Papa

Devoção a Santa Mônica: "é impossível perder um filho depois de tantas lágrimas"

Santa Mônica era uma cristã profundamente religiosa. Ela se casou com Patrício, um homem pagão de temperamento difícil. Apesar das dificuldades no casamento, Mônica manteve sua fé. Seu...

Devoção a Santa Mônica: "é impossível perder um filho depois de tantas lágrimas"

Santa Mônica era uma cristã profundamente religiosa. Ela se casou com Patrício, um homem pagão de temperamento difícil. Apesar das dificuldades no casamento, Mônica manteve sua fé.

Seu filho mais famoso foi Santo Agostinho. Na juventude, ele se afastou da fé cristã e levou uma vida que preocupava profundamente sua mãe. Mônica passou anos rezando e chorando pela conversão do filho.

Quando Agostinho foi para Milão, Mônica continuou ao seu lado. Ali, ele conheceu o bispo Santo Ambrósio, cujos ensinamentos tiveram grande influência em sua conversão.

Em 387, Agostinho foi batizado por Ambrósio em Milão. Mônica, portanto, teve a alegria de ver seu filho retornar à fé cristã.

Dessa forma, Santa Mônica ficou conhecida por ser uma mãe piedosa e que rezou durante anos pela conversão de seu filho, tornando-se a padroeira das mães que rezam pela conversão de seus filhos.

Como possar do tempo, surgiram diversas mães devotas de Santa Mônica, como é o caso de Victoria Bar. Victoria mora no Rio de Janeiro, agostiniana e tem 5 filhos. Ela foi convidada a dar o seu testemunho à Rádio Vaticano - Vatican News para contar um pouco da sua devoção e sobre a Comunidade de Mães Cristãs Santa Mônica. Um grupo de mães que se dedicada a rezar pelas famílias e filhos.

A história de Victoria com o caminho agostiniano e a Comunidade começou em 1994 quando entrou no Colégio Santo Agostinho, do Leblon. Desde então, o coração inquieto agostiniano foi sendo formado, tendo essa sementinha plantada crescido, mesmo não tendo a noção do que significava.

Com 15 anos de idade, ela e sua família se mudaram para a Barra da Tijuca, onde começaram a frequentar o Colégio Santo Agostinho, momento em que mergulharam no carisma agostiniano de vez. Sua mãe, Adriana, entrou a fazer parte da Comunidade de Mães Cristãs Santa Mônica e ela começou a participar do grupo jovem, chamado Juventude Agostiniana Recoleta, a JAR.

Victoria ressalta que, no auge da sua juventude, a Comunidade de Mães Cristãs Santa Mônica era muito distante, pois era uma comunidade para mães e avós. Ela se casou muito cedo, com apenas 22 anos, e foi quando, esperando seu terceiro filho, seu diretor espiritual, frei Francisco, que a acompanhou na sua juventude e participou de todos os momentos de sua vida e de algumas amigas, disse: “está na hora de vocês terem um coro de Mães Mônicas. Vocês já sairam da JAR e agora vocês precisam continuar no caminho agostiniano”. Assim, elas fizeram toda a preparação e receberam a imposição das medalhas das Mães Mônicas, em 2016.

Para compreender melhor como funciona a Comunidade de Mães Cristãs Santa Mônica, pedimos à Victoria para que contasse um pouco do dia a dia do grupo:

