“Nossa Senhora do Carmo representa tudo o que queremos para a nossa vida, para a nossa família e para o Chile”. Nossa Senhora do Carmo ocupa um lugar central na história do povo chileno. Desde a época da Independência, ela é considerada a protetora do país e, em 1926, foi coroada canonicamente como Rainha e Mãe do Chile. Este ano celebram-se os cem anos daquela coroação, motivo pelo qual foram organizadas celebrações especiais, peregrinações e diversas iniciativas pastorais em todo o país.
Apesar da forte chuva que atingiu grande parte da zona central do Chile, milhares de fiéis compareceram no dia 16 de julho ao Santuário Nacional de Maipú para celebrar a solenidade de Nossa Senhora do Carmo. Peregrinos, famílias, movimentos eclesiais e comunidades foram até os pés da padroeira do Chile para agradecer pelos dons recebidos, encomendar seus entes queridos e renovar sua confiança naquela que acompanha a história do país há mais de dois séculos. A Eucaristia principal foi presidida pelo cardeal Fernando Chomalí Garib, arcebispo de Santiago, e reuniu fiéis de todas as idades. Também participaram autoridades civis, entre elas a primeira-dama, María Pía Adriazola, e o prefeito de Maipú, Tomás Vodanovic.
Inspirado no relato evangélico das bodas de Caná (Jo 2, 1-11), o cardeal Chomali apresentou Nossa Senhora do Carmo como modelo de discípula que sabe identificar as necessidades dos outros e conduzir sempre a Cristo. À luz desse texto evangélico, o arcebispo convidou a refletir sobre os desafios que o país enfrenta e propôs uma pergunta que marcou o cerne de sua mensagem: "Como superamos essa pobreza?". Sua resposta foi um chamado para não esperar apenas por soluções externas, mas sim para assumir a responsabilidade pessoal de transformar a realidade a partir do Evangelho. “Nós somos fonte de mudança. Se todos nós que nos declaramos católicos vivêssemos com essa ética, o Chile mudaria hoje mesmo. Já é tempo de começar", declarou. O purpurado lembrou que Maria não permaneceu indiferente diante da falta de vinho em Caná, mas percebeu a necessidade, intercedeu junto a seu Filho e pronunciou as palavras que continuam orientando a vida cristã: "Façam tudo o que Ele vos disser".
Durante sua homilia, o cardeal ressaltou que a missão do cristão consiste em tornar presente o amor de Deus ali onde a esperança parece se apagar. “Temos que dar a vida pelos outros. Temos que levar alegria. Temos que levar esperança onde não há esperança. Temos que viver o mandamento do amor e fazer aos outros o que queremos que façam conosco”, exortou. Nesse sentido, explicou que o milagre de Caná continua se fazendo presente cada vez que um crente decide servir ao próximo: quando acompanha o enfermo, estende a mão ao desempregado, visita quem está sozinho ou ampara aqueles que passam por momentos de dificuldade. A mudança, afirmou, começa no compromisso cotidiano de cada pessoa.
Ao refletir sobre a profunda devoção que Nossa Senhora do Carmo desperta no povo chileno, o arcebispo destacou que Maria continua sendo uma referência porque viveu plenamente aberta a Deus e disponível para cumprir a sua vontade. Lembrou também que a verdadeira realeza cristã não se fundamenta no poder, mas sim no serviço. “Maria está atenta ao que acontece no mundo, como nas bodas de Caná. Reinar, para um católico, é servir. A autoridade se conquista servindo”, afirmou.
As celebrações pelo centenário da coroação da Virgem do Carmo continuarão ao longo de todo o ano nas diversas dioceses do Chile, renovando a confiança do povo naquela que segue sendo Mãe, protetora e sinal de esperança para a nação.
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