Lampedusa se prepara para receber o Papa Leão XIV que no próximo dia 4 de julho visitará a ilha, símbolo do acolhimento no Mediterrâneo. Um encontro de grande valor espiritual e humano que, segundo o prefeito Filippo Mannino, representa a continuidade da mensagem transmitida pelo Papa Francisco durante a histórica visita de 2013. Para o prefeito, entrevistado pela mídia do Vaticano, Lampedusa continua sendo “uma fortaleza de humanidade”. Da Porta da Europa, voltada para a África, a ilha continua a lembrar tanto aqueles que conseguiram chegar em segurança ao continente quanto as milhares de pessoas que perderam a vida na tentativa de atravessar o Mediterrâneo em busca de um futuro melhor.
Mannino destaca que a experiência de Lampedusa ensinou que, diante de quem chega pedindo ajuda, a prioridade é o socorro. “Quando uma pessoa estende a mão para você, primeiro você a ajuda, depois vem todo o resto”, afirma, reiterando que o fenômeno migratório assume um significado diferente em relação aos debates políticos travados longe da ilha. O prefeito destaca também a mudança ocorrida nos últimos anos na gestão dos desembarques. Se, no passado, Lampedusa vivia em uma situação de emergência permanente, hoje a organização, graças também à presença da Cruz Vermelha, permite uma gestão mais estruturada e digna do acolhimento. No entanto, momentos excepcionais permanecem gravados na memória, como o dia 12 de setembro de 2023, quando cerca de 10 mil migrantes chegaram à ilha em um único dia, quase o dobro da população residente. Naquela ocasião, lembra Mannino, a solidariedade da comunidade local foi determinante, pois ela se mobilizou para distribuir alimentos, arrecadar brinquedos para as crianças e oferecer assistência aos recém-chegados.
Mannino relembra com emoção as vítimas das travessias. Nos cemitérios da ilha estão enterradas mais de 300 pessoas e, justamente por isso, foi necessário criar um novo espaço destinado a sepultamentos. “Quando você vê pais enfrentando o mar com crianças pequenas, entende que eles não tinham alternativa”, observa o prefeito, explicando como é impossível ficar indiferente diante dessas tragédias.
O prefeito também reconhece as dificuldades que a ilha enfrentou ao longo dos anos, incluindo as repercussões no turismo devido à imagem frequentemente veiculada pela mídia. No entanto, ele reitera que quem chega a Lampedusa é, antes de tudo, uma pessoa em busca de salvação e lembra o papel desempenhado pelos pescadores da ilha, protagonistas de inúmeros resgates no mar, mesmo arriscando a própria vida.
Ao refletir sobre a visita do Pontífice, o prefeito vê na chegada de Leão XIV a vontade de dar continuidade ao caminho iniciado pelo Papa Francisco, cuja frase “a vocês, habitantes de Lampedusa, agradeço pela solidariedade” permanecerá “gravada nesta terra”. Mannino relembra a carta enviada a Leão após a enésima tragédia no mar, na qual ele pedia: “ajudem-nos a ajudar”. Para a visita de 4 de julho, conclui ele, espera-se sobretudo uma bênção para aqueles que chegam à ilha com a esperança de se salvar e para a comunidade de Lampedusa, chamada todos os dias a enfrentar o fardo humano e moral de uma das fronteiras mais delicadas da Europa.
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