"Para responder essa pergunta, a gente precisa voltar naquele momento em que Santo Ambrósio conforta Santa Mônica e gosto de imaginar essa cena, eles trocando aquele olhar e ele dizendo: “é impossível perder um filho depois de tantas lágrimas.” Olha o tamanho de Santa Mônica na história de Santo Agostinho. É impossível compreender a história dele sem passar por ela. Sem essa figura materna tão presente, tão incansável, que era Santa Mônica. Ela, para nós agostinianas, é sempre um exemplo de esperança, perseverança, fé, oração, e assim, nasce a Comunidade de Mães Cristãs Santa Mônica, com esse propósito e com essa grande inspiração de Santa Mônica. Essa Comunidade reune mulheres, mães, para rezarem diariamente pela fé dos seus filhos. A dinâmica tradicional do grupo é muito simbólica: são 7 mães que formam um coro e cada mãe num dia da semana reza pelos filhos, todos os filhos, diante do sacrário, de joelhos. Então, é tão bonito pensar que todos os dias os nossos filhos estão sendo colocados na presença do Senhor e que tem alguém intercedendo por eles, mesmo quando a gente não consegue ou alguma coisa nos tira da oração. A gente sabe que tem alguém ali rezando por eles incansavelmente. É um grupo que é muito mais do que um grupo de oração. A gente cria uma comunhão. A gente compartilha essa caminhada. Quantas vezes uma mãe precisa de um abraço, de um carinho, precisa compartilhar alguma coisa. No meu grupo, especialmente, somos mães de muitos filhos. Acho que hoje, se a gente somar, já deve ter passado dos trinta, e é dificil reunir presencialmente. Então, muitas vezes a gente faz a nossa reunião online, porque, além da oração, um dos pilares da Comunidade é a formação. Aqui na Barra da Tijuca, as missas da Comunidade Santa Mônica são celebradas sempre no dia 27 de cada mês, em função do dia 27 de agosto, mas, antes da missa, tem sempre uma formação. Esse é um dos pilares importantes da Comunidade. Não só oração, mas também buscar a formação para conhecer mais Santa Mônica, mais a espiritualidade agostiniana, mais sobre a vida de Santo Agostinho. Então, realmente, essa formação é muito importante.”

Também, Victoria, ao ser perguntada sobre a perseverança de Santa Mônica, comentou sobre como ela se identifica com a Santa. Ela disse: “Hoje sendo mãe de adolescentes a gente sabe que os desafios são grandes e é na oração que a gente encontra força. Eu faço uma oração na qual sempre peço a Deus, com a intercessão do anjo da guarda de cada um, que eles possam ser os meus olhos, que eles possam ser meu abraço, minha voz, onde eu não estiver vendo, enxergando. Que eles protejam meus filhos de todo o mal. Eu acho que é aí que a nossa fé nos dá esse conforto, essa tranquilidade de saber que a gente não vai estar presente em todos os momentos. A gente não vai conseguir estar, olhar, ajudar, mas que tem um anjo da guarda que cuida deles. Que dentro do coração deles foi plantado essa semente da fé e esperança. Eu tenho certeza absoluta que toda essa oração, que tudo isso não é em vão, e eu acho que essa certeza que Santa Mônica tinha no coração dela. É impossível perder um filho depois de tantas preces, de tantas orações, de tantas lágrimas, e é esse o sentimento que eu tenho cada vez que coloco meu joelhos no chão pelos meus filhos.”

Ela ainda aproveitou para abrir o coração e contar uma história que aconteceu durante sua primeira gravidez: “aqui vale contar uma história. O meu primeiro filho foi um presente de Deus, como todos, mas a história dele começa de modo especial, porque em um momento da gravidez, eu estava com 34 semanas, eu percebi, pela presença de Deus, - porque não existe outra palavra senão milagre -, que tinha alguma coisa errada na gestação. Eu passei a madrugada inquieta. Tinha que falar com a médica, mas não tive nenhum sinal ou sangramento. Quando foi cinco horas da manhã, meu marido já se mobilizando para ir ao trabalho, eu falei assim: "tem alguma coisa estranha.”. Ele disse: "vamos ligar para a doutora. Não vou nem trabalhar.” E ele para não ir trabalhar é porque realmente alguma coisa estranha estava acontecendo. Ele acha que sentiu aquilo comigo. A gente fez exames e realmente meu filho estava em sofrimento. A gente precisou interromper a gravidez o mais rápido possível. Eu internei muito rápido. Lembro-me de trocar de roupa no vestiário dos enfermeiros. Não teve nem aquela coisa de chegar com mala, na verdade nem mala eu tinha. O médico queria fazer a cesária na vertical, porque era mais rápido. Graças a Deus meu filho nasceu. Foi um milagre, e ele está vivo.

Para finalizar a entrevista, Victoria, ao ser questionada sobre a possibilidade de fazer uma pergunta a Santa Mônica, disse: “se eu tivesse a oportunidade de fazer uma pergunta, antes eu queria dar um abraço muito forte em Santa Mônica e agradecer por tudo o que ela fez. Ela realmente para mim é um modelo de esperança, é um modelo de fé. É tão bonito ser católico, de você ter uma mulher que está ali na sua fragilidade, enquanto mulher, mãe, nas suas dúvidas, ser uma força que inspira; uma força que nos mostra, através do seu exemplo, que vai dar certo. Então, muito antes do que uma pergunta, seria um abraço de agradecimento, mas se eu tivesse que fazer uma pergunta seria: Eu estou no caminho certo?”

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.