Na sua intervenção de 4 de agosto, durante o Primeiro Seminário Preparatório, em Adis Abeba, na Etiópia, o Dom Muandula, Coordenador da Equipa Sinodal Continental do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM), sublinhou que o período até 2028 não consiste na introdução de novos programas pastorais, mas na renovação da vida ordinária da Igreja através de uma comunhão, participação e missão mais profundas.
“A Assembleia Eclesial de outubro de 2028 não é apenas um evento que nos espera em Roma. Começa hoje”, afirmou, explicando que cada paróquia, diocese, conferência episcopal e organismo continental é chamado a perguntar-se de que forma está a tornar-se “uma Igreja mais sinodal e missionária.”
O Dom Muandula destacou que a fase de implementação assenta no discernimento espiritual e não numa avaliação administrativa. Em vez de medir resultados, as Igrejas locais são convidadas a reconhecer os frutos do Espírito Santo, discernir para onde o Senhor as conduz e identificar os novos caminhos de sinodalidade que vão surgindo nas suas comunidades.
O prelado destacou três dimensões de conversão permanente propostas no Documento Final do Sínodo: renovar as relações através da escuta mútua e da corresponsabilidade; transformar os processos de decisão eclesial, tornando-os mais participativos; e fortalecer os laços entre as Igrejas locais, as Conferências Episcopais, os organismos continentais e toda a família humana.
O roteiro prevê quatro etapas sucessivas até à Assembleia Eclesial em Roma. Ao longo de 2027, as dioceses realizarão assembleias sinodais locais, seguidas pelo discernimento das prioridades pastorais comuns por parte das conferências episcopais nacionais e regionais. No início de 2028, as assembleias continentais reunirão os frutos desses processos, culminando na Assembleia Eclesial de outubro, em Roma, onde bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e fiéis leigos participarão conjuntamente no discernimento da Igreja.
O Dom Muandula sublinhou ainda que o caminho sinodal pertence a todo o Povo de Deus, incentivando uma ampla participação, em particular das mulheres, dos jovens, das comunidades paroquiais e das pessoas que vivem em situações de pobreza ou marginalização.
Ao concluir a sua apresentação, manifestou a esperança de que este processo de quatro anos não sirva apenas para preparar um acontecimento em Roma, mas para revelar “aquilo que Deus tem vindo pacientemente a realizar na Sua Igreja através da vida quotidiana do Seu povo.”
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