Duas figuras de destaque da Igreja Católica no Brasil foram reconhecidas pelo serviço à sociedade. O cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), e dom José Reginaldo Andrietta, bispo de Jales, membro da Comissão Sociotransformadora da CNBB e coordenador da Rede do Trabalho Organizado (RETO) do Celam, receberam a Ordem do Mérito do Trabalho em 12 de agosto. Ambos fazem parte da iniciativa “Construindo pontes”, promovida pela Pontifícia Comissão para a América Latina (PCAL) em conjunto com o Celam e a Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB), participando ativamente do processo “Fratelli tutti: diálogo socioambiental”.
A cerimônia foi realizada na sede do Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, onde foram homenageadas personalidades e instituições que se destacaram por sua trajetória e pelos serviços prestados à sociedade e à Justiça do Trabalho. Para o cardeal Spengler, a distinção adquire um significado que transcende o reconhecimento pessoal. O presidente da CNBB destacou que a homenagem também se estende à Conferência Episcopal e ao trabalho que a Igreja desenvolve junto às comunidades. “O que se destaca, em primeiro lugar, é a Conferência dos Bispos do Brasil e o que ela representa no contexto nacional”, afirmou.
O cardeal disse ainda que a Igreja constitui uma “reserva ética da sociedade” e considerou que a condecoração reconhece o serviço que ela presta em favor das comunidades. Sua interpretação situa o reconhecimento em uma dimensão mais ampla: a presença da Igreja nas realidades sociais e sua contribuição para a construção de uma sociedade atenta à dignidade das pessoas.
A distinção também reconheceu a trajetória de dom Reginaldo Andrietta, que recebeu a condecoração com humildade e gratidão. O bispo de Jales destacou especialmente o trabalho que o Tribunal Superior do Trabalho realiza em prol da Justiça do Trabalho.
Durante a cerimônia, Dom Andrietta destacou ainda a presença de uma representação do Papa Leão XIII na sede do tribunal. Para o bispo, essa imagem tem um significado particular por sua ligação com a encíclica Rerum Novarum, publicada em 1891. O documento do Papa Leão XIII é considerado um texto fundamental no desenvolvimento da Doutrina Social da Igreja e abordou as condições dos trabalhadores no contexto da revolução industrial. Dom Andrietta enfatizou precisamente a marca que ele deixou na elaboração de normas destinadas a proteger os direitos trabalhistas. “A partir da Rerum Novarum, construiu-se toda a estrutura jurídica de proteção aos trabalhadores no mundo”, destacou.
A Ordem do Mérito do Trabalho é concedida desde a década de 1970 a pessoas e instituições que se destacam pelo exercício das atividades ou por serviços relevantes prestados à sociedade e à Justiça do Trabalho. Nesta edição, também foram reconhecidas a Fundação Biblioteca Nacional, instituição dedicada à preservação e divulgação da produção intelectual brasileira, e o Instituto Adimax, organização sem fins lucrativos voltada para a inclusão social e o bem-estar animal. Além disso, outras 45 personalidades foram selecionadas para receber a distinção ou serem promovidas dentro da Ordem. Entre elas, estão o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O reconhecimento compartilhado pelo cardeal Spengler e por dom Andrietta destaca duas dimensões do serviço da Igreja brasileira: a presença institucional da CNBB na sociedade e o trabalho pastoral e de transformação social que acompanha de perto as realidades daqueles que buscam condições mais justas e dignas para viver e trabalhar.
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