Para garantir uma “formação litúrgica em todos os níveis” na Igreja, é necessário “explorar caminhos concretos”. É o que escreve o Papa na carta dirigida ao cardeal Arthur Roche, prefeito do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na qual dirige uma mensagem a cardeais, bispos e leigos, de diversas origens e experiências eclesiais, reunidos a partir desta sexta-feira, 14 de agosto, até a próxima quarta-feira (19/08), na abadia beneditina de Mount Angel, em Oregon, nos Estados Unidos, para uma reflexão conjunta sobre a formação litúrgica do povo de Deus. O encontro foi organizado para aprofundar as considerações que surgiram na última assembleia plenária do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, realizada de 6 a 9 de fevereiro de 2024, justamente sobre o tema, retomado pelo Papa Francisco na Carta Apostólica Desiderio desideravi.
Referindo-se ao documento do seu predecessor, Leão XIV reitera “a necessidade de uma formação atenta e contínua, tanto do clero como dos leigos, a fim de revitalizar a vida litúrgica da Igreja universal”, mas ressalta que a formação dos presbíteros é prioritária, pois a eles cabe a tarefa de “tomar os fiéis pela mão e acompanhá-los no conhecimento dos santos mistérios”. “As primeiras oportunidades práticas de formação litúrgica ocorrem na nossa prática regular de nos reunirmos todos os domingos para celebrar a Eucaristia”, destaca o Papa, acrescentando que as missas dominicais “estão ancoradas no ritmo anual do ano litúrgico, tendo no seu centro o Mistério Pascal”, e por isso devem ser “profundamente formativas”. Deve-se, portanto, promover “uma compreensão cada vez mais profunda da ars celebrandi, expressa não apenas pelo celebrante da liturgia, mas também por toda a assembleia”. Assim, com “uma educação adequada e um culto celebrado, os católicos serão formados para a liturgia como pela liturgia”.
O Pontífice também recomendou, “a fim de promover a celebração digna dos santos mistérios”, a necessária “fidelidade aos textos e às instruções aprovados”. Daí o convite a todos aqueles que “são chamados a preparar a celebração dos mistérios divinos, e em particular” aos “sacerdotes”, já dirigido nas “recentes catequeses sobre a Constituição sobre a Sagrada Liturgia, Sacrosanctum concilium”, a respeitar “os ritos promulgados pelo Papa São Paulo VI e pelo Papa São João Paulo II”, com uma “atitude interior de abertura e confiança em Deus”, que exige “humildade diante da sua grandeza e sincera fidelidade à comunhão eclesial”.
Os encontros na Abadia de Mount Angel pretendem ser uma forma de dialogar em um contexto de oração, de se deixar “formar pela liturgia”, como exorta a Desiderio desideravi, e de refletir em conjunto a fim de chegar à definição de propostas compartilhadas, concretas e operacionais. Em um comunicado, o Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos explica que a iniciativa foi concebida, não tanto como um congresso de estudos, mas como “um tempo de discernimento espiritual sobre o tema da formação litúrgica, para prosseguir no caminho traçado pela Sacrosanctum Concilium”. Na carta endereçada ao cardeal Roche, Leão a confia a “Maria, Sede da Sabedoria” e concede a todos a bênção apostólica.
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