A missa de desta quinta-feira (13/08), celebrada junto ao túmulo de São João Paulo II na Basílica de São Pedro, foi concelebrada por cerca de 30 sacerdotes. Como todas as semanas, estavam presentes peregrinos da Polônia e de outros países. O pregador fez referência ao trecho do Evangelho do dia que narra a história do servo impiedoso. O seu senhor, simbolizando Deus, perdoou-lhe uma dívida enorme, mas ele não foi capaz de perdoar uma quantia incomparavelmente menor ao seu devedor.
Como destacou o Pe. Kućko, essa parábola de Jesus sobre o servo impiedoso fala “do julgamento sobre o homem que, embora tenha experimentado o perdão, o negou ao próximo”. Por isso, "Santo Agostinho diria que, embora o servo tenha sido libertado da dívida, tornou-se um ‘escravo da injustiça’”. Diante do seu senhor, esse homem estava livre, mas seu coração não se transformou em relação ao próximo. O senhor perdoou-lhe a dívida. Seria preciso várias gerações para poder pagá-la. Entretanto, ele experimentou uma imensa graça”, disse o Pe. Wojciech Kućko.
“Você pode ter uma dívida perdoada e ainda assim continuar sendo escravo. Você pode receber misericórdia e não ser misericordioso com os outros. Você pode sair da presença do Senhor com o passado perdoado, mas com o coração que permanece ‘escravo da injustiça’”, destacou o pregador.
Ele obsersou ainda que muitas vezes nos damos conta disso quando nos preparamos para a confissão. É difícil para nós trabalhar o coração para que “ele não siga o caminho do ressentimento em relação aos outros, de guardar rancor ou de remoer o passado”. Muitas vezes, é preciso um grande esforço para “perdoar a si mesmo, reconhecer a falta de prudência ou de reflexão que causou algum acontecimento irreversível”.
O Pe. Kućko fez referência à mensagem de Santo Agostinho, que explicou porque Jesus recomendou perdoar 77 vezes. O bispo de Hipona relacionou esse número à genealogia de Cristo em São Lucas. O evangelista menciona 77 gerações na lista dos antepassados de Jesus. O perdão de Deus abrange todos, portanto, e nos ensina que devemos perdoar sempre.
O pregador lembrou que neste período do mês de agosto se recorda a memória de Nossa Senhora de Kalwaria de quem São João Paulo II era um grande devoto. Desde criança e jovem a quando era arcebispo de Cracóvia e cardeal, confessou que sempre quando havia situações familiares difíceis ou problemas em casa, ou problemas da arquidiocese e dos fiéis, ele ia até Nossa Senhora de Kalwaria e percorria os lugares santos de Jerusalém ligados à vida de Jesus e de Sua Mãe no santuário. “Há mais de quatro séculos, Kalwaria Zebrzydowska, a ‘Jerusalém polonesa’, tem sido um lugar onde tantas pessoas percorrem os caminhos da Paixão do Senhor e da Mãe que com Ele sofre. Quantos gestos de perdão e pedidos foram feitos ali...”, refletiu o sacerdote polonês. Ele comentou ainda que "cada um de nós precise, às vezes, percorrer seu próprio caminho do Calvário para se reconstruir. Nem sempre são aqueles traçados entre as capelas, mas aqueles que nos levam às profundezas da nossa consciência, passando pelo coração, que precisa do perdão de Deus, mas também do perdão a si mesmo e ao próximo. E esse caminho é, às vezes, o mais difícil, mas certamente o mais belo”.
O Santuário de Kalwaria Zebrzydowska, cidade próxima de Cracóvia, na Polônia, é um dos centros de peregrinação mais frequentados no país, ao lado daquele de Jasna Góra, em Częstochowa. Em 1999 ele foi inserido na lista do Patrimônio Mundial da Unesco, por ser “de grande beleza e importância espiritual”. O santuário mariano, então, era de forte relação com João Paulo II que, em viagem apostólica à Polônia, visitou o local em 7 de junho de 1979 e disse:
"Que chegue deste lugar, a todos aqueles que me escutam aqui ou em qualquer outro ponto, este convite simples e fundamental do Papa à oração. É o convite mais importante. É a mensagem mais essencial. Que o Santuário de Kalwaria continue a reunir peregrinos, sirva a Arquidiocese de Cracóvia e toda a Igreja da Polônia. Oxalá se realize aqui uma grande obra de renovação espiritual dos homens, das mulheres e da juventude masculina e feminina, do serviço litúrgico do altar, e de todos. [...] Peço a vocês: rezem aqui por mim durante a minha vida e depois da minha morte."
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