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Moçambique. Fazenda da Esperança pede espaço em Nampula

A Fazenda da Esperança manifesta preocupação com o consumo de drogas entre jovens na província de Nampula, norte de Moçambique, e considera necessária uma resposta mais próxima das famí...

Moçambique. Fazenda da Esperança pede espaço em Nampula

A Fazenda da Esperança manifesta preocupação com o consumo de drogas entre jovens na província de Nampula, norte de Moçambique, e considera necessária uma resposta mais próxima das famílias afectadas.

O coordenador da Fazenda da Esperança em Moçambique, Diácono Aquino, fala da possibilidade de, no futuro, a comunidade instalar uma unidade em Nampula, tendo em conta o elevado número de jovens da província que procuram tratamento noutras regiões do país.

Segundo o responsável, a Fazenda da Esperança de Chiúre, que funciona na região norte de Moçambique, acolhe actualmente 25 jovens, dos quais cerca de 75 por cento são provenientes de Nampula.

A Fazenda da Esperança está presente em Moçambique há cerca de 20 anos. A primeira comunidade foi instalada em Dombe, na Diocese de Chimoio, na sequência de um pedido feito por um bispo aos fundadores da obra.

Nascida no Brasil há mais de quatro décadas, a Fazenda da Esperança surgiu a partir da iniciativa de jovens que procuravam ajudar pessoas dependentes de drogas a reconstruir as suas vidas.

Em Moçambique, o trabalho de recuperação assenta em três pilares: espiritualidade, trabalho e convivência.

O Diácono Aquino explica que a proposta procura ajudar os jovens a ultrapassar a dependência e a recuperar também os laços familiares.

Entre as principais causas apontadas pela comunidade estão os conflitos familiares, separação dos pais, abandono do lar e falta de emprego.

A realidade é confirmada por jovens que passaram pelo processo de recuperação.

Amir Bero, actualmente embaixador da Fazenda da Esperança, conta que começou a consumir drogas depois da separação dos pais e da entrada para a escola secundária.

Começou pelo álcool e, posteriormente, passou para outras drogas. O consumo levou-o a afastar-se da família e a perder a confiança dos pais.

Depois de passar por um processo de desintoxicação, Amir chegou à Fazenda da Esperança, onde encontrou uma nova família e iniciou um caminho de recuperação baseado na espiritualidade, trabalho e convivência.

Hoje, participa numa escola missionária e prepara-se para ajudar outros jovens dependentes de drogas.

Também Jorge Figueiredo de Carvalho encontrou na Fazenda da Esperança uma oportunidade para recomeçar. O seu primeiro ingresso aconteceu em 2022, mas não conseguiu concluir o processo.

Depois de uma recaída, regressou à comunidade em 2025. Desta vez, conseguiu completar o período de recuperação e afirma estar firme numa nova etapa da sua vida.

Apesar dos resultados positivos, a Fazenda da Esperança enfrenta desafios. Um deles é a distância que separa os jovens das suas famílias, dificultando as visitas e o acompanhamento durante o processo de recuperação.

Outro desafio é financeiro. Muitas famílias não conseguem contribuir regularmente para a manutenção dos jovens, devido às dificuldades económicas.

A Fazenda da Esperança procura, por isso, apoios para garantir o acolhimento daqueles que desejam abandonar o mundo das drogas.

A comunidade é uma iniciativa da Igreja Católica, mas acolhe jovens de diferentes confissões religiosas, incluindo muçulmanos e cristãos de outras denominações.

Para a abertura de uma nova Fazenda, explica o coordenador, é necessário o pedido do bispo da diocese onde a comunidade pretende instalar-se, bem como a criação das condições necessárias com o apoio das autoridades.

A Fazenda da Esperança está presente em mais de 30 países e conta com mais de 160 unidades em todo o mundo.

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