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Cardeal Gracias: a sinodalidade é um dom para o mundo

Ao presidir a celebração eucarística de abertura, às 9h, nos salões de eventos 2 e 3 do Hotel Mulia Jacarta, o Cardeal Gracias afirmou que a missão da Igreja é unir as pessoas, promover...

Cardeal Gracias: a sinodalidade é um dom para o mundo

Ao presidir a celebração eucarística de abertura, às 9h, nos salões de eventos 2 e 3 do Hotel Mulia Jacarta, o Cardeal Gracias afirmou que a missão da Igreja é unir as pessoas, promover a reconciliação e tornar-se um instrumento de paz. "Nossa missão é nos tornarmos construtores de pontes", disse ele em sua homilia. "A Igreja é chamada a construir pontes." A liturgia de abertura refletiu essa diversidade, incorporando tradições culturais de várias partes da Indonésia e orações que representavam a Igreja asiática como um todo. O Cardeal Gracias foi acompanhado no altar pelos cardeais Stephen Chow Sau-yan, de Hong Kong, e Virgilio do Carmo da Silva, de Timor-Leste, como concelebrantes principais, juntamente com mais de 100 cardeais, bispos, padres, religiosos e delegados de toda a Ásia que participam da assembleia, a qual se estende por uma semana.

Ao iniciar-se a procissão de abertura, homens e mulheres trajando vestes tradicionais da província indonésia de Sumatra do Norte — incluindo membros das comunidades Nias, Batak e Minangkabau — acolheram os bispos e delegados no salão da assembleia. Essa recepção cultural destacou a rica herança étnica da Indonésia, ao mesmo tempo em que expressava a hospitalidade da Igreja anfitriã. A Oração dos Fiéis também refletiu a diversidade da Ásia, com preces proclamadas em vários idiomas, incluindo javanês, mentawai, mandarim, benawas dayak (de Bornéu) e sumba (de Nusa Tenggara Oriental). Essas intercessões multilíngues ressaltaram a unidade da Igreja em meio aos muitos povos, culturas e idiomas do continente. Outro aspecto marcante da celebração foi a Ladainha dos Santos, na qual foram invocados homens e mulheres santos de várias partes da Ásia. A assembleia pediu a intercessão de santos da China, Índia, Japão, Coreia, Malásia, Filipinas, Sri Lanka, Hong Kong, Tailândia, Mianmar, Cazaquistão, Indonésia, Laos e Afeganistão, evidenciando a rica herança cristã do continente.

Em sua homilia, o Cardeal Gracias lembrou aos participantes que o encontro da FABC é muito mais do que uma reunião institucional. É, afirmou ele, uma oportunidade para as Igrejas locais da Ásia discernirem os sinais dos tempos e renovarem seu compromisso com o anúncio do Evangelho. Ao refletir sobre a trajetória de mais de cinco décadas da FABC, ele recordou a pandemia de COVID-19 como um dos desafios decisivos enfrentados pela Igreja nos últimos anos. Embora a crise tenha causado sofrimento em todo o continente, ela também revelou a resiliência, a solidariedade e o espírito de comunhão colegial das Igrejas da Ásia. O Cardeal também apontou a guerra e a violência como alguns dos maiores desafios que a humanidade enfrenta hoje, recordando a descrição feita pelo Papa Francisco da atual situação global como "uma Terceira Guerra Mundial travada em partes". Ele descreveu a sinodalidade como um dom tanto para a Igreja quanto para a sociedade, observando que o espírito de caminhar juntos faz parte das culturas asiáticas há muito tempo, por meio da vida familiar, dos valores comunitários e do respeito mútuo. Acrescentou que os valores sinodais, como a escuta, a participação, a abertura e a responsabilidade compartilhada, também podem contribuir para uma boa governança e ajudar a combater a corrupção em muitas partes da Ásia. Ao final da Missa, o Cardeal Gracias incentivou os delegados a buscarem formas novas e criativas de construir a paz e a fraternidade em todo o continente. "Que Deus abençoe a FABC. Que Deus abençoe a Ásia", declarou.

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