O olhar do padre Gabriel Romanelli transmite alegria. Em um vídeo publicado ontem no canal da paróquia da Sagrada Família de Gaza no YouTube, o seu sorriso aparece luminoso e contagiante, como se, por um instante, o drama da guerra que há tanto tempo aprisiona os habitantes de toda a Faixa de Gaza tivesse sido colocado de lado. O motivo dessa alegria do pároco da única igreja católica de toda a região está contido em uma breve mensagem que o Papa enviou justamente ontem à sua comunidade. “Os dias passam, assim como as semanas, disse-nos o Papa. Mas vejo que as condições continuam muito difíceis.”
Em seguida, acrescenta Romanelli, Leão XIV quis recordar que não há um momento sequer em que deixe de “pensar e rezar por aqueles que estão sofrendo”. E, dirigindo-se especialmente aos sacerdotes e a todos os religiosos, confiou-lhes esta exortação: “Obrigado por permanecerem ao lado deles. Que Deus os ajude e os fortaleça. Minha bênção e um abraço fraterno.” O pároco também agradece ao Pontífice pelas palavras pronunciadas ontem, após a oração do Angelus, sobre os sofrimentos da Terra Santa e pelo apelo para que cessem todos os conflitos, incluindo os que devastam o Oriente Médio. “A situação em Gaza continua desastrosa, e o Santo Padre não deixa de manter um contato constante conosco e de rezar por nós.”
No vídeo do pároco da Sagrada Família, ao fundo, também se ouvem cantos e danças em um ambiente de alegria. “Lá fora o povo está festejando. Convidaram um cantor. Hoje (ontem, domingo, 26 de julho, nota da redação), celebramos, juntamente com milhares de religiosos da nossa querida família do Verbo Encarnado, composta por irmãs, sacerdotes e leigos, a memória dos dez anos da consagração da congregação e da família religiosa ao Sagrado Coração de Jesus.” É um retrato de uma aparente e desejada normalidade em um contexto marcado, nas últimas 24 horas, por novos ataques israelenses na Faixa de Gaza e por uma crise humanitária cada vez mais dramática. Segundo a Integrated Food Security Phase Classification (IPC), mais de 1,4 milhão de pessoas — cerca de dois terços da população — poderão enfrentar uma situação de grave insegurança alimentar até o fim de 2026, caso a redução da ajuda humanitária continue.
Nos últimos dias, acrescenta Romanelli no vídeo, a comunidade também celebrou uma novena e, ontem, após a Missa, “realizamos um ato de reparação pelas ofensas cometidas contra o Sagrado Coração e renovamos a consagração do mundo, da Faixa de Gaza, da nossa paróquia e da nossa congregação ao Sagrado Coração”. São gestos de esperança por uma paz que, infelizmente, ainda parece distante.
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