Os primeiros sinais surgiram no ano passado, quando o presidente Daniel Ortega decidiu promover uma série de reformas constitucionais que, entre outras medidas, previam a nomeação da esposa, Rosario Murillo, como “copresidente” e a ampliação do mandato presidencial para seis anos. Agora, veio a confirmação da intenção de consolidar definitivamente o seu poder com o anúncio feito no último domingo (19/07), durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Sandinista de 1979, de que não haverá mais eleições que permitam aos seus adversários tentar conquistar o governo.
A iniciativa do presidente octogenário, que exerce o poder de forma ininterrupta desde 2007, após um primeiro mandato presidencial na década de 1980, encerraria definitivamente qualquer espaço para a oposição, embora Ortega não tenha detalhado de que forma o processo eleitoral será formalmente abolido. A declaração foi feita tendo em vista as próximas eleições, originalmente previstas para novembro de 2027.
Segundo dados do Mechanism for Recognition of Political Prisoners, organização que atua em grande parte a partir do exílio e documenta os casos de detenções por motivos políticos na Nicarágua, pelo menos 46 pessoas continuam atualmente presas por razões políticas. Ainda assim, após a operação conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, que em janeiro levou à captura de Nicolás Maduro, o governo nicaraguense havia anunciado que libertaria outros dissidentes.
Desde 2018, a Nicarágua fechou mais de 5 mil organizações, em sua maioria de caráter religioso, obrigando milhares de pessoas a deixar o país. No início de julho, o governo Ortega-Murillo também revogou a licença profissional de um grande número de advogados, em uma medida que especialistas das Nações Unidas classificaram como uma verdadeira expurgação da profissão jurídica.
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