Até o último momento, Elisabet Argemí não sabia se teria a oportunidade de conversar com o Papa Leão XIV. Nesta terça-feira, 18 de agosto, em Castel Gandolfo, enquanto o Pontífice deixava o Palácio Apostólico para retornar ao Vaticano, o encontro aconteceu inesperadamente: o carro do Papa parou, Leão XIV abaixou a janela e falou com a espanhola com palavras que ela ainda lembra com emoção: “fala, fala”. Argemí, enfermeira do Hospital Clínic ICOF de Barcelona, aproveitou aqueles breves momentos para entregar ao Pontífice um exemplar de “Aprender a morrer para viver”, o livro que reúne o testemunho do seu irmão, Xavier Argemí, portador de distrofia muscular, que faleceu no ano passado aos 29 anos.
“Era um irmão que amava muito a vida”, explicou ela. Xavier costumava dizer que se sentia amado e que também amava muito os outros. Para ele, esse amor dava sentido à sua existência. A doença marcou a sua vida, mas não diminuiu o seu significado. Segundo a irmã, Xavier conseguiu acompanhar e ajudar muitas pessoas. Após sua morte, muitas delas compareceram ao funeral. “Foi uma vida muito santa”, afirmou Elisabet.
A conversa com Leão XIV durou apenas alguns instantes, mas ficou gravada no coração de Elisabet Argemí. O Papa pegou o livro, que trazia uma dedicatória, e a ouviu: “ele me olhou com atenção, com carinho, como um pai olha para uma filha”. Argemí gostaria de ter entregue o livro ao Pontífice em Barcelona, mas, no fim das contas, não conseguiu. O encontro em Castel Gandolfo permitiu que ela realizasse esse desejo, que tem um significado especial: levar ao Papa o testemunho de um jovem cuja vida foi marcada pela doença, mas também por uma simples convicção de que o valor da existência não depende das condições em que se vive, mas da capacidade de amar e ser amado.
Elisabet Argemí também relembrou sua experiência durante a viagem apostólica do Papa à Espanha em junho. Ela acompanhou de perto os diversos eventos, participou da Vigília em Montjuïc e, naqueles dias, estava nas ruas de Barcelona. Para ela, uma das mensagens centrais daquela viagem, sob o tema “Levantem o olhar”, pode ser um ponto de partida para dar continuidade ao legado de Xavier. Um olhar alimentado pela relação que seu irmão tinha com Jesus, “nosso amigo e nosso amor”, e que é um ensinamento para todos. A oração, os sacramentos e o Evangelho são, para Elisabet, parte integrante do seu dia a dia, assim como acompanhar o Papa por meio das audiências, dos escritos e palavras. Entre os desafios do mundo atual, Argemí acredita que o testemunho do seu irmão guarda exatamente esse convite: olhar além da doença e das dificuldades para descobrir o que pode dar sentido a uma vida. Elisabet decidiu continuar compartilhando a história de Xavier, um testemunho que chegou até mesmo às mãos do Papa Leão XIV.
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