Papa

Foco na História: as grandes civilizações africanas. O Genocídio de Ruanda

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista Em nossas últimas publicações ou gravações temos revisto algumas das páginas mais tristes da história do Continent...

Foco na História: as grandes civilizações africanas. O Genocídio de Ruanda

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

Em nossas últimas publicações ou gravações temos revisto algumas das páginas mais tristes da história do Continente Africano como ditaduras que se estabeleceram em diversões países, massacres, regimes brutais que se instalaram e guerras em diversas partes do continente.

Uma página que não pode ser esquecida e que precisa ensinar às gerações de hoje e de amanhã foi o triste genocídio que aconteceu em Ruanda.

Há muito tempo Ruanda vinha vivendo uma guerra civil que já durava cerca de 04 anos. O sangrento conflito tinha de um lado a etnia hutu, que dirigia o governo do país e do outro lado a etnia tutsi, da Frente Patriótica da Ruanda (RPF). Naquele ano, os hutus deram início a um movimento de extermínio dos rivais, numa das maiores atrocidades já acontecidas na era contemporânea. Durante o conflito, as Forças Armadas de Ruanda (FAR) deram aos civis da etnia hutu armas brancas para que pudessem se defender, mas elas acabaram sendo usadas no genocídio.

O estopim do conflito aconteceu no dia 06 de abril de 1994. O avião que levava o presidente de Ruanda Juvenal Habyarimana e o presidente do Burundi Cyprien Ntaryamira, ambos da etnia hutu foi derrubado enquanto se preparava para pousar no aeroporto de Kigali, capital de Ruanda, provocando a morte de todos os seus ocupantes. Mesmo sendo posteriormente descoberto que o míssil que provocou a queda foi lançado por extremistas hutus, forças tutsis foram culpadas pelo atentado. A morte dos dois líderes hutus é vista como o fato catalisador do massacre.

A etnia hutu deu início ao assassinato em massa dos tutsis e de hutus moderados logo nas primeiras horas depois que o avião foi derrubado. Líderes militares que deviam ser apaziguadores insuflaram a multidão que foi aconselhada a “dar início ao trabalho e não poupar ninguém. Já no dia seguinte a matança se espalhou por várias províncias do país.

Nos meses seguintes, a matança da população tutsi alcançou índices alarmantes. Algumas contagens indicaram depois que cerca de 800 mil ruandeses foram mortos nos primeiros seis meses de genocídio num trabalho sistemático orientado pelos líderes do movimento.

O massacre foi maior, sobretudo, nas áreas urbanas do país e durante o genocídio até mesmo hutus acusados de serem simpatizantes ou simplesmente por parecerem tutsis foram também mortos.

Rádios e jornais locais foram usados para espalhar propaganda, incitar a violência e orientar os assassinos.

A tensão entre as duas etnias que já existia no passado foi intensificada no período de colonização, primeiro pela Alemanha e depois pela Bélgica, que favorecia a minoria tutsi para exercer cargos de poder. Quando o país se tornou independente, a maioria hutu assumiu o controle, gerando perseguições e fugas de tutsis para países vizinhos.

Em resposta ao genocídio, a RPF ligada aos tutsis começou também a planejar seus ataques e, começando pelo norte, avançou até a capital Kigali, cercando a cidade e cortando a linha dos suprimentos que a abasteciam. Desta forma conseguiu o controle de grandes áreas do interior e também os arredores da capital.

No dia 4 de julho, a RPF finalmente retomou a capital Kigali, derrotou as forças governistas ruandesas e encerrou os mais de 100 dias de massacre enquanto o governo hutu fugiu para o vizinho Zaire, atual Congo.

Em Ruanda hoje existem dois feriados públicos para lembrar o genocídio. O ‘Genocide Memorial Day’ celebrado no dia 7 de abril e o ‘Liberation Day’ que acontece no dia 4 de julho e a semana posterior ao dia 7 de abril é considerada luto oficial.

O governo de Ruanda contabiliza o número de 1.174.000 pessoas mortas no genocídio, numa média de 10 mil por dia e apenas cerca de 300 mil tutsis conseguiram sobreviver, mas muitas mulheres são portadoras de HIV, por terem sido violentadas durante o conflito

Hoje o país continua sofrendo as consequências do genocídio. Milhões de pessoas da etnia hutu se refugiaram nos países vizinhos temendo a retaliação tutsi. Além dos enormes campos de refugiados, no período subsequente a situação levou a duas guerras contra o Congo e a morte de milhões de outras pessoas.

A comunidade internacional foi muito criticada por não ter feito os esforços suficientes para evitar o que estava acontecendo em Ruanda.

Em novembro de 1994, o Conselho de Segurança da ONU instituiu o Tribunal Criminal Internacional por Ruanda (ICTR, na sigla em inglês) para julgar os líderes do genocídio, como também houve julgamentos locais no próprio país.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.