O Papa Leão XIV, em uma das audiências da manhã desta segunda-feira (15/06), recebeu uma delegação de 35 pessoas da Federação de Nova York da UJA (United Jewish Appeal), a maior organização filantrópica local do mundo que arrecada e distribui fundos para cuidar dos judeus em nível mundial e também dos mais necessitados de todas as origens em nível local. Na prática, como comentou o próprio Pontífice em discurso, presta "ajuda humanitária essencial e serviços sociais às populações vulneráveis – por exemplo, aos que vivem na pobreza, aos refugiados, aos idosos e às pessoas com deficiência – em Nova York, no Estado de Israel e em mais de 70 países". Por ano, segundo dados do site oficial da organização, são atendidas mais de 5 milhões de pessoas.
Esses esforços, continuou o Papa, "refletem um claro reconhecimento da dignidade humana e da fraternidade, em sintonia com o compromisso da Igreja em favor do desenvolvimento humano integral e com o chamado a amar o próximo". De fato, há 66 anos, recordou o Pontífice, uma delegação da organização foi recebida pelo Papa João XXIII que confirmou "humanidade e descendência comuns", para posteriormente ser redigido um tratado que descrevia uma nova relação entre a Igreja Católica e o judaísmo:
"Aquele tratado foi o alicerce do que se tornou 'o coração e o núcleo gerador' de Nostra aetate, a Declaração do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs. Aquele documento histórico, cujo sexagésimo aniversário a Igreja celebrou no ano passado, 'abriu um novo horizonte de encontro, respeito e hospitalidade espiritual'. Afirmava, entre outras coisas, a verdade de que pertencemos a uma única família humana."
Dessa forma, continuou o Papa em discurso, foi plantada uma semente de esperança que “cresceu e se tornou uma árvore majestosa, oferecendo refúgio e produzindo frutos abundantes de compreensão mútua, amizade, cooperação e paz”:
"Reconhecendo a dignidade inerente de todos os homens e de todas as mulheres, a Nostra aetate assumia uma posição firme contra o antissemitismo e declarava que a Igreja reprova toda forma de discriminação ou de perseguição perpetrada por motivos de raça, cor, condição social e religião. Em um mundo ainda marcado pela divisão e pelo conflito, ela nos convidava a superar os mal-entendidos do passado em direção à colaboração pelo bem comum."
Esse mesmo espírito de solidariedade da Igreja para responder ao crescente antissemitismo atual, também encontra na organização UJA - Federação de Nova York a preocupação comum em ajudar quem se encontra em situação de necessidade. De fato, a missão dos colaboradores é encontrar soluções coordenadas e de longo pranzo com os parceiros para cuidar das pessoas vulneráveis, como vem fazendo há mais de 100 anos, já que a organização foi fundada em 1917. "O serviço aos pobres, aos marginalizados e aos indefesos", observou o Papa, "é uma forma de encontrar o sagrado; através deles, a voz divina continua a nos falar", através de "um caminho que abre os corações e renova a sociedade":
"Queridos amigos, aprecio a dedicação de vocês com que assistem os pobres e os necessitados, combatem o ódio e a intolerância e trabalham para construir um mundo melhor para todos. Que a missão de vocês possa fortalecer o diálogo, aprofundar a compreensão mútua e contribuir para a paz de que tanto se necessita em nosso mundo."
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