Em entrevista ao Vatican News, e dirigindo-se particularmente aos jovens moçambicanos, Maria do Céu e Amélia Alexandre reafirmaram a necessidade da esperança, confiança em Deus e oração sobretudo nos momentos de dificuldade, começando, contudo, por fazer cada um a sua parte: “primeiro, nós devemos ser homens e mulheres de paz e de reconciliação, para que essa paz seja uma realidade também para o nosso país”, enfatizaram as religiosas moçambicanas.
As missionárias falaram em seguida do Curso de “Formação de Formadores” a decorrer em Roma, ressaltando a sua importante tanto para as Irmãs em preparação para os votos finais como para as religiosas de votos perpétuos. Para a Irmã Amélia, religiosa com votos temporais, as sessões de formação são fundamentais pois ajudam no discernimento e decisão sobre o próprio futuro: “há coisas que ainda estamos a aprender e a discernir, e a formação é importante porque nos ajuda a decidir se é aquilo que nós queremos ou não”, enfatiza.
A formação constante é igualmente importante para as missionárias do Precioso Sangue de votos perpétuos pois “todas precisamos de nos renovar e integrar, sempre à escuta dos sinais dos tempos”, observa a Ir. Maria do Céu, que acrescenta a necessidade de viver o carisma segundo as exigências do nosso tempo: “Para nós, missionárias do Precioso Sangue, além de nos integrarmos na realidade externa (Paróquias, pessoas que nos acolhem ...), como Congregação, sempre precisamos de nos perguntar: será que o nosso carisma, hoje, responde às necessidades do nosso mundo? E o que devemos renovar em nós para podermos ajudar melhor o homem e a mulher de hoje?” – desafios que a religiosa lança à Congregação, e não só.
Irmã Maria do Céu, Mestra de formação, e Irmã Amélia Alexandre, vivem neste momento na Comunidade de Portugal, na Casa que, em 1960, a Congregação fundou, em Lisboa, para as Irmãs que eram destinadas a Moçambique e para acolher as Irmãs de Moçambique para a formação profissional. É neste contexto que a Irmã Amélia se encontra em Lisboa a estudar, fazendo um curso técnico-profissional e trabalhando numa Paróquia, em preparação para os votos finais: “sinto-me feliz de estar naquela Comunidade e tenho esperança que, quando terminar o curso, vou fazer aquilo que é o nosso mandato na Congregação”, reitera aos media do Vaticano a religiosa moçambicana.
Deste modo, não é desperdício, como poderia parecer, deixar o País (onde as necessidades são tantas) e viver a missão num País distante, porque, reafirma uma vez mais a Irmã Amélia, “a força que eu tenho aqui, vou usá-la para ajudar as pessoas que precisam de mim, e também ajudo as Irmãs mais idosas, que sempre precisam de alguém que possa ajudar”.
A terminar, das duas Missionárias, um apelo à esperança sobretudo aos jovens de Moçambique, hoje a braços com a violência, a criminalidade e tantos outros desafios e dificuldades. Nossa mensagem é que nunca desistam apesar dos desafios e dificuldades que enfrentamos no nosso dia a dia, pois é bom ter esperança. Confiar sempre em Deus e rezar, “porque a oração é mesmo a chave do amanhã”, mas devemos primeiro fazer a nossa parte, ou seja, sermos homens e mulheres de reconciliação e paz, “trazendo dentro de nós aquela mesma paz que desejamos para o nosso País”, concluem as religiosas.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.