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Cardeal Zuppi: onde prevalece a “Babel do eu”, optemos pela fraternidade

“Amem sempre a Igreja, amem e preservem a unidade.” O eco das palavras proferidas pelo Papa Leão XIV no Encontro pela Amizade entre os Povos 2026, em Rimini, no último sábado (22/08) ai...

Cardeal Zuppi: onde prevalece a “Babel do eu”, optemos pela fraternidade

“Amem sempre a Igreja, amem e preservem a unidade.”

O eco das palavras proferidas pelo Papa Leão XIV no Encontro pela Amizade entre os Povos 2026, em Rimini, no último sábado (22/08) ainda ressou com força um dia depois. Quem retomou foi o presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) e arcebispo de Bolonha, cardeal Matteo Zuppi, na homilia da missa presidida no Auditório Intesa Sanpaolo D3. Concelebram com ele, entre outros, o arcebispo metropolita de Argel, cardeal Jean-Paul Vesco; o Pe. Joseph Farrell, prior geral da Ordem de Santo Agostinho; e o Pe. Francesco Ielpo, custódio da Terra Santa.

A reflexão do cardeal elogia a essência do Meeting: não um “enclave”, mas um “cruzamento para a Igreja e para a sociedade”, capaz de multiplicar os encontros e inspirar novos caminhos. Uma virtude ainda mais necessária em um mundo onde “é tão fácil pensar que estamos seguros e bem quando nos isolamos”.

O presidente da CEI relembra com carinho um pedido feito pelo Papa Francisco aos participantes do Meeting para que o ajudassem na conquista da paz, ressaltando como o Senhor suscita a vontade e a ação de acordo com seu “desígnio de amor”. Essa expressão é fundamental desde o tema escolhido para a edição de 2026 do Encontro, extraído do trecho final da Divina Comédia de Dante: “O amor que move o sol e as outras estrelas”. “Quanta alegria”, prossegue o cardeal Zuppi, ao experimentar esse afeto na “família universal” representada pela Igreja, “tanto mais preciosa nesta época em que prevalece a cultura insolente e perigosa do poder, a Babel do ‘eu’, onde nos tornamos arrogantes e imprevisíveis, mas também de um ‘nós’ fechado, oposto a outros ‘nós’”.

A comunidade eclesial “vive no mundo, mas não é do mundo”. Um postulado reiterado por Zuppi, do qual, no entanto, decorre uma responsabilidade decisiva: ajudar a própria humanidade a reencontrar a si mesma, por meio de processos delineados pelo próprio Pontífice: separar “a convivência da desconfiança, a cultura da prepotência, a educação da ideologia, o trabalho da idolatria do lucro, a tecnologia e as finanças dos negócios da morte”.

“Temos muito o que fazer”, constata Zuppi. Mas trata-se, no fundo, de seguir a natureza da humanidade, que não foi feita para viver “como brutos” — citando novamente a Divina Comédia —, mas para ser “magnífica”, retomando, por sua vez, o título da encíclica de Leão XIV. Um horizonte do qual todos podem fazer parte: “todos nós podemos ser estrelas em um céu muito escuro”. A beleza da luz, aquela que, citando desta vez São João Paulo II, “desperta aquela sede de radicalidade” que não permite que nos adaptemos ao compromisso.

E Jesus é beleza, aquela que “desperta em vocês o desejo de fazer da sua vida algo grandioso, a vontade de seguir um ideal, a recusa em se deixar engolir pela mediocridade, a coragem de se empenhar com humildade e perseverança para melhorar a si mesmos e a sociedade, tornando-a mais humana e fraterna”. Partir, recomeçar a partir da empatia, portanto. Pois, conclui o cardeal Zuppi: a dedicação de si mesmo ao outro “não é algo genérico, é algo muito concreto: entregar-se ao outro, dizia ele, significa agir em prol do outro. Amar alguém significa agir. Para se entregar aos outros, é preciso agir em prol deles”.

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