"Esta semana, 13 regiões ucranianas foram atacadas com mais de 1.550 drones, quase 1.560 bombas aéreas guiadas e 62 mísseis, em sua maioria mísseis balísticos, visando cidades e comunidades ucranianas. Onde quer que os russos consigam atingir com seus mísseis balísticos, eles atingem a infraestrutura civil", afirmou recentemente o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ao comentar a mais recente ofensiva russa.
As consequências para a população ucraniana continuam extremamente graves. O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, alertou sobre as baixas civis: "O último relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos deveria atrair a atenção do mundo inteiro. Somente em julho, a Rússia matou pelo menos 437 civis e feriu 2.610 em toda a Ucrânia, o maior número mensal desde maio de 2022", disse ele, revelando um dos dados mais recentes e dramáticos sobre o conflito: 183 crianças foram mortas ou feridas na Ucrânia devido à guerra russa somente em julho. O número, divulgado pela Save the Children com base no último relatório do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, é o mais alto registrado desde abril de 2022, apenas dois meses após o início da invasão em grande escala da Rússia.
A guerra em terra comprova isso. Kiev, Sumy, Zaporizhzhya e Kryvyi Rih estão entre as áreas atingidas por ataques russos nas últimas horas. A última onda de ataques resultou em pelo menos oito mortes e 39 feridos em várias regiões do país. Em Kryvyi Rih, cidade natal de Zelensky, drones e mísseis atingiram a grande siderúrgica ArcelorMittal: dois trabalhadores morreram e pelo menos 14 ficaram feridos, enquanto a empresa suspendeu parte de suas operações. Em Kiev, um ataque com drone causou um incêndio no popular mercado de livros perto da estação de metrô Pochaina. A região de Odessa também foi atacada novamente durante a noite. De acordo com o chefe da administração militar regional, Oleh Kiper, a infraestrutura portuária foi atingida e um navio civil com bandeira togolesa foi danificado. Quatro pessoas ficaram feridas, três das quais foram hospitalizadas e uma está em estado grave.
Kiev respondeu à ofensiva russa com uma das maiores campanhas de ataques realizadas até o momento em solo russo: lançou nas últimas 24 horas 1.478 drones e pelo menos nove mísseis de cruzeiro, informou a mídia estatal russa, conforme noticiado pela Sky News. Moscou afirma ter abatido 822 drones ucranianos na noite de sábado para domingo e outros 205 na noite seguinte, sobre diversas regiões da Federação Russa, o Mar Negro e o Mar de Azov. Os ataques também atingiram a região da capital: segundo o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, cerca de 600 drones foram detectados se dirigindo para a cidade. Kiev concentrou parte de seus ataques na rede logística e na indústria militar da Rússia.
Em Podolsk, perto de Moscou, um grande centro da gigante do comércio eletrônico Wildberries foi atingido, enquanto o Estado-Maior ucraniano reivindicou a responsabilidade por um ataque à fábrica de Kamensk, na região de Rostov, que, segundo as autoridades ucranianas, produz propelente sólido para lançadores de foguetes e sistemas de mísseis. Os ataques ucranianos também causaram vítimas civis. Cinco pessoas foram mortas em uma área residencial na região de Rostov. Outras vítimas foram relatadas nas regiões de Belgorod, Kursk e Moscou, bem como em territórios ucranianos controlados pela Rússia. Esta manhã, as autoridades russas também relataram seis mortes na aldeia de Koloskovo, na região de Belgorod, que foi atingida por um ataque de mísseis ucranianos. Outras quatro pessoas ficaram feridas, incluindo um menino de 14 anos.
A intensificação dos ataques de longo alcance também está tendo consequências além das fronteiras dos dois países. No domingo, um F-18 espanhol, em patrulha da OTAN, abateu um drone que entrou no espaço aéreo romeno. Bucareste ainda não determinou oficialmente sua origem, enquanto a OTAN afirma que a aeronave "parece ser russa". No âmbito político, a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, anunciou sua intenção de propor novas medidas neste outono que aumentariam em um terço o número de entidades russas sujeitas a sanções europeias.
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