Esta é mais uma tragédia que atinge os Rohingya, minoria muçulmana de Myanmar, que nas últimas décadas foi despojada de tudo: terras, cidadania, casas; nem mesmo a possibilidade de viver em segurança em outro lugar foi suficiente. Pelo menos cinco crianças acabam de morrer pelo desabamento de uma escola corânica, soterrada por um deslizamento de terra no enorme campo de refugiados de Cox's Bazar, sudeste de Bangladesh. Apenas três dias antes, outras oito pessoas perderam a vida ali, nos mesmos campos, onde as chuvas de monção continuam a causar deslizamentos de terra e desabamentos.
As vítimas pertencem à minoria muçulmana Rohingya, proveniente do estado de Rakhine, oeste de Myanmar. Habitantes em terras birmanesas, desde o século XVI, dois séculos depois se encontraram entre as diversas populações do reino birmanês, posteriormente colonizado pelos britânicos. Cem anos atrás, como muçulmanos, foram considerados estrangeiros em uma nação predominantemente budista. Durante décadas, esta comunidade tem sido vítima de uma discriminação sistemática: privada de cidadania, por uma lei de 1982, foi considerada uma das minorias mais perseguidas do mundo. Seu grande êxodo começou em 2017, quando uma vasta ofensiva do exército birmanês obrigou centenas de milhares de pessoas a cruzar a fronteira para o Bangladesh. Ao cruzar a fronteira do Bangladesh, em poucas semanas, mais de 700 mil homens, mulheres e crianças pagaram um alto preço. Segundo dados recentes da ONU, hoje, cerca de 1,85 milhão de Rohingyas estão espalhados pelo mundo, dos quais 1,33 milhão são refugiados ou pedem asilo fora de Myanmar. Cerca de 520.000 ainda vivem em seu país de origem, sobretudo no estado de Rakhine, mas, grande parte, são apátridas e sujeitos a severas restrições. A maioria dos Rohingya vive em 33 campos de refugiados, situados na área de Cox's Bazar, cujo principal centro é Kutupalong-Balukhali, onde se encontra o maior assentamento de refugiados do mundo, entre os quais cerca de 1,2 milhão de Rohingya; outros estão refugiados em países como Malásia, Índia, Indonésia e Tailândia.
A volta desta minoria étnica para Myanmar continua um objetivo distante. Após o golpe militar de 2021, o país entrou em uma profunda guerra civil: no estado de Rakhine, os combates, entre a junta militar e o Exército Arakan, fomentam o temor de novas ondas de refugiados rumo ao Bangladesh. As condições de segurança não permitem a repatriação voluntária e os programas de retorno estão bloqueados. Durante anos, o Papa Francisco manteve a atenção internacional voltada para o sofrimento dos Rohingya. Durante sua Visita apostólica ao Bangladesh, em 2017, Francisco manteve um encontro pessoal com representantes destes refugiados aos quais pediu "perdão", em nome dos que os perseguiram, mas também pela "indiferença do mundo". Por fim, fez um apelo à comunidade internacional para que assegurasse o reconhecimento de seus direitos.
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