ao Amor de Jesus: a prática da reparação

Diác. Adelino Barcellos Filho - Diocese de Campos/RJ. Nessa ocasião afirmou o Pontífice, "A Igreja é fruto de uma ação de Amor que a precede e provém de Deus, e que, antes de qualq...

Retribuição ao Amor de Jesus: a prática da reparação

Diác. Adelino Barcellos Filho - Diocese de Campos/RJ.

Nessa ocasião afirmou o Pontífice, "A Igreja é fruto de uma ação de Amor que a precede e provém de Deus, e que, antes de qualquer outra coisa, cresce unida, deixando-se Amar por Ele, com coração humilde e agradecido, porque só quem se deixa Amar por Deus pode construir, com os outros, as obras do Amor". Esta é uma das principais características dos Atos de Reparação.

Para compreender a REPARAÇÃO, é essencial recapitular o sentido de SACRIFÍCIO: Na espiritualidade católica, sacrifício não é apenas sofrimento ou renúncia, mas vem do latim sacrum facere: "tornar sagrado" ou "oferecer a Deus". Nossa condição de pecadores não nos autoriza a pecar; devemos buscar uma vida santa além dos tempos e dos Templos.

Diferente do Antigo Testamento, o sacrifício no Novo se cumpre na entrega amorosa de Jesus (Efésios 5, 2), onde o essencial é o Amor, não a dor. O CIC (Catecismo da Igreja Católica) ensina que o Sacrifício de Cristo e a Eucaristia são um só e único (CIC 1367), convidando o fiel a oferecer a própria vida unida a Ele (Romanos 12, 1).

Para Santa Margarida Maria Alacoque, reparar é responder ao "Amor ferido" de Cristo com adoração e conversão, e não "pagar uma dívida". O sacrifício é a oferta de si; logo, o maior sacrifício é amar muito. A reparação une o fiel a Jesus para desagravar ofensas contra Deus e a Igreja.

Segundo São Paulo (Colossenses 1, 24), o cristão participa da Redenção ao completar em sua carne o que falta às tribulações de Cristo, movido pelo Amor Divino, que sensibiliza a alma ante as ofensas à Santíssima Trindade (Deus Uno e Trino).

Desde o Antigo Testamento, profetas como Isaías previram o sacrifício redentor de Cristo pelos nossos pecados. No Novo Testamento, Jesus cumpre essa missão, entregando Sua vida para servir e resgatar a humanidade (Marcos 10, 45). Cristo repara a queda de Adão: enquanto a desobediência do primeiro homem trouxe o pecado e a morte, a Obediência e a Graça de Jesus garantiram a Justificação e a Salvação (Romanos 5, 19).

Lucas registra a dor de Jesus ao chorar sobre Jerusalém, prevendo sua rejeição (Lucas 19, 41). São Paulo complementa destacando a participação dos fiéis na obra redentora, unindo seus sofrimentos ao sacrifício de Cristo pelo Corpo Místico que é a Igreja (Colossenses 1, 24).

Sobre a reparação nos documentos da Igreja, destaca-se que Cristo associa os fiéis ao Seu sacrifício, de forma plena ao sim (“Fiat mihi”) de Sua Mãe, a Virgem Maria. Nossa união com Ele motiva a vida eclesial, pois, como disse Santa Rosa de Lima, a Cruz é a única via para o Céu.

A Encíclica Miserentissimus Redemptor (1928), de Pio XI, é o marco sobre a reparação ao Sagrado Coração. Enfatiza o dever de desagravar a ingratidão humana através de atos como a Hora Santa e a Comunhão reparadora, unindo nossos sofrimentos aos de Cristo pela redenção do mundo.

Curiosidade - Impacto no Brasil: A publicação desta encíclica ocorreu na mesma época da construção do Cristo Redentor no Rio de Janeiro/RJ. Inspirado pelo documento, o Cardeal Sebastião Leme determinou a inclusão de um coração esculpido no peito da estátua, transformando o monumento em uma representação do Sagrado Coração. Nos dias atuais, foi elevado à condição de Santuário do Coração de Jesus.

A Haurietis Aquas (Tirareis Água) (1956) do Papa Pio XII, aprofunda a devoção ao Sagrado Coração e apresenta a reparação como participação no Amor Redentor de Cristo: é uma célebre carta encíclica dedicada exclusivamente ao culto e à devoção do Sagrado Coração de Jesus. Promulgada em 15 de maio de 1956, marcou o centenário da instituição oficial desta festa para toda a Igreja Católica.

