Outrora, os missionários atravessavam os oceanos para levar o Evangelho à África, introduzindo novas formas de culto que transformaram comunidades e culturas. Hoje, a história virou a página, de maneira discreta mas significativa. Enquanto as vocações diminuem em certas partes do Ocidente, a Igreja do Sul do mundo retribui aquele dom enviando missionários para reevangelizar as terras que outrora a tinha evangelizado. É uma missão que fecha um círculo, um sinal vivo do modo como a Igreja, único Corpo de Cristo, é continuamente renovada pelo Espírito. A irmã Julie Eyaya, CSF, pertencente à Congregação da Sagrada Família, de Bérgamo, é uma das numerosas religiosas que sustentam a vida da Igreja através da educação e de uma presença fiel.
Nascida na República Democrática do Congo, o percurso da irmã Julie começou com um “sim” simples, mas exigente. Em 2012, deixou a sua terra natal e partiu para um ambiente desconhecido, respondendo ao chamamento de Deus para a vida religiosa. Desde então, deu início a um percurso de formação enraizado, em primeiro lugar, na sua cultura e, mais tarde, aberto a uma dimensão mais ampla, para além de todas as fronteiras. A sua vocação amadureceu acolhendo a vida missionária de coração aberto, disposta a partir para onde quer que houvesse maior necessidade. Vinculada pelos votos de pobreza, castidade e obediência, a irmã Julie renunciou não apenas às suas comodidades, mas confiou diariamente o seu futuro à orientação de Deus.
No centro da missão da irmã Julie estão a educação e a formação. Traz consigo a riqueza de dois mundos — a África e a Europa — unidos num único apelo universal ao serviço. Como professora e formadora, acompanha as jovens que discernem a vocação religiosa no seio da sua congregação, ajudando-as a encontrar clareza, sentido e coragem. O seu ministério abrange também a educação da primeira infância, onde o cuidado vai muito além da sala de aula. Na verdade, acompanha as crianças e as suas famílias com paciência e atenção, convencida de que a educação se baseia profundamente na relação. Através da escuta, da presença e do testemunho pessoal, transmite valores humanos e cristãos, na fidelidade ao carisma da sua congregação.
Cada dia começa com a oração pessoal e comunitária, fonte indispensável que sustenta o seu apostolado. A sua vida gira em volta das responsabilidades educativas, do serviço na educação da primeira infância e da vida comunitária, procurando sempre encarnar o carisma educativo da congregação, que se distingue pelo amor, pela paciência, pela responsabilidade e por um autêntico espírito de família. «As crianças precisam de amor e segurança», realça. «As famílias têm necessidade do apoio educativo e os jovens devem ser acompanhados com verdade e confiança». Mediante a sua presença, a irmã Julie compromete-se em criar ambientes de serenidade e confiança, onde cada pessoa se possa sentir acolhida e ajudada.
A dedicação da irmã Julie manifesta-se de maneiras simples, mas profundas: crianças que crescem em ambientes serenos e jovens que encontram a coragem para seguir o seu caminho vocacional. «Estas são as maiores alegrias da minha vida», narra. «Confirmam a minha vocação e lembram-me que Deus age de modo silencioso mas poderoso, através do serviço quotidiano». O seu percurso missionário não esteve isento de dificuldades. As diferenças culturais, o peso das responsabilidades e o cansaço do dia a dia puseram à prova a sua determinação. No entanto, está convencida de que cada provação a tornou uma missionária mais humilde, paciente e aberta aos outros. Além disso, manifesta gratidão pelo apoio recebido da sua comunidade religiosa, que aprecia e valoriza a sua presença.
Refletindo sobre o seu caminho, a irmã Julie afirma que ser missionária, sobretudo no meio das crianças, significa amar e servir com alegria. É uma vida de entrega pessoal, vivida dia após dia, fiel aos pequenos gestos que constroem a esperança e plasmam o porvir. Assim como a irmã Julie, muitas religiosas provenientes da África e de outras partes do mundo aceitam as diferenças culturais e linguísticas para levar o Evangelho de Cristo aos lugares que outrora enviaram missionários às suas terras. Com a riqueza da sua espiritualidade e a fidelidade do seu serviço, continuam a renovar a vida da Igreja.
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