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Diáconos baianos representam o Brasil em Congresso Nacional em Assis, na Itália

O diácono permanente da Diocese de Ilhéus, no sul da Bahia, e escritor Rodrigo Dias Souza é um dos palestrantes convidados para o Congresso Nacional dos Diáconos da Itália, sediado na h...

Diáconos baianos representam o Brasil em Congresso Nacional em Assis, na Itália

O diácono permanente da Diocese de Ilhéus, no sul da Bahia, e escritor Rodrigo Dias Souza é um dos palestrantes convidados para o Congresso Nacional dos Diáconos da Itália, sediado na histórica e simbólica cidade de Assis. Com o tema "No sinal de Francisco de Assis, amante dos pobres: novos desafios para a diaconia e para o diaconato", o evento internacional reúne diáconos, pesquisadores, agentes pastorais e lideranças eclesiais de diversas partes do mundo para debater o papel da Igreja e a resposta cristã às vulnerabilidades e fragilidades humanas contemporâneas.

Convidado diretamente pela presidência da Comissão dos Diáconos Italianos, o brasileiro traz à Europa a riqueza da experiência pastoral e social do diaconato latino-americano. Em entrevista concedida nos estúdios da Rádio Vaticano — conduzida pelo jornalista Silvonei José —, Rodrigo expressou sua emoção ao representar a fé e o trabalho comunitário vindo do interior baiano.

A conferência de Rodrigo Dias tem como linha mestra a sua obra literária "O Sabor das coisas que ficam", traduzida para o italiano especialmente para o congresso. O livro, concebido durante o período mais crítico da pandemia de COVID-19, propõe uma reflexão profunda sobre a dimensão humana do sofrimento, a finitude da vida e a necessidade urgente de desacelerar.

Em um tempo marcado pelo excesso de tarefas, pelo uso de medicamentos para reanimar a rotina e pela incapacidade social de lidar com a perda, a publicação convida o leitor a resgatar o valor do tempo presente e das coisas mais singelas do cotidiano.

"O livro faz memória das coisas mais simples da vida: de um café coado, de um tempo marcado pela pressa... Nós somos chamados a parar, olhar o pôr do sol e nos reconectar com a rotina. Nesse mundo acelerado em que vivemos, perdemos o prazer de saborear a simplicidade e as relações humanas", pontuou o diácono.

Na terra onde viveu São Francisco de Assis — o "grande diácono" que chamava a própria morte de "irmã" —, a conferência ressaltará que o verdadeiro antídoto para as dores da humanidade não reside em soluções artificiais, mas na redescoberta do sentido da vida a partir dos gestos pequenos e da radicalidade do Evangelho aplicada ao chão da existência.

Além do resgate da simplicidade, o diácono apresentará aos colegas europeus o modelo brasileiro de acompanhamento pastoral às pessoas enlutadas, conhecido como a Pastoral da Esperança.

Ao contrário de abordagens puramente institucionais ou restritas ao momento formal do funeral (o ritual das exéquias), a experiência da Igreja no Brasil se destaca por uma presença continuada e solidária junto às famílias que perderam entes queridos. Rodrigo destacou que, no contexto brasileiro, o corpo diaconal — formado em sua maioria por homens casados, inseridos no mercado de trabalho e no dia a dia das comunidades — possui uma proximidade única com os dramas cotidianos das famílias.

A metodologia e os pilares dessa atuação incluem:

Presença acolhedora e silenciosa: apoio humano e espiritual imediato nos momentos mais difíceis da perda, priorizando a escuta atenta e a empatia.

Círculos Bíblicos nas residências: encontros de oração, recitação do terço e leitura comunitária da Bíblia realizados na própria casa da família enlutada.

Acompanhamento no pós-sepultamento: presença pastoral continuada durante o processo de luto, culminando no apoio à preparação da Missa de 7º Dia e na reintegração da pessoa à vida comunitária.

Inspirado no magistério do Papa Francisco e nos ensinamentos do Papa Leão XIII sobre o olhar atento à humanidade, Rodrigo Dias defende que a missão da Igreja e do diaconato não é permanecer trancada em estruturas burocráticas ou apressadas, mas assumir o rosto da proximidade.

Relembrando a passagem bíblica da ressurreição de Lázaro, na qual o próprio Jesus vai até a casa de suas amigas Marta e Maria em Betânia para chorar a morte do amigo, o diácono baiano convida a Igreja a resgatar a compaixão e o afeto em suas ações diárias.

"Queremos trazer esse jeito brasileiro de uma Igreja próxima, que sofre com quem está sofrendo, para a realidade da Europa. Queremos dizer aos nossos irmãos diáconos que é possível viver essa 'Igreja em saída': ir ao encontro do outro, reconhecer um rosto, afagar quem dorida está e oferecer o ombro acolhedor" finalizou.

Presente também nos estúdios da Rádio Vaticano Reinan Sousa presidente da Comissão dos Diáconos da diocese de lheus.Caridade em Ação: Os Projetos Sociais da Diocese de Ilhéus

Estendendo a reflexão para a prática da diaconia — alicerçada nas três mesas: da Palavra, da Eucaristia e da Caridade —, o diácono Reinan apresentou os frutos do trabalho diaconal desenvolvidos na Diocese de Ilhéus, sob a liderança do bispo diocesano, Dom Giovanni Crippa.

Reinan destacou três iniciativas marcantes na região:

Projeto do Diácono Erivaldo (Ibirataia/Coaraci): arrecadação e aquisição de equipamentos de convalescença (cadeiras de rodas, cadeiras de banho e camas hospitalares) para atender doentes e famílias carentes sem condições financeiras.

Projeto do Diácono Valmir (Teolândia): sistema de colaboração fraterna comunitária (uma "vaquinha" mensal) voltado para auxílio emergencial a doentes que precisam viajar para tratamento ou a famílias que enfrentam custos funerais

Projeto Pão Nosso (Ipiaú): ação focada no combate à fome através da arrecadação e distribuição de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social.

Durante a entrevista, o diácono destacou o expressivo crescimento das vocações diaconais no Brasil. Por ser um ministério exercido predominantemente por homens casados e inseridos no mercado de trabalho, o diaconato traz a Igreja para o centro da vida comunitária e familiar.

Reinan Sousa enfatizou que o sim ao diaconato nasce e se sustenta no consenso e na caminhada conjunta do casal:

"A primeira diaconia é em casa. A esposa não é ministra ordenada, mas pelo 'sim' dela, ela exerce sua diaconia. Ela autoriza o esposo a se tornar diácono e hoje congregamos juntos a serviço da Igreja e dos irmãos."