Em síntese, esta Encíclica é inspirada em Isaías (12, 3), refere-se às Graças que brotam do Coração de Cristo. O Sagrado Coração simboliza o Amor divino-humano e a obra redentora, superando todo o sentimentalismo possível. Convoca à reparação e contemplação do Amor de Deus. A necessidade de reparação é reafirmada como pilar essencial da vida cristã, na vivência e experiência dos Sacramentos e do uso dos Sacramentais. Reparação pelos pecados, indiferenças e ao mal instaurado em nosso meio, para perder às Almas.

A prática da reparação não possui a finalidade de "restaurar" a Divindade (Una e Trino), mas sim de oferecer uma resposta de Amor ao Amor Divino. Seus objetivos fundamentais compreendem: o consolo ao Sagrado Coração de Jesus Cristo, a intercessão em favor dos pecadores (a partir de mim e de você), a participação ativa na Missão Redentora e a conversão interior. Convertei-nos Senhor e seremos verdadeiramente convertidos.

Sob a perspectiva do Magistério contemporâneo, destacam-se os fundamentos da Reparação na Rede Mundial de Oração do Papa: o "Caminho do Coração", que promove o alinhamento do cristão a Jesus Cristo por meio de ações tangíveis; a “Oferta Diária”(oferecimento) de vida, que busca desagravar o Coração de Jesus diante das ofensas da humanidade; e o “Compromisso Social”, voltado à promoção da Justiça e da Paz.

O engajamento pode ser realizado por meio da plataforma Click To Pray ou pelo Portal da Rede Mundial de Oração do Papa.   No contexto contemporâneo, identificam-se diversas modalidades formais para o exercício da Reparação:

- Pessoal - Adoração Eucarística; Hora Santa; Oferecimento dos sofrimentos; Jejum e penitência; Confissão e Comunhão reparadora frequente;

Comunitária - Adoração Eucarística; Hora Santa; Missas votivas ao Sagrado Coração; Vigílias de oração; Atos públicos de desagravo; Obras de misericórdia; Reparação pela Igreja e pelo Mundo; Pelos pecados contra a vida; Pelas profanações e sacrilégios; Pela perseguição aos cristãos; Pela santificação do clero (Diácono, Padre e Bispo); Pela unidade da Igreja.

Em Barcelona, o Sumo Pontífice Leão XIV exortou a todos os fiéis e pastores a "renovar, em um só coração, o propósito de caminhar conjuntamente, seguindo as pegadas, os vestígios, os rastros de Cristo em direção à plenitude da vida", à eternidade feliz. Desenvolver uma profunda e crescente intimidade com o Senhor.

Desta maneira, a atualidade da Reparação se caracteriza, no unir-se a Cristo pela Salvação mundial (Ele não precisa, mas quer precisar de nós), oferecendo as obras de misericórdia corporais (alimentar, acolher, visitar e sepultar) como reparação pelos pecados. A reparação, pilar da espiritualidade católica e da ‘pedagogia’ de Jesus, fundamenta-se na Tradição, nas Escrituras e no Sagrado Coração, pela Sucessão Apostólica.

Convida o fiel a retribuir o Amor de Cristo, oferecendo a vida pela Glória Divina e Salvação das Almas. "Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração" (Mateus 11,29). Fica a pergunta: Como posso unir preces, dores e obras para reparar pecados e testemunhar o Amor do Sagrado Coração?

"Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam." (1916). (Esta prece integra as virtudes teologais de Jesus Cristo (Fé, Esperança e Caridade), movendo a confiança do fiel à intercessão reparadora pela própria conversão diária e do outro. Lembrando que, a minha e a sua condição de pecador não nos confere o direito de pecar).

“Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pecadores.”  (Esta prece possui dimensões trinitárias e eucarísticas, reconhecendo a presença de Jesus, em nosso meio, nos Sacrários. Ao oferecer Sua Divindade, o fiel se une ao Sacrifício Redentor com caráter reparador contra ultrajes e indiferenças. A súplica foca na conversão dos pecadores, a partir de si mesmo, e na Salvação das Almas). Pertencemos ao Corpo Místico de Cristo (Colossenses 1, 18; Efésios 5, 23 - “Cristo é a Cabeça da Igreja”)

Deus seja louvado sempre! Obrigado Senhor! Obrigado Virgem Maria, pelo Seu “fiat mihi”!