Vívian Marler - Assessora Comunicação CNBB Norte 2
Com crescimento de 100% em relação à edição anterior, o ‘2º Acampamento Juvenil da Diocese de Macapá’ (AP). torna-se um laboratório de protagonismo, solidariedade e discernimento vocacional sob a guia de Dom Antônio de Assis Ribeiro.
Enquanto o mundo muitas vezes olha para a juventude com pessimismo, rotulando-a como cativa do lazer superficial, a Diocese de Macapá, no extremo norte do Brasil, apresenta um contraponto vibrante. E pelo segundo ano consecutivo realiza, durante quatro dias, no mês de julho, período de férias escolares, o ‘Acampamento Juvenil Diocesano’, que este ano reuniu mais de 1.200 pessoas, entre participantes e colaboradores, em uma experiência que uniu a mística amazônica à pedagogia da alegria.
Sob o tema "Não basta ter casa. É necessário cuidar do lar!", o encontro desafiou os jovens a irem além das estruturas físicas. O salesiano Dom Antônio de Assis Ribeiro, bispo diocesano e referencial para a juventude, explicou a urgência da temática. "O lar acontece onde há a experiência de amizade, acolhida, respeito e perdão. Milhares de jovens padecem de solidão e depressão por falta dessa experiência. Estimulamos todos a serem corresponsáveis pelo próprio lar, e não apenas reivindicadores de estruturas".
Essa abordagem responde diretamente aos apelos do Papa Francisco na Exortação ‘Christus Vivit’, propondo uma pastoral juvenil que respeite a psicologia e os anseios reais das novas gerações.
Um dos marcos desta edição foi o crescimento exponencial do voluntariado. Cerca de 120 jovens atuaram no serviço direto aos seus pares, subvertendo a lógica do consumo pelo serviço. Para Dom Antônio, esse "exército de caridade" desmente a visão negativa sobre a juventude, "os jovens são capazes de voluntariado, de gratuidade e de compaixão! Eles têm interesse em fazer a experiência da solidariedade", afirma o bispo salesiano.
A logística do evento refletiu a vastidão da Amazônia. Jovens percorreram até oito horas de estrada e rio, vindos de regiões como Oiapoque e as ilhas de Laranjal do Jari, provando que a sede espiritual da juventude amazônica supera qualquer barreira geográfica.
O acampamento não foi apenas um evento de momentos, mas um solo fértil para decisões de vida. Além da instituição dos ministérios de Leitorato e Acolitato para três seminaristas, um sinal visível de entrega à Igreja, o encontro gerou um fruto inesperado e vigoroso, ao final da missa de encerramento, 31 jovens e adolescentes manifestaram publicamente o desejo de iniciar um acompanhamento vocacional.
Esse despertar é fruto de um testemunho plural, o acampamento foi sustentado por uma diversidade de carismas, unindo casais, religiosos, sacerdotes e leigos consagrados em um único pátio de evangelização. O ‘Acampamento Juvenil Diocesano’ não é um fato isolado, estanque, sem conexões; muito pelo contrário, é o ponto culminante de uma caminhada da pastoral juvenil presente nas comunidades (urbanas, ribeirinhas e indígenas), nas paróquias e envolvendo as mais variadas expressões juvenis das congregações, novas comunidades e movimentos. É um evento dinâmico, fruto de um processo pastoral e profundamente sinodal.
O sucesso do encontro, que dobrou de tamanho em apenas um ano, envia uma mensagem clara à Igreja Universal, a juventude busca espaços onde possa ser protagonista. Ao unir lazer, formação humana e espiritualidade profunda, a Diocese de Macapá consolida o acampamento como um "oásis" educativo e missionário.
Com a data da terceira edição já confirmada para julho de 2027, de 8 a 11 de julho de 2027, Macapá reafirma sua vocação de ser uma Igreja "próxima e acolhedora", onde a juventude da Amazônia não apenas encontra um lugar para estar, mas um lar para pertencer.
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.