Papa

Gallagher: imploramos o dom de uma paz desarmada e desarmante

Assim como o povo lituano, “durante a terrível perseguição soviética”, trilhou o caminho do martírio confiando-se à Virgem Maria, venerada em seus numerosos santuários, assim também a “...

Gallagher: imploramos o dom de uma paz desarmada e desarmante

Assim como o povo lituano, “durante a terrível perseguição soviética”, trilhou o caminho do martírio confiando-se à Virgem Maria, venerada em seus numerosos santuários, assim também a “Igreja inteira” busque “refúgio e orientação sob seu manto” com consciência renovada, “nestes tempos de grandes calamidades, marcados pelo conflito dilacerante na atormentada Ucrânia”. À Mãe de Deus “confiemos os povos provados pelo conflito, implorando sua intercessão maternal pelo dom de uma paz desarmada e desarmante”. Com esta oração, dom Paul Richard Gallagher, secretário para as relações com os Estados e as organizações internacionais da Santa Sé, concluiu a homilia da missa que presidiu na noite de sábado, 27 de junho, na catedral de Kaunas, na Lituânia, por ocasião do centenário da Lituanorum Gente, a constituição apostólica com a qual o Papa Pio XI erigiu a primeira província eclesiástica lituana unida.

O enviado especial de Leão XIV, inspirado pelas leituras do 13º domingo do tempo comum, destacou a importância do testemunho dos santos, capazes de “abrir espaço em sua alma, arar seu coração, livrando-o de interesses pessoais, preocupações e angústias que sufocam a Palavra”. Testemunhas e modelos de santidade dos quais a Lituânia forneceu inúmeros exemplos no século passado, sofrendo as perseguições de um “regime totalitário que não conseguiu destruir a Igreja”.

“Quantos sacerdotes, religiosas e religiosos, juntamente com dezenas de milhares de fiéis — exclamou o arcebispo durante a homilia — foram deportados para os gulags da Sibéria! Que página gloriosa foi escrita por todos eles na ‘Crônica da Igreja Católica na Lituânia’!”. Dom Gallagher relembrou a “comovente história de fidelidade a Cristo” da Colina das Cruzes, uma elevação na qual foram erguidas, ao longo dos anos, dezenas de milhares de cruzes: primeiro em memória dos mortos nas insurreições lituanas do século XIX contra o Império Russo; depois, durante a ocupação soviética, dos mártires do regime. O Papa João Paulo II, destacou o arcebispo, durante sua visita em 1993, definiu essa colina — “várias vezes arrasada pelas escavadeiras” da ditadura comunista — como o “Coliseu moderno”.

“Em décadas de perseguição atroz – acrescentou o diplomata da Santa Sé –, a Palavra de Deus não se limitou a ser uma teoria para o povo lituano, mas se fez carne na carne de seus mártires!”. Citando a máxima de Tertuliano, segundo a qual “o sangue dos mártires é a semente de novos cristãos”, dom Gallagher viu justamente na história centenária dos cristãos dessa comunidade “a demonstração mais resplandecente dessa verdade histórica e espiritual”. Uma história guardada por seus pastores, em primeiro lugar pelo beato bispo Jurgis Matulaitis, que, em 13 de maio de 1926, deu leitura à Constituição Apostólica de Pio XI que deu origem à comunidade de fiéis: “uma figura extraordinária — como o definiu dom Gallagher — cujo centésimo aniversário de ascensão ao Céu será comemorado no próximo ano”.

“Nesta celebração eucarística — concluiu o prelado —, a ação de graças ao Senhor pelas grandes obras realizadas nesta Igreja dos mártires, no centenário da Lituanorum Gente, não poderá deixar de nos fortalecer em nosso caminho rumo ao Céu”.

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.