Olá, amigos da Rádio Vaticano. Aqui quem fala é Marlon Derosa e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Hoje vamos conversar sobre a um tema basilar quando se fala em cultura da vida, o matrimônio, como sacramento e vocação para o serviço à vida. Isso mesmo!
O “serviço à vida” é um termo apresentado pelo Magistério da Igreja, por exemplo, na Familiaris Consortio, como tarefa fundamental da família. João Paulo II, na terceira parte da Encíclica, no item 17, fala dos “deveres da família cristã”.
Neste sentido, nos ensina que: “No plano de Deus Criador e Redentor, a família descobre não só a sua «identidade», o que «é», mas também a sua «missão», o que ela pode e deve «fazer»”. E conclui que cada família entenderá a si mesma e a sua dignidade na medida que se torna o que é. Ou seja, a família se encontra quando passa a ser família no plano de Deus. E nos nos convoca: - Famílias, “torna"-te aquilo que és”!
Sendo família no plano de Deus, seremos santuário da vida e nos encontraremos. Em seguida, o Papa explica que a família tem quadro deveres gerais:
3) a participação no desenvolvimento da sociedade;
4) a participação na vida e na missão da Igreja.
Por isso, falar em cultura da vida passa por compreender a missão da família.
O Papa descreve, logo após apresentar estas quatro missões, que esta primeira função, a “formação de uma comunidade de pessoas”, passa pela dimensão do casal e seus filhos formando esta comunidade que é uma comunidade de amor: “Sem amor, a família não pode viver, crescer e aperfeiçoar-se como comunidade de pessoas” (FC 18). Afinal, nenhuma pessoa pode viver sem amor. Sem amor, nossa própria identidade se tornaria incompreensível e nossa vida seria destituída de sentido. Assim, o amor entre homem e mulher no matrimônio é a base sob a qual se constrói a família e se desenvolve as pessoas que Deus os confiou, seus filhos.
Falar de família e sua tarefa no serviço à vida é falar de matrimônio, que deve ser vivido numa unidade indizível de comunhão conjugal. A comunhão entre marido e esposa deve ser um pacto de amor que os une em uma só existência, uma só carne. Um amor que seja fiel todos os dias, em cada detalhe, àquela promessa feita no altar (FC 19).
Sabemos pelo Catecismo da Igreja Católica, que o sacramento do matrimônio é um sacramento de serviço, tal como é o sacramento da ordem, pois orienta-se a salvação do outro, o cônjuge e filhos. E é pelo serviço à salvação do outro que a pessoa casada se santifica.
Uma comunhão conjugal indissolúvel deve ser reafirmada vigorosamente, nos pede a Familiaris Consortio, por mais que isso possa parecer fora de nossos tempos (FC 20).
O serviço à vida, portanto, se revela na “doação pessoal e total dos cônjuges” ao servir à transmissão da vida e educação dos filhos diariamente e na indissolubilidade do matrimônio, que ocorre porque destina-se a ser reflexo do amor divino, que é total e fiel até o fim. Se o mundo atual questiona todo o tempo por que formar uma família, devemos ter a resposta na ponta da língua: “A tarefa fundamental da família é o serviço à vida”, e esta aliança livre, total, fiel e fecunda deve ser reflexo do amor de Cristo por nós, revelando o amor de Deus a cada criança. Porque assim, a família poderá colaborar na formação de uma comunidade de pessoas e no desenvolvimento da sociedade de modo que esta sociedade proclame a cultura da vida.
A cultura da vida é a cultura que compreende o desígnio de Deus para o matrimônio, a família e o respeito à vida.
Na cultura da vida, não há espaço para abandono de um cônjuge durante a gravidez e em nenhum outro momento, portanto, não é uma cultura que permite condições onde uma gravidez seja considerada um problema ou um fardo.
Nesta cultura da vida, honrar pai e mãe é natural até o fim, portanto, não haveria espaço para se encontrar um idoso sem assistência e o carinho de seus filhos até na enfermidade ao final da vida. Este é o contexto que naturalmente a eutanásia jamais seria uma opção.
Na cultura da vida, os filhos crescem e se tornam legisladores, juristas, médicos, donas de casa, professores, cientistas, e nenhuma vida humana será manipulada sob pretextos materialistas, porque cada indivíduo dessa sociedade compreendeu sua missão na família desde cedo e sua missão como cristão. Afinal, a família é a primeira escola de valores morais.
Mas tudo isso parece utópico, não é? Ainda que isso possa parecer distante da realidade atual, não devemos ter medo de reiterar a mensagem do Evangelho. Se a realidade social nos parece distante do Evangelho de Cristo, ainda mais determinados devem ser os cristãos para proclamar o Evangelho da vida.
Este foi mais um Cultura da Vida. Até a próxima!
Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.