Em São Bento, a invocação do Papa pela paz no mundo. É o gesto de Leão XIV feito durante uma visita privada à comunidade monástica e à Abadia de Montecassino, na província de Frosinone, na manhã desta segunda-feira (20/07). Lá, contemplando a beleza de uma natureza extraordinária, a mais de 500 metros de altitude, o Pontífice fez uma pausa em oração junto ao túmulo do co-padroeiro da Europa. Ao fundador da Ordem dos Beneditinos, o Papa confiou, conforme divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, “a súplica pela paz nas regiões do mundo marcadas pelo sangue e pelo conflito”.
“Foi um presente absolutamente inesperado", comenta o abade, Pe. Luca Fallica, aos meios de comunicação do Vaticano logo após o evento, "pois a visita era estritamente privada e, portanto, nos foi pedido o máximo de discrição. De fato, ela só nos foi confirmada no dia anterior, pelo que pude avisar a comunidade apenas algumas horas antes da chegada do Santo Padre. Assim, tudo se desenrolou com grande simplicidade e familiaridade”. No maior mosteiro do mundo em tamanho e o segundo mais antigo da Itália, depois do de Santa Escolástica e de Subiaco, o Papa, segundo relata o padre abade, também teve a oportunidade de cumprimentar, nessa ocasião especial, hóspedes e turistas. Leão rezou junto com a comunidade de monges, visitou o Arquivo e a Biblioteca, e almoçou com a comunidade antes de partir para Castel Gandolfo. “Acredito que o Papa tenha ficado contente por poder visitar este lugar onde esteve sozinho há muitos anos, quando, segundo me contou, ainda era estudante em Roma”, disse Pe. Luca.
Hoje, mais do que nunca, ressoa aquele versículo do Salmo 33 (34) “Procura a paz e vai ao seu encalço”, citado por São Bento — cuja memória litúrgica foi celebrada em 11 de julho — no Prólogo da sua Regra. Essa confiança do Papa a São Bento, esclarece o abade, ocorreu no mesmo local onde, em 1964, São Paulo VI havia rezado quando se deslocou até lá para reconsagrar a catedral após a destruição causada pela guerra. Foi nessa ocasião que Montini proclamou São Bento patrono principal da Europa, definindo-o como “Pacis Nuntius”, ou seja, testemunha e anunciador da paz. “Assim como Paulo VI naquela época, e como fizeram também os pontífices subsequentes, tanto João Paulo II quanto Bento XVI, o Papa Leão também subiu a Montecassino como peregrino da paz”. E pôde ainda acender a lâmpada que o próprio Paulo VI havia trazido em 1964, a lâmpada da paz.
O compromisso de rezar pela paz é diário para esses monges, por meio da intercessão do seu fundador. Ainda mais neste momento, no início do triênio de preparação para o ano jubilar de 2029, quando serão comemorados os 1.500 anos do nascimento, segundo a tradição, de Montecassino. Como lembra Pe. Fallica, de fato, São Bento chegou aqui vindo de Subiaco em 529, e o aniversário já está marcado, desde agora, por reflexões sobre o tema da paz, precisamente, ao qual se seguirão os temas da luz e da esperança. “No grande portão de entrada da nossa Abadia há justamente a grande inscrição PAX, e eu sempre digo que essa inscrição, por um lado, acolhe a paz naqueles que sobem a Montecassino, mas também se torna uma mensagem que transmitimos a todos aqueles que vêm aqui e depois partem. Não se trata apenas de receber a mensagem da paz, mas de nos tornarmos testemunhas dela, anunciadores ali onde vivemos”. E há exatamente dez dias, quem foi aqui agraciado com o Prêmio Pacis Nuntius, instituído em vista do jubileu, foi o cardeal Pierbattista Pizzaballa, Patriarca de Jerusalém dos Latinos.
Rezar pela paz em um lugar como este significa relembrar as feridas causadas pelos bombardeios da Segunda Guerra Mundial. Em suma, para Montecassino, é uma vocação peculiar ser um sinal de paz justamente por causa da história que viveu: foram os homens da paz que reconstruíram estas muralhas, como disse aqui o Papa Montini. “ Conhecendo os horrores da guerra, compreendemos com ainda maior compaixão e misericórdia — insiste o padre abade da comunidade — o sofrimento de todos aqueles que vivem hoje sob a ameaça, no aperto da guerra e dos conflitos. E, portanto, com ainda mais razão, há não apenas nossa oração, mas justamente o compromisso com a paz que procuramos viver, antes de tudo, em comunidade, para irradiá-la por meio de nosso testemunho e de nossa oração” .
“Sentimo-nos confirmados e encorajados tanto em nosso compromisso monástico quanto em nosso compromisso eclesial mais amplo”, conclui Fallica. O dom de algumas horas compartilhadas com o Sucessor de Pedro traduz-se agora em uma missão “que possa dar frutos para o bem da Igreja e para o bem de toda a humanidade”.
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