Roma

Botsuana, o compromisso dos Salesianos com os jovens, um recurso para o futuro do país

A riqueza existe, mas não é aquela que se espera. Sem diamantes: neste país, que está entre os principais produtores mundiais dessas pedras preciosas, os salesianos cuidam do tesouro ma...

Botsuana, o compromisso dos Salesianos com os jovens, um recurso para o futuro do país

A riqueza existe, mas não é aquela que se espera. Sem diamantes: neste país, que está entre os principais produtores mundiais dessas pedras preciosas, os salesianos cuidam do tesouro mais valioso, o tesouro humano, representado pelos jovens e pelas jovens. Para os filhos de Dom Bosco, o importante é fazer crescer esse patrimônio que, mais do que as pedras preciosas, representa o futuro de Botsuana, um país da África Austral pouco conhecido e pouco divulgado pela mídia internacional. Num contexto econômico marcado por profundas transformações estruturais, onde a dependência dos recursos minerais se choca com a urgência de uma diversificação econômica, social e de trabalho, o desafio educacional assume o valor de uma verdadeira aposta no futuro.

O caminho para criar raízes na comunidade local exigiu paciência. Os três primeiros pioneiros salesianos foram o irmão Sylvester Makumba, o padre Irvin Lumano e o próprio Padre Tembo. O início das atividades teve que enfrentar a burocracia local. "Encontramos dificuldades para obter vistos de trabalho e de residência", enfatiza o padre, "e depois de 90 dias retornamos à Zâmbia para aguardar a autorização. Os obstáculos burocráticos foram finalmente superados. Atualmente, temos apenas uma comunidade na diocese de Francistown."

A presença católica em Botsuana é pequena. Antiga colônia britânica, o país tem uma população estimada em 2,6 milhões de habitantes. A missão de evangelização católica, iniciada em 1928 pelos Oblatos de Maria Imaculada, levou à formação de uma comunidade de aproximadamente 120 mil fiéis, o equivalente a 4,7-5% da população, distribuídos pelas duas dioceses de Gaborone e Francistown. Os Salesianos foram encarregados do cuidado pastoral da pequena paróquia de Santa Teresa do Menino Jesus, que tem apenas 72 fiéis. "Realizamos nossas atividades em uma localidade chamada Monarch, uma das áreas mais pobres de Francistown", observa o padre Tembo. "Moramos em uma casa alugada a 4 km do centro e planejamos construir uma casa comunitária salesiana. Os custos de aluguel e manutenção são totalmente cobertos pela Província e pela Casa Generalícia de Roma." Fiéis ao seu carisma, os Salesianos dedicam especial atenção aos jovens: "Planejamos criar um Centro da Juventude para que os jovens de Monarch tenham um lugar onde passar o tempo livre de forma construtiva."

A comunidade já lançou um oratório vespertino nos fins de semana, oferecendo uma resposta concreta à marginalização urbana. O envolvimento dos leigos também está seguindo um caminho planejado: a formação dos Cooperadores Salesianos começou em 2025, e os primeiros membros devem fazer seu juramento em 2027. "Aos sábados, damos catequese, seguida de atividades do oratório", explica o missionário, "e estamos envolvidos na catequese de jovens adultos, organizando também estudos bíblicos para jovens. Atualmente não temos nenhuma escola, mas esperamos estabelecer um Centro Juvenil em Monarch."

Este compromisso pastoral se insere num contexto geopolítico e econômico complexo. Desde a independência, em 1966, Botsuana tem sido considerada um modelo de estabilidade democrática na África Austral, graças a um sólido sistema multipartidário e a uma administração pública eficiente. Hoje, porém, o modelo de desenvolvimento nacional encontra-se numa fase delicada. A economia do país continua dependente da mineração de diamantes, um setor que historicamente contribuiu com aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e até 80% das receitas de exportação, financiando infraestruturas e serviços públicos.

A crise global do mercado de diamantes, agravada pela concorrência das pedras sintéticas, também reduziu os gastos públicos. O fechamento ou a redução de algumas minas levou à perda de renda regular para grandes segmentos da população e ao aumento da instabilidade do emprego no setor de mineração. Isso resultou em desemprego, que ultrapassa 30% entre os jovens, obrigando muitos a buscar fontes alternativas de renda no setor informal ou na agricultura de subsistência. Apesar disso, o governo continua considerando a educação gratuita um pilar de suas políticas, reconhecendo, ao mesmo tempo, a necessidade de complementá-la com estruturas educacionais e de formação espalhadas pelo território.

O trabalho dos Filhos de Dom Bosco não se desenvolve isoladamente, mas faz parte de uma rede regional bem estruturada. A missão integra a Vice-Província Salesiana de Maria Auxiliadora (ZMB), que abrange Zâmbia, Malawi, Zimbábue e Botsuana, e tem sede em Lusaka. A cooperação internacional desempenha um papel crucial nesta fase inicial: seis meses após a abertura da missão, os Cooperadores Salesianos da República Tcheca visitaram a comunidade de Francistown, auxiliando os religiosos a apresentar a Associação de Cooperadores Salesianos à paróquia e oferecendo apoio concreto às atividades do oratório. Neste cenário de transição, a presença salesiana concentra-se no desenvolvimento do capital humano. "O compromisso com Monarch é um pequeno farol de esperança. Construir um espaço seguro para os jovens", conclui o padre Tembo, "significa oferecer alternativas concretas à pobreza crescente, acompanhando o crescimento das novas gerações com instrumentos educacionais capazes de ir além da riqueza ilusória das pedras preciosas".

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