Olá, amigos da Rádio Vaticano. Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Hoje, vamos nos perguntar: Por que vivemos uma crise tão profunda na família e qual é o remédio para isso?
Quando olhamos para a realidade ao nosso redor, percebemos que muitas famílias vivem dificuldades. Casamentos terminam com facilidade, filhos crescem sem a presença do pai ou da mãe, aumentam os conflitos dentro de casa e, muitas vezes, parece que cada um vive apenas para si. Essa realidade nos faz pensar: onde tudo isso começou?
Bento XVI, quando ainda era o Cardeal Joseph Ratzinger, refletiu profundamente sobre esse assunto. Ele explica que um dos grandes problemas do nosso tempo é que homem e mulher passaram, muitas vezes, a enxergar um ao outro como adversários, quando, na verdade, Deus os criou para serem companheiros.
Vemos isso na Bíblia. No Gênesis, Deus cria o homem e a mulher para caminharem juntos. Eles têm a mesma dignidade, mas foram criados com diferenças que não existem para separar, e sim para completar um ao outro e a família nasce justamente dessa união de amor.
Quando marido e mulher vivem unidos, aprendem a dialogar, a perdoar, a servir um ao outro e a colocar a família em primeiro lugar, os filhos crescem aprendendo o valor do amor, do respeito e da fidelidade. Mas sabemos que nem sempre é assim.
O pecado entrou no mundo e feriu os relacionamentos. Em vez da comunhão, muitas vezes aparecem o orgulho, o egoísmo, a disputa, a falta de diálogo e o desejo de impor a própria vontade. Quantos casais sofrem em seu casamento porque ninguém quer dar o primeiro passo para pedir perdão? Quantas famílias deixam de conversar porque cada um permanece fechado em si mesmo?
Quando o amor vai sendo substituído pelo egoísmo, não sofre apenas o casal. Sofrem também os filhos, os netos e toda a sociedade. Por isso, enquanto Igreja, falamos tanto da importância do matrimônio e da família. A família é a primeira escola onde aprendemos a amar, a respeitar os outros, a cuidar dos mais fracos e a valorizar a vida.
Se dentro de casa aprendemos que cada pessoa tem valor, será muito mais difícil aceitar uma cultura que descarta crianças antes de nascer, que abandona idosos ou considera a vida humana um problema.
Pense no seguinte exemplo: uma jovem adolescente que engravidou, ou que alguma colega sua engravidou. Se essa jovem cresceu em um lar estruturado, tendo o amor dos seus pais como base da família e exemplo de matrimônio que acolhe a vida, é muito fácil que essa jovem consiga enxergar o valor dessa vida que acabou de ser concebida, mesmo que em um contexto não planejado.
O mesmo ocorre quando falamos dos idosos. Em uma família que acolhe, cuida e honra pais e avós na velhice vai saber valorizar a vida mesmo no seu estágio mais avançado, e inclusive em uma situação de enfermidade. Fica claro que não haveria espaço para discutir eutanásia, por exemplo. Por isso, podemos dizer que a cultura da vida começa dentro de casa.
E qual é o remédio para essa crise? O próprio Cristo nos mostra o caminho. Sozinhos, muitas vezes não conseguimos vencer o orgulho, o ressentimento ou as dificuldades da convivência. Mas a graça de Deus transforma os corações.
Quando o casal reza junto, participa da Missa, busca a confissão, dialoga com sinceridade e procura viver o sacramento do matrimônio conforme o plano de Deus, Deus fortalece essa união.
Não existe família perfeita, mas sim as famílias que, todos os dias, recomeçam. Casais que aprendem a pedir perdão. Pais que procuram educar os filhos na fé e amor. Filhos que honram seus pais. Avós tendo seus filhos e netos presentes, olhando para eles como exemplos de fé e amor. É assim, nos pequenos gestos do cotidiano, que a cultura da vida vai sendo construída.
São João Paulo II dizia que a família é um verdadeiro santuário da vida. E Bento XVI recordava que homem e mulher não foram criados para competir, mas para caminhar juntos. Talvez não possamos mudar o mundo inteiro, mas podemos começar pela nossa própria casa.
A crise do matrimônio e da família estão na base da cultura do descarte que vivemos, pois a família tem como principal tarefa o serviço à vida, sendo a primeira escola de valores morais e a grande escola de amor.
Se cada família procurar viver mais plenamente o Evangelho da vida, unidas, no perdão e na oração, com Cristo no centro de suas vidas, pouco a pouco veremos florescer uma sociedade mais humana, mais fraterna e mais aberta à vida. A verdadeira cultura da vida começa quando aprendemos verdadeiramente a amar.
Este foi o Espaço Cultura da Vida. Até a próxima!
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