Roma

O incrível padre Roberto Landell de Moura

O jesuíta brasileiro Pe. Roberto Landell de Moura  (1861–1928) realizou a primeira transmissão pública de voz humana sem fio da história (radiotelefonia) em 16 de julho de 1899, em São...

O incrível padre Roberto Landell de Moura

O jesuíta brasileiro Pe. Roberto Landell de Moura  (1861–1928) realizou a primeira transmissão pública de voz humana sem fio da história (radiotelefonia) em 16 de julho de 1899, em São Paulo, conectando o Colégio Santana à Ponte Grande. O sacerdote gaúcho, no entanto, não recebeu em vida o reconhecimento internacional que acabou sendo atribuído principalmente ao italiano Guglielmo Marconi, que em 2 de junho de 1896 realizou a primeira transmissão sem fio através do Canal da Mancha usando o sistema prático de telegrafia sem fios (TSF),

Entre as razões para a falta de reconhecimento à Landell de Moura estão a falta de apoio financeiro e institucional no Brasil, o isolamento científico do país e a incompreensão — chegando à ridicularização e à destruição de seus aparelhos — diante de suas experiências. Ainda assim, suas experiências e patentes fazem dele um pioneiro fundamental da radiocomunicação, cujo reconhecimento histórico chegou apenas muito tempo depois.

Dando sequência à sua reflexão "A Igreja, o progresso e a modernidade", Pe. Gerson Schmidt* nos propõe hoje "O incrível Pe. Roberto Landell de Moura":

"O sacerdote Jesuita Roberto Landell de Moura(1861-1928) é o verdadeiro inventor do Rádio, embora não reconhecido como tal, mas considerado o pioneiro da transmissão de voz sem fio e um dos precursores do rádio e da fibra óptica. Anos antes de Guglielmo Marconi, como sacerdote e inventor nascido em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do sul, realizou a primeira transmissão pública da voz humana sem o uso de fios no Brasil, em 1899. Nesse último 30 de junho, recordamos os 98 anos da morte do Padre Roberto Landell de Moura sacerdote gaúcho que marcou a história não apenas pela dedicação à Igreja, mas também por sua contribuição pioneira à ciência e às telecomunicações. Foi o verdadeiro inventor do Rádio e do mundo das telecomunicações, não reconhecido, não apoiado pelo governo brasileiro na época de seus inventos. Por falta de apoio na época do governo brasileiro, deixou de ser batizado como o verdadeiro inventor da Radiodifusão. Natural de Porto Alegre, Landell de Moura faleceu em sua cidade natal em 30 de junho de 1928, aos 67 anos. Hoje, seus restos mortais estão colocados na Igreja do Rosário de Porto Alegre, paróquia onde atuou como sacerdote pouco antes de morrer. Há poucos anos, o túmulo do pioneiro das telecomunicações estava depositado no cemitério dos padres, no Bairro Glória, da capital gaúcha, tendo sido um tanto escondido e afastado da verdadeira história desse gênio. O deslocamento dos restos mortais de sua sepultura, localizada anteriormente na periferia da cidade, o colocam num local de destaque, numa Igreja de muita peregrinação, santuário do Sacramento da Reconciliação, locam onde acorrem muitos penitentes.

Em reportagem de 30 de julho de 1995, feita por​LÚCIA PIRES, o Jornal Gaúcho Zero Hora, descreve assim algumas dessas importantes informações: “Se existem controvérsias sobre datas, descobertas e inventos do padre e cientista porto-alegrense Roberto Landell de Moura, há pelo menos um ponto indiscutível em sua vida. Assim como Santos Dumont, ele foi um profissional desvalorizado em seu próprio país. Pelo menos enquanto viveu. Hoje, dia em que se celebra os 70 anos de sua morte – atualmente 98 anos, o padre será lembrado como o homem que, pela primeira vez, transmitiu o som da voz humana à distância sem fios e como o precursor das telecomunicações”.

​A reportagem da Jornalista (PUCRS), com pós-graduação pela ESPM, em gestão e novas mídias, Lucia Pires, ainda reporta assim: “o ineditismo do feito de Landell de Moura não foi suficiente para garantir ao padre uma vida de glórias. Foi um outro cientista, o italiano Guglielmo Marconi, quem colheu os louros da invenção do rádio. Mesmo depois de transmitir, do centro de São Paulo, mensagens faladas por ondas luminosas e eletromagnéticas (princípio do rádio) e dos dessa e de outras descobertas, o padre gaúcho morreu no anonimato, aos 67 anos, em Porto Alegre”.

​Padre Landell de Moura conseguiu na época fazer registros dos inventos nos Estados Unidos, tendo as principais patentes dos seguintes inventos: Transmissor de ondas (precursor do Rádio) para a transmissão de mensagens, era utilizada a luz(principio do laser e fibras óticas); Telefone sem fio; Lâmpada de Três Eletrodos(peça fundamental no desenvolvimento da radiodifusão); Telégrafo sem fio e Intercomunicador.

Em uma entrevista que concedeu ao jornal Última Hora, em 1924, Landell disse que sempre trabalhou para o bem da humanidade, tentando provar que a religião não é incompatível com a ciência. Padre Landell deixou muitos cadernos manuscritos – cerca de 40 foram localizados. De suas anotações, segundo Hamilton Almeida – um de seus principais biógrafos –, é nítida a aptidão revelada pelo padre na área das ciências físicas, químicas e biológicas e também para a filosofia, psicologia, parapsicologia e medicina. ​Em 1967, foi fundada em Porto Alegre, a Fundação Padre Landell de Moura (Feplan). Atualmente, a entidade é administrada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A Feplan é uma organização de caráter filantrópico, com a finalidade de utilizar a imagem e o som para promover a educação.

Em um Livro Antigo da Editora Globo – Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, publicado no ano de 1960, de autoria de Ernani Fornari, sob o Título “O incrível Pe. Landell de Moura – História Triste de um Inventor Brasileiro”, lemos assim no seu prefácio: “Se é bem verdade que, de início, não foram pequenas as nossas decepções diante da indiferença, da incompreensão e, mesmo, da descrença de alguns cientistas e técnicos ilustres em relação às descobertas e invenções daquele clérigo, menores não foram, em compensação, as satisfações que tivemos, mais tarde, com o apoio, os esclarecimentos e a colaboração que passaram a prestar-nos outros técnicos e cientistas, igualmente ilustres e de não menor renome e proficiência, entre os quais avultam esses cujos nomes tivemos, com as expressões de nosso reconhecimento, a honra de gravar no pórtico deste livro. ​E se, muitas vêzes, vimos, com a assinatura de outros, reeditado, quase ipsis-litteris (e sem citação da fonte, está-se a ver...), o material que íamos tão laboriosamente colhendo e publicando, ainda aí nos sentimos de alguma maneira recompensados e também agradecidos. É que compreendemos que, divulgando, embora como resultado de investigações próprias ou de outrem, a vida e as obras do Padre Landell de Moura, esses prestimosos articulistas estavam, a seu modo, colaborando conosco, no sentido de chamar a atenção de nossos patrícios para o esquecido e genial físico brasileiro, e, assim, contribuindo para o reconhecimento de seus direitos e maior glória de seu nome”[1]."

[1] FORNARI, Ernani. “O incrível Pe. Landell de Moura – História Triste de um Inventor Brasileiro”, Editora Globo – Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, 1960,  prefácio. __________________

Pe. Gerson Schmidt* – Jornalista, mestre em comunicação, sacerdote, pároco e munícipe da Barra do Ribeiro (RS) responsável último por sete comunidades locais católicas do município.

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