Seis crianças e sete mulheres, sequestradas no último domingo em Kenscoff, subúrbio de Porto Príncipe onde 47 pessoas foram mortas, foram libertadas. Entre os menores estão três crianças com menos de dois anos de idade.
“Esta libertação oferece um raro momento de esperança em meio à violência que ameaça as crianças no Haiti”, afirmou Yannig Dussart, vice-representante do Unicef no Haiti. “O sequestro em Kenscoff não foi um episódio isolado, mas mais um duro lembrete da dimensão e da frequência dos ataques contra crianças em todo o país.”
A violência armada continua, de fato, assolando o Haiti, colocando as crianças em perigo constante. Assassinatos, sequestros e outras graves violações tornaram-se uma ameaça permanente. Por isso, o Unicef exorta todas as partes armadas no Haiti a cessarem os ataques contra as crianças, a libertarem imediatamente todos os menores sequestrados e a garantirem sua proteção em todos os momentos.
O massacre de Kenscoff, que deixou 47 mortos, 22 feridos e mais de 52 pessoas sequestradas, voltou a chamar a atenção para a crise de segurança no Haiti, que desde 2021 está à mercê da violência de gangues criminosas.
O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu às autoridades haitianas que tornem plenamente operacionais os polos judiciais especializados na investigação de crimes em massa, criados com a assistência de seu escritório, para que possam lidar com casos graves como o recente ataque armado em Kenscoff.
A informação foi divulgada pela porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Marta Hurtado, em uma nota divulgada ontem em Genebra. Türk destacou a necessidade de investigações independentes e imparciais sobre as violações e os abusos dos direitos humanos, convidando todos os atores a respeitarem e aplicarem as normas nacionais e internacionais sobre o controle de armas e o cumprimento dos embargos da ONU contra o Haiti, em vigor desde 2022.
Segundo o último relatório do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (Binuh), mais de 1.400 pessoas morreram no Haiti entre abril e junho de 2026 em decorrência da violência provocada pelas gangues. Cerca de 656 pessoas ficaram feridas no mesmo período.
Mais da metade dos mortos e feridos é atribuída a ações das gangues, enquanto cerca de 40% está relacionada a operações das forças de segurança haitianas e 5% está ligado a grupos de autodefesa.
O representante da ONU no Haiti, Carlos Ruiz Massieu, afirmou que “esses números demonstram que a população continua pagando um preço inaceitável pela violência”.
O relatório constata que o número de vítimas fatais diminuiu cerca de 14% em comparação com o trimestre anterior, mas também observa que essa redução “esconde realidades muito diferentes dependendo das regiões”.
A ONU alerta, de fato, que a violência está “se expandindo geograficamente” pelo país, enquanto persiste a ofensiva estatal contra as gangues na capital.
As operações de segurança reduziram a atividade das gangues em algumas partes da região metropolitana de Porto Príncipe, especialmente em Delmas e Tabarre. Mas essa pressão parece, em alguns casos, ter deslocado a violência, em vez de eliminá-la.
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