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Haiti: quase uma em cada 13 crianças com menos de 5 anos sofre de desnutrição aguda

Quase uma em cada 13 crianças de 6 meses a 5 anos sofre de desnutrição aguda no Haiti, segundo os resultados preliminares da Pesquisa Nacional de Nutrição SMART 2026, divulgados em 28 d...

Haiti: quase uma em cada 13 crianças com menos de 5 anos sofre de desnutrição aguda

Quase uma em cada 13 crianças de 6 meses a 5 anos sofre de desnutrição aguda no Haiti, segundo os resultados preliminares da Pesquisa Nacional de Nutrição SMART 2026, divulgados em 28 de agosto. O levantamento mostra uma deterioração significativa em relação a 2023: a prevalência da desnutrição aguda entre crianças de 6 a 59 meses passou de 5,1% para 7,4%. A condição inclui casos de desnutrição moderada ou grave e edema nutricional.

O agravamento ocorre em um país marcado por uma profunda crise humanitária. A violência de grupos armados, a pobreza, o deslocamento de famílias e a interrupção de serviços essenciais dificultam o acesso das crianças a alimentos, água potável, atendimento médico e programas de nutrição. Segundo a UNICEF, cerca de 5,7 milhões de pessoas no Haiti enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda, enquanto aproximadamente 1,4 milhão de pessoas estão deslocadas internamente, incluindo mais de 741 mil crianças.

“Esses resultados surgem em um contexto de insegurança prolongada, dificuldades econômicas e necessidades humanitárias que continuam limitando o acesso das famílias a alimentos nutritivos suficientes, aos cuidados de saúde e aos serviços de nutrição”, afirmou Yannig Dussart, representante adjunto da UNICEF no Haiti. Para a organização, prevenir e tratar a desnutrição exige uma resposta urgente e a ampliação do acesso das crianças aos serviços capazes de salvar vidas.

A desnutrição aguda ocorre quando uma criança não recebe nutrientes suficientes ou sofre repetidamente com doenças que comprometem seu estado nutricional. Em sua forma grave, pode rapidamente se tornar fatal, especialmente quando associada a infecções e à dificuldade de acesso aos serviços de saúde. No Haiti, a violência também tem atingido diretamente escolas, hospitais e estruturas de assistência, dificultando a chegada da ajuda humanitária às comunidades mais vulneráveis.

A situação das crianças é agravada ainda pelas graves violações de seus direitos. Segundo dados da ONU divulgados pela UNICEF, 2.088 graves violações contra crianças foram verificadas no Haiti em 2025, afetando 1.661 crianças. Entre os casos estavam recrutamento e utilização por grupos armados, assassinatos e mutilações, violência sexual, sequestros, ataques a escolas e hospitais e negação do acesso humanitário.

Apesar do cenário preocupante, a pesquisa também identificou avanços importantes em alguns indicadores nutricionais. A prevalência da desnutrição crônica — também conhecida como atraso no crescimento — entre crianças menores de cinco anos caiu de 22,8% em 2023 para 17,3% em 2026. O início precoce da amamentação aumentou de 48% para 68%, enquanto a taxa de aleitamento materno exclusivo passou de 17,5% para 33%. Os dados indicam que intervenções de saúde e nutrição podem produzir resultados mesmo em meio a uma crise prolongada.

Para enfrentar a emergência, a UNICEF e seus parceiros trabalham com o Ministério da Saúde Pública e da População para ampliar a identificação e o tratamento de crianças desnutridas. Equipes móveis e agentes comunitários de saúde estão sendo enviados inclusive para áreas de difícil acesso e afetadas pela violência. Uma análise mais aprofundada dos resultados da pesquisa, juntamente com uma classificação específica da insegurança alimentar relacionada à desnutrição, deverá orientar as próximas etapas da resposta humanitária.

A agência da ONU, entretanto, alerta que os recursos disponíveis estão longe de ser suficientes. O apelo humanitário da UNICEF para 2026 apresenta um déficit de financiamento superior a 64% para as ações de nutrição. Entre as prioridades estão a aquisição e distribuição de alimentos terapêuticos prontos para o consumo, a ampliação da triagem de crianças e o fortalecimento dos serviços de prevenção e tratamento.

A crise nutricional, portanto, é apenas uma das faces da emergência que atinge o Haiti. A UNICEF descreve o país como palco de uma “policrise”, na qual violência armada, deslocamentos, pobreza, insegurança alimentar, enfraquecimento do sistema de saúde e choques climáticos se reforçam mutuamente. Para as crianças, o resultado é particularmente grave: fome e desnutrição ameaçam não apenas a sobrevivência imediata, mas também o crescimento, o desenvolvimento e o futuro de toda uma geração. 